terça-feira, 27 de dezembro de 2011

recesso

Pessoal, vou aproveitar o janeiro e o fevereiro para:
- namorar;
- ler;
- ir a praia vorazmente (mentira!).

Sei que meus 42 seguidores não conseguirão dormir, tampouco sobreviver sem as histórias do Roger, mas preciso desse tempo, até mesmo para me reciclar. Até março, com os últimos contos do Roger!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

dicas do roger

massa com salsicha

Tenho uma amiga que namorou um cara durante muitos anos. Não só namorou como foi apaixonada. Pensava em casamento e tudo mais. Igreja, véu e grinalda. Mesmo diante de todos empecilhos.
Por empecilhos entenda os dissabores de uma relação tumultuada. Além do filho dele, fruto de outro relacionamento, ela ainda encarava discussões, traições e agressões. Agressões físicas e até uma cusparada. No rosto! Caso de polícia, na minha opinião. Mas, o amor, disfarçado de paixão, que na verdade era um medo de ficar sozinha, misturado com um comodismo acomodado bem inerte, fez com ela aceitasse a relação, nos moldes em que se apresentava.
Falo disso tranquilamente pois hoje ela vive uma relação bem diferente, com um cara legal e com grandes possibilidades de uma relação mais duradoura. Um relacionamento de verdade, eu diria. A relação atual não tem aquelas idas e vindas. Não tem brigas tolas, menos ainda agressões covardes.
Mas, o que surpreende nessa história é que depois de tudo que fora supra citado, o que fez com que ela definitivamente colocasse um ponto final na relação foi outro motivo: no aniversário de namoro ele quis ficar em casa, vendo televisão.
Tá certo que o cara andava economizando moedas de cinco centavos, entende-se que ver televisão é mais barato que outros programas. Porém, ali ela viu que ele não era o cara certo para ela. Pois, o que ela queria era um namorado parceiro, que se não tivesse grana para presenteá-la com uma jóia cara ou levá-la num restaurante chique, que propusesse uma massa qualquer, mesmo que fosse com salsicha.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

o calor

Vem chegando o verão e essa magia colorida. E quando chega o verão no sul do Sul, meus amigos, me vem a cabeça o calor. Uma coisa é o cara encarar 40°C no Rio de Janeiro. Outra é encarar 28°C na umidade de Pelotas. Ademais, carioca está acostumando de nascença com o sol na nuca. O gaúcho tem no máximo 4 meses de sol intenso, depois vivemos numa friaca danada. Aliás, o Minuano sopra pelo inverno, pois no verão ele deve descansar numa rede a sombra de uma figueira no pampa.
Dito isso, passo para o capítulo mulher. Ah, as mulheres no epicentro desse blog. Lutaram durante décadas bravamente pela igualdade de gênero, equidade de direitos. O verão chega para elas também, felizmente. Pernas de fora, vestidos, saias, sandálias. E com o calor e um arsenal de roupas leves elas desfilam pelas ruas, praias, avenidas e repartições públicas. Repartições públicas?! Sim, mulheres trabalham esvoaçantes com pernas, dorsos, braços e pés de fora.
Nós, homens, cedemos espaço a elas. Somos frágeis e débeis. Perdemos espaço no mercado de trabalho, e sequer conquistamos o direito de usar roupas mais leves. Puta merda!, será que ninguém percebe que temos que utilizar uma calça comprida, sapato fechado e meias!? E temos pêlos! Nas pernas, pés. Chego a suar só de pensar que em Janeiro, no verão, minhas pernas transpirarão. Senhoras ficariam ofendidas se vissem meus pelos das canelas. Moças ficariam ruborizadas se descobrissem que tenho pelos em cima e nos dedos do pé. Donzelas ficariam tímidas diante de uma singela camiseta sem mangas onde aparecem os pelos do suvaco.
Porém, minhas colegas já começaram a desfilar com roupas leves, de tecidos com peso negativo de 100 gramas. Usam vestidos que deixam transparecer suas axilas devidamente depiladas. Vestem saias que deixam circular uma corrente de ar nas partes baixas. Pisam em chinelos que estrategicamente são chamados de rasteirinhas. Rasteirinha é um chinelo com uma ou mais lantejoulas para disfarçar. E a sociedade aceita de bom tom. Ninguém fica envergonhado, ruborizado.
E é nesse momento, onde o calor chega para ficar e elas começam a utilizar cada vez menos roupas que elas reclamam do ar condicionado:
- Vocês não tão com frio, hein?
Óbvio que não! Estamos vestidos até o pescoço, uns com gravata outros sem poder arremangar a camisa de botão. Minha cabeça e meus pés fervem nessa hora. Tenho vontade de tirar o sapato e atirar na cabeça da friorenta que não percebe que não tenho o que fazer, pois a sociedade esqueceu que a equidade de gênero ficou capenga.
Estou certo, com muito tecido adiposo ou entrando na andropausa?

terça-feira, 22 de novembro de 2011

cachorro magro

As mulheres tem uma enorme capacidade de captar os sinais verbais e não verbais, assim como um olhar atento aos detalhes. A intuição é mais visível quando as mulheres já são mães, pois nos primeiros anos de vida dos filhos ela precisa saber identificar todas as necessidades das crianças unicamente pelo canal não verbal.
Não sou eu quem disse isso. Apenas retirei de algum contexto. O que eu já disse e reitero é que homens não percebem tais sinais, não entendem meias palavras. Assim como não percebem tonalidades. Sim, isso mesmo: tons. Não existe diferença perceptível a olho nu que diferencie marrom do tom pastel. Salmão é peixe e ponto final. Homens percebem, no máximo, a diferença entre claro e escuro.
Dito isso, retomo a idéia inicial do texto. Nesse mundo moderno, de relações intensas com diversas pessoas ao mesmo tempo, o Roger se pergunta: depois do sexo, o que devo fazer?
Caro Roger, eu lhe digo: não sei. Também não faço a mínima idéia. Só sei como funciona para chegar ao sexo. Durante o sexo já começo ter dúvidas. Depois do sexo não faço a menor idéia do que se deve fazer.
Pode parecer indelicado levar, vestir-se e ir embora. Mas, alargar-se na cama e amanhecer ao lado da mulher pode não ser de bom grado. Mulheres modernas não gostam de homens pegajosos e carinhosos. Preferem homens objetivos. É a frieza das novas relações. Nada de dormir de conchinha.
Todavia, perguntar se deve ficar para o desjejum ou se deve ir embora para não atrapalhar o sono da mulher independente pode gerar um constrangimento. E não queremos mulheres fazendo torradas pela manhã enjoadas com a nossa cara.
Assim, caso alguma mulher por ventura venha a ler esse texto, saibam que não notamos os sinais não verbais as quais vocês estão acostumadas desde os primórdios. Não somos privilegiados em intuições ou percepções qualquer. Por favor, deixem claro suas intenções. Nos mandem embora pra casa ou nos cocem as costas até pegarmos no sono.

***

O antropólogo Ray Birdwhistell calculou que, em média, um indivíduo:
- Emite de 10 a 11 minutos de palavras por dia!
- É capaz de fazer e reconhecer cerca de 250 mil expressões faciais.

Eu mesmo calculei que eu falo, em média, de 30 a 60 segundos por dia. Quando estou inspiradíssimo, por suposto.
Calculei, também, que reconheço uma expressão facial: a de pessoas com caganeira!

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

o gang bang

Convidaram o Roger pra uma tal de suruba. Ele pode ir e não mandou ninguém no seu lugar. Eram para ser cinco, eu disse cinco, homens e uma mulher, eu disse uma única mulher. Era a fantasia dela, uma ninfomaníaca gulosa, que queria vários homens só para ela. E do marido dela, eu disse do marido dela. Não era novidade para o casal o ménage masculino. Só que agora eles queriam um gang bang. Vários homens e uma mulher, tudo com a supervisão e direção cinematográfica do marido.
Convidaram o Roger que aceitou, já que nunca fora envergonhado. Dos outros quatro, eu disse quatro, homens, dois desistiram. Arregaram provavelmente. Marcaram o encontro num local público. Com o elenco reduzido, iriam todos no mesmo carro. A surpresa para o Roger foi que ao chegar para cumprimentar o casal reconheceu os outros dois, eu disse outros dois, homens: dois colegas de faculdade. Mundo pequeno, pensaram. Não desistiram apesar do breve constrangimento.
Entraram no carro de um deles e rumaram em direção ao motel. O marido ia na frente, ao lado do motorista. Roger e o outro colega de faculdade iam, digamos, se aproveitando da situação no banco traseiro. Adentram no motel e o porteiro foi logo avisando que teriam de pagar dois quartos. Negociaram e pagaram um quarto e meio.
De início pensaram em fazer um grupo para comer mulheres interessadas em gang bang. Depois todos tiveram dificuldades de manter a concentração e principalmente a ereção. Das duas horas que permaneceram no quarto do motel e revezaram na foda com moça, também falavam da faculdade, das notas e trabalhos escolares. Um deles colocou o gel anestésico no pau, imaginando tratar-se de um lubrificante. Risos. De início Roger já foi logo avisando:
- Não sei vocês, mas eu preciso chupar essa boceta antes que vocês enfiem o pau de vocês nela.
De novo, risos.
E todos revezaram para chupar a moça. Todos, com muita dificuldade de concentração, eu disse concentração, mas leiam ereção, conseguiram comer a moça. O marido filmou e fotografou, até certo momento em que preocupado com o desempenho titubeante dos novos amantes da esposa, tratou de fazer a sua parte.
Dupla penetração, gozada na cara. A gang bang aconteceu, com certa dificuldade, mas aconteceu. Um deles dizia:
- Que falta estão fazendo aqueles dois arregões para acabar com essa mulher!
Os amigos nunca formaram um grupo. Desistiram após o desempenho pífio da estréia. Preferiram ficar com a certeza, talvez ilusória, de que se tivessem outra oportunidade iriam se sair melhor.

sábado, 19 de novembro de 2011

homem objeto

Roger estava sozinho em casa, arrotando, peidando e coçando o saco. Deitado no sofá, vendo qualquer coisa na TV e esperando a dor de cabeça passar. A dor poderia ser resultado de problemas estomacais causadores dos gases que saíam por cima ou dos que saíam por baixo. Levantou do sofá e foi pegar uma jarra d’água. Bebia no gargalo. Respingava água no peito. O cara é um porco. Um bárbaro.
- Alô! - disse ele ao atender o celular.
- Oi. Ocupado? - disse uma amiga que estava lhe devendo uma visita.
- Não. To de bobeira.
- Posso ir aí?
- Claro. Chega em quanto tempo?
- Cinco minutos.
- Peraí, tenho que tomar banho.
- Tomamos juntos.
- Mas, tenho que arrumar a casa, o quarto.
- Não quero saber disso. Quero ir aí e você sabe o porquê.
- Mas, ...
- To chegando.
Abriu as janelas, correu pro quarto para arrumar a cama, trocou de canal envergonhado que estava por assistir a novela das oito, procurou um Bom Ar, não achou, a campainha tocou. Tudo muito rápido.
- Safada! Estava aqui perto mesmo. - pensou. Entra! - gritou.
- Oi.
- Oi. Vamos tomar um banho, vem!
Ele não estava preparado para uma visita. A casa, o mau cheiro, a cueca velha e rasgada de andar em casa. Tirou tudo de uma vez só, cueca e calça, para que a moça não visse. A colocou de costas, com a cabeça virada para a basculante do banheiro, onde o cheiro era mais agradável. Deu-lhe um banho. De língua também.
Depois voltaram para o quarto. Secagem superficial dos corpos. Um corpo úmido roçando no outro, sobre a toalha molhada. Sexo rápido, para aliviar a tensão.
- Preciso ir.
- Já? - surpreendeu-se ele. - Agora que estou cheiroso tu vais embora?
- Sim. Era só uma dívida a ser paga. Já estou atrasada. Minha mãe me espera.
- Então tá.
- Roger...
- Diga.
- Dá próxima vez...
- O que tinha de errado?
- Dá próxima vez, corta as unhas do pé. Não posso sair daqui com as canelas arranhadas.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

a caixa preta

Desde que optou por se envolver com mulheres casadas, Roger sabia o que teria pela frente. Desenvolveu uma das maiores virtudes que um homem pode ter: ouvir a mulher. Roger ouvia todas elas. Sem pressa. Prestava atenção, olhava no olho, respondia, questionava, dava conselhos. Isso o diferenciava dos maridos ausentes. Claro, também procurou seu gerente no banco e fez um seguro de vida, pois os riscos iriam aumentar consideravelmente.
Não era um garoto de programa, embora recebesse presentes invariavelmente. Não rejeitava, pois camisas e camisetas sempre são bem vindas. Recebia cuecas também. Certa vez recebeu uma de elefante, com uma tromba na frente. Noutra ocasião, uma vermelha do Super-Homem. Agradecia, olhando nos olhos, e com sinceridade dizia que presentes eram desnecessários. O que ele queria mesmo era sexo sem compromisso. E mulheres casadas não podiam se envolver.
Ser o Ricardão lhe proporcionou um aprendizado que nenhuma faculdade lhe ofereceria. Aprendeu como tratar uma mulher. Mulheres cansadas das atitudes - ou da falta de - dos esposos lhe deram essa lição.
As reclamações variavam desde um mero sexo oral. Haviam os que só gostavam de receber. Homem egoísta é um problema, mas haviam os que acreditavam que sexo oral não era algo que uma esposa decente devesse fazer no seu marido. Enfim, as esposas sagradas não pensavam o mesmo, e procuravam o Roger para chupá-lo.
Tinham os namorados cornos também. O corno namorado é um tipo de homem incompetente. Sim, pois uma coisa é o corno velho, cansado da vida monótona oriunda de um matrimônio enfraquecido. Outra, é um namorado, fruto de um relacionamento recente, que prefere ficar na frente do Playstation jogando joguinhos. Outra é um namorado que prefere ficar em casa vendo televisão a sair com namorada para tomar uma cerveja que seja. As mulheres evoluíram, e cansadas de serem mal tratadas, procuram os Roger’s para se satisfazerem, não apenas sexualmente, mas como mulher.
A caixa-preta é extensa e tem histórias de mulheres desconfiadas da masculinidade do seu “macho”. Caras com atitudes, no mínimos, suspeitas, amizades estranhas, e uma falta de apetite sexual com a parceira, merecedoras de um par de guampa.
O que eu não entendo e o Roger não faz questão de entender é o porquê essas mulheres continuam a mercê destas relações. Que relação é essa onde a mulher prefere abster-se uma vida conjugal feliz para continuar um relacionamento com otários que as destratam, que as deixam em completa abstinência.
Essa resposta, talvez eu encontre, em outra caixa-preta, ainda inacessível a mim.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

poeteiro de plantão

Escuridão
No escuro, não lerás
Sem óculos, pouco entenderás
Analfabeto, impossível será
Isto posto,
Lê como mesmo?


***

Por aí
Uns escrevem poesias
Outros gostam de expor ralos
Turistas, em Roma, fazem visita Papal
Outros preferem ir comer em Juazeiro
Em Goiás, águas caindo...
Eu peço desculpas pôr tudo,
Peço desculpas pelas bolas fora
Sem mais...

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

a brochada

Quase tudo já foi dito sobre brochadas por quem já brochou antes do que eu. Quase tudo. A questão primordial no assunto é que o homem coloca em cheque sua virilidade em três questões: o tamanho do pau, uma ereção consistente e a ejaculação nada precoce. Isso funciona como o norte de nossas vidas, o mundo gira em função desse tripé, admitamos ou não. Não critiquem, não julguem. Somos asssim, aceitem.
Vou usar de argumentos sólidos para comprovar: Se teu pau satisfaz a parceira, que usa dele quando bem entende, por quanto tempo seja necessário para alcançar o orgasmo, o teu time pode perder todo domingo que a vida é bela.
Assim, quando um homem tende a permanecer de pau mol ao lado da parceira, estamos diante de uma situação tragicômica. Algumas questões são primordiais nesse assunto. Primeiramente, a responsabilidade é do homem em 99% das vezes. Pode ser o cansaço, o estresse, a ansiedade ou qualquer outra desculpa fajuta. Tanto o cansaço, o estresse ou a ansiedade acontecem no corpo do homem, e não no da mulher. Logo, a responsabilidade é nossa. O fato é que a mulher só tem 1% de responsabilidade.
Essa percentagem é justamente por ter escolhido um parceiro brocha! Faz-se necessário hombridade para assumir a brochada com dignidade, sem floreios, sem co-responsabilidades. Nada de terceirizar a disfunção erétil.
Imaginemos uma situação típica, como um casal num motel. A situação é embaraçosa, a menos que o casal tenha muita intimidade e o cara já tenha provado e comprovoado suas virtudes. Caso contrário, o embaraço é pleno. Contudo, não cabe ao homem culpar a mulher. Tampouco culpar o motel, a cama, ou o ar condicionado.
Também não convém levantar da cama, e jogar uma cadeira no espelho. Brocha e violento não cabe, definitivamente. Culpar o salário ou o patrão, muito menos. Comentários do tipo “é a primeira vez que isso me acontece”, mesmo que seja verdade, soam como mentiras inapropriadas. Outrossim, afirmar que “isso tem me acontecido seguidamente” é mais inconveniente, por demonstrar uma falta de ereção duradoura, rotineira. Na verdade, não há o que possa diminuir o constrangimento diante de tal situação.
Sei que as mulheres tem algumas dúvidas sobre o assunto. De certa forma, sentem-se inseguras e um pouco responsáveis pelo desempenho pífio do parceiro. Pois saibam que não lhes compete responsabilidade, embora haja meios de ‘erguer a moral do parceiro’.
Pois o meu dia chegou. Isso nunca tinha me acontecido antes. Não me refiro a brochar, e sim a escrever sobre o tema. Sobre brochar lembro da primeira vez que isso me aconteceu. Foi ali que percebi de verdade a gravidade do acontecido quando sai a rua. Meu mundo tinha acabado, havia perdido o meu norte. Parecia que todos me olhavam, andei cabisbaixo. Sequer tinha coragem de erguer a cabeça para apreciar o horizonte, envergonhado que estava.
No ônibus o motorista perguntou, "desce?", e todos me olharam. Queria cavar um buraco no assoalho do coletivo. Tive de engolir o choro. Pulei na parada seguinte, atrás de senhores. Não queria "descer" sozinho. Fugi de ruas movimentadas, conhecidos de ocasião, desliguei o celular. Imaginei que na frente da minha empresa haveria uma faixa soletrando o B, o R, o O, o C, o H e o A, seguido de uma exclamação. Queria ficar incomunicável. Se bem que tenho recebidos alguns e-mails com propostas para aumentar meu pênis e prolongar minha ereção. Será que ainda os tenho na lixeira do meu e-mail?


***


Ouvi ou li uma história sobre essa temática desagradável. Segue abaixo:
O cronista Antonio Maria entrou no avião e viu uma moça linda lendo um livro do Vinicius de Moraes. Perguntou se ela gostava de Vinicius, ela disse que sim e ele disse que ele era o próprio Vinicius. Numa época não globalizada, a moça acreditou. Durante a viagem prosearam bastante, bom papo, "Vinicius te adoro, te venero" e talicoisa e quando desembarcaram no aeroporto, foram prum motel, rolou sexo e aquela coisa toda. No dia seguinte foi correndo contar pro Vinicius, que ficou fulo com a história. Mas perguntou:
- Tá, mas e aí, como foi?
- Vinicius, ontem tu brochou.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

quanto tempo eu tenho?

Em determinado período da sua curta e bem vivida vida, Roger tornou-se um comedor de casadas. Nenhum outro termo seria mais adequado, apesar da deselegância, do que este, acreditem. O interessante de comer mulher casada é que elas nunca tem tempo de sobra. Principalmente as com filhos. Então, sempre que a mulher chegava no seu apartamento, logo que fechava trancava a porta, ele perguntava:
- Quanto tempo eu tenho?
Era fundamental que tivesse controle do tempo. Precisava administrá-lo visando a satisfação das senhoras. Costumava dizer que dividia o tempo da seguinte forma: de 35% a 40% do tempo dedicado as preliminares, e dependendo da mulher, até mais, já que segundo elas os “maridos tem preguiça de chupar xoxota”. A administração do tempo era fator importante, e variava de acordo com os interesses sexuais das senhoras. Nada de posições do Kamasutra, impensável posições cinematográficas, nada interminável. Sexo objetivo. As vezes nem conversavam, pois “conversar a gente conversa pelo telefone” ou "conversinha eu tenho em casa", afirmavam as comprometidas.
Certa vez uma casada ligou:
- Roger, to livre das nove e trinta as dez e quinze!
- Justo tu, que não perdes a novela? - imaginando tratar-se do horário nobre.
- Que nada, nesse horário ta passando a Ana Maria Braga!
Quarenta e cinco minutos, logo sem muito espaço para drinks ou conversinhas para boi dormir. No caso, o boi estava trabalhando. Complicado mesmo era ficar olhando no relógio em meio as estocadas.
Até que o Roger conheceu uma casada fiel. Ela exclavama depois que o viu na webcam:
- Quero te dar!
Aquele sotaque da fronteira com o Uruguai mexia com ele, que incrédulo respondia:
- De que jeito! Fiel igual a ti não existe!
- Vou falar com ele...
Anos se passaram. Ela repetindo sempre “quero te dar”, mas ainda não havia convencido por completo o marido. “Ainda estou convencendo ele a aceitar, mas "vou te dar!”, dizia com a convicção de quem está conhece o marido há vinte anos. Meus amigos, mulher quando quer uma coisa, faz o tempo parar:
- Amanhã vou matar aula.
- Sério!?
- Aham. Sete horas chego aí.
Reparem que o amante é um ser que sempre tem de estar disponível. Elas não perguntam se ele pode, quisá se ele quer. Apenas informam, avisam. E aparecem.
Enquanto ele girava à esquerda a chave da fechadura da sala, logo tascou:
- Quanto tempo eu tenho?
- Bastante.
Era uma reposta inesperada vindo de uma casada com filhos. Evasiva demais para quem acostumou-se a trepar com uma ampola na cabeça:
- Tu tá solteira?
- Hoje sim!
Foderam. Recuperaram o tempo perdido.
- Tenho que ir.
- Tudo bem. Valeu a pena esperar. Quer que eu te leve? – perguntou solícito.
- Não te preocupa, ele vem me buscar.
- Ele quem?!
- Ele... - disse apontando para a aliança na mão esquerda.
- Ele sabe que tu tá aqui?!
- Sabe.
- Ainda bem que tranquei a porta.
- Falei para ele que ou ele deixava ou eu viria sem ele deixar. Aí ele me trouxe. E agora vem me buscar.
- Bem, então por segurança, não vou te acompanhar até a frente.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

a entrevista

Segue, na íntegra, a entrevista realizada com o Roger:
- Uou! Estamos aqui, com o Roger. Seja bem vindo!
- Obrigado. Sinto uma hemorragia de satisfação por ter sido convidado para participar do seu programa.
- Que isso... Suas histórias estão fazendo por merecer.
- Ah, isso eu devo a um amigo meu, blogueiro.
- Ele está aqui na platéia?
- Não pode vir. Ele trabalha, além de escrever as histórias.
- Beijo do Gordo pra ele.
- Vou mandar...
- Vamos fazer um bate bola. Eu pergunto e você responde.
- Ok.
- Qual seu tipo de mulher?
- As que gostam de mim.
- Só?
- E as que gostam de sexo comigo...
- Solteiro?
- Totalmente. Mais avulso que bala de troco.
- Se ganhasse na loteria...
- Não haveria puta pobre, bêbado sem cigarro e garçom sem gorjeta.
- Time?
- Qual time tu queres que eu torça?
- Colorado?
- O que isso?!
- Gosta de verdura?
- Só a minha carne.
- Já broxou?
- Eu nunca! Isso é coisa de blogueiro.
- Futebol ou vôlei?
- Sexo.
- Lugar?
- Gosto de lugares úmidos e quentes.
- Chocolate ou vinho?
- Depende da ocasião.
- O que acha do sexo pago?
- Caro.
- Tem saído? Festas, baladas?
- Tenho sim.
- Bastante?
- Menos do que eu gostaria e mais do que eu posso pagar.
- Como estão as festas?
- Tirando os homens, excelentes.
- Você é gaúcho, né?
- Sim, Pelotense... Porquê? Tens alguma piada nova?
- Não, terra da Xuxa, da Gisele...
- Pois é. A Gisele vou tentar comer de novo esse ano.
- Já comeu a Gisele Bündchen?!?!?!
- Não. Vou tentar de novo. Da outra vez que tentei não consegui.
- Hum...
- Aliás, ela não me desce. Ah, se me desse...
- Ah bom! E a Xuxa?
- Tenho um interesse sexual em conhecê-la...

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

textículos

jatos incontroláveis
É uma discussão antiga, já desfez muitos casamentos sólidos. De um lado as mulheres, que urinam sentadas. De outro, os homens, que em pé não conseguem direcionar o jato de urina ao lugar certo.
Em defesa das mulheres, sei que é ruim sentar na privada molhada. Sabemos disso, pois além de mijar, nós homens, cagamos. E defecamos bem mais do que as mulheres, então passamos mais tempo sentados no trono do que elas.
De outro lado, se a tábua do vaso estivesse levantada sempre, essa questão estaria resolvida. Assim, ao invés dos homens levantarem a tampa do vaso, bastaria que as mulheres fizessem isso depois de usar o vaso sanitário. Se bem que poderia ter uma lei que obrigasse a instalação de mictórios em todos os banheiros desse País.
Ainda sobre o jato que sai enviesado, tenho que comentar que a uretra tem esse desvio inicial, o que torna difícil bem direcionar o mijo dentro daquela cerâmica, ao menos no início. Depois até conseguimos empurrar com o líquido aquele pentelho perdido por ali.
A maior prova disso é o primeiro jato da ejaculação. Não adianta a mulher esperar boquiaberta, que a primeira lançada vai saltar no seu olho. Imaginem vocês, se já é difícil acertar a urina num vaso sanitário, de que jeito acertar o esperma dentro de uma boca?!

***

mijadinha básica
O cidadão chega em casa, após o chope do fim da tarde, com o mijo saindo pelos poros, louco para realizar uma necessidade básica dos seres. Contudo, não resta tempo para pensar nas regras instituídas pela sociedade, caso contrário, o líquido desce perna abaixo.
Levantar a tampa do vaso é a primeira regra, como supra mencionado. Mas, as regras não cessam por aí. Diz a lenda, ou saiu no Fantástico, que antes de acionar a descarga, todo mijão deverá ter abaixado a tampa do vaso, para evitar que as bactérias e micróbios voem até as escovas de dente ou toalhas, que por venturas estiverem de bobeira pelo quarto de banho. Agora, digam-me, desde quando bactéria tem asas?
Uma regra universal e infinita é que o último pingo será da cueca. O homem mija e sacoleja. No balanceio, nos livramos dos pingos que não são nossos. Os que ainda permanecerem no canal da uretra, são nossos e das nossas cuecas, não insistam. Nada menos masculino do que um homem secando gotículas de urina com papel higiênico.
Para terminar, dizem os entendidos em higiene pessoal que o mijador deverá lavar as mãos após tirar a água do joelho. Agora, pensem bem, o cidadão sai do banho, cheirosinho, passa talco nas virilhas, minâncora, caladril e hipoglós, saca uma cueca limpinha do guarda-roupa, e a veste. O pau permanece dentro da cueca, guardadinho, sem contato com o ar, com a poeira, com a poluição, com as bactérias voadoras e com os micróbios saltitantes. Pois eu afirmo: o pau está limpo! Logo, o cidadão teria que lavar o pau após urinar, e não as mãos, obviamente. Ou lavar as mãos antes de mijar, evitando sujar o tico.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

um ator

Todo homem já quis ser jogador de futebol, quando guri. O Roger não. Era tão bom entendedor de futebol que sabia não possuir talento para o esporte. Desde pequenino entendia de táticas, regras. Sabia o nome dos jogadores, comissão técnica, colecionava álbuns de figurinhas. Até sabia se posicionar dentro do campo, jogava bem sem a bola. Mas, quando a bola chegava, não driblava um cone. Marcava como um atacante, ía ao ataque como um goleiro. Nasceu com dois pés esquerdos para o futebol. Assim sendo, optou pelas artes cênicas, ao invés do esporte bretão.
Quando pequeno, junto com vizinhos do bairro, bolaram um filme. Um deles, havia ganho uma filmadora que cabia dentro de uma caixa de sapato. Uns buracos na caixa e ninguém perceberia as filmagens. Começaram a fazer o filme até, com introdução, roteiro, script, cena 1, cena 2, e tudo. Mas, quando era a cena do Roger, com uma vizinha, compadeceu-se com a menina e negou-se a gravar o ato sexual. Não quis expor a coitada, e quedou-se com uma dúvida inquietante: como se sairia contracenando?
Alguns anos depois, com o advento dos telefones celulares que gravam imagens e áudio, saciou sua curiosidade ao se ver atuando no ato sexual. Envergonhado, talvez com o seu parco desempenho, excluiria logo em seguida. Posicionou o seu celular aos pés da cama. À meia luz, com o play acionado, chamou a moça pro quarto. Pouco conhecia sobre a pobre cobaia, era sexo de ocasião. Assim como seria de ocasião o vídeo amador.
Tinha medo de ter um desempenho pífio, mesmo excluindo o vídeo. Um vídeo de cinco minutos seria o final da sua curta carreira. O vídeo não saiu de casa, mas se fosse parar no youtube (ou no pornotube), seria sucesso instantâneo de acessos. Se até o Roger riu e sentiu cócegas durante o ato sexual, imagina nós, que não teríamos o compromisso de manter a ereção.
Ele estava deitado. Ela ajoelhada, a sua frente, fazendo sexo oral. Sexo oral que se estendeu pela virilha, pelas coxas, joelhor - frente e verso - panturrilhas, tornozelos e pés. E ajoelhada, de costas para a câmera do celular, ela ergue o pé 43 do Roger e com o pé quase sobre seu ombro, chupa dedo por dedo, dando especial atenção ao dedão esquerdo do pé. A resolução da câmera não era ideal, mas no 3D seria possível ver a língua dela dentre os dedos do pé dele, talvez até as sujeiras depositadas sob as unhas.
Compadecido com a moça lambona, decidiu excluir o vídeo assim que ela saiu.
A partir daí dedicou-se a outra atividade, já que pro futebol não tinha aptidão, e para o cinema amador não teve boas experiências. Espero que o Roger não se torne um blogueiro.

domingo, 4 de setembro de 2011

o buquê de noiva




Até mesmo o mais galinha dos homens, o Roger, sonha em casar. Mais do que isso, sonha em casar em alguma igreja, com a noiva de branco. Ao contrário do que todos imaginam, são caras como o Roger que buscam no casamento a estabilidade que não obtiveram durante toda a sua jornada, digamos, de caça.
Daí que encontramos certa distorção entre o que eles encontram e o que eles procuram. Acontece que caras com um passado, digamos, inglório, costumam atrair mulheres nada interessadas em compromisso sério. Isso é uma lógica, diante das circunstâncias de insegurança que circundam o safado.
Quando o Roger conheceu a mulher, digamos, pra casar, logo tratou de mudar. Assim que percebeu os atributos da moça, não envidou esforços no intuito do com ela alcançar o enlace matrimonial. Porém, não eram esses os planos da moça, que não ousaria juntar as escovas de dente com ele, justo ele que já havia escovado os dentes em diversas pias do bairro.
O tempo passou e o casal continuava a transar. Ele cada vez mais envolvido. Ela em busca do sexo e da diversão. Todos jantares, todas sessões de cinema ou qualquer pós sexo, ele media a temperatura na questão relacionamento. E as medidas eram desanimadoras. Ela não queria casar. Ao menos, não queria casar com ele. O tempo passava e o casal de sexo continuava junto. E a moça sequer dava sinais de envolvimento.
No casamento da sua melhor amiga, ela foi a madrinha. Linda e deslumbrante, fez o rapaz lacrimejar baldes ao vê-la sobre o altar, ao lado dos noivos. Ela até achou ele “queridinho” enquanto ele enxugava as lágrimas. Disse que de gravata ele até parecia “um cara de respeito”. Ela até apresentou ele como um quase namorado aos demais convidados da festa.
Porém, ele desencantou de vez na hora do buquê. A noiva interrompeu a festa, avisou que jogaria o buquê. Todas as mulheres ficaram eufóricas, inclusive as casadas. Fizeram fila nada indiana. Agruparam ao redor da noiva que de costas contou um, dois e arremessou no três. As mulheres atiraram-se atrás do buquê, eis que diz a lenda quem o pegasse seria a próxima a casar. De repente as casadas que engalfinharam-se atrás do arranjo estivessem mal casadas e quisessem outro casamento, sabe-se lá. As solteiras acotovelaram-se de forma, digamos, compreensiva, já que estavam queixando-se que não haviam “homens no mercado”, culpa da geração emo, sabe-se lá.
Mas a madrinha, a “mulher pra casar”, a escolhida, a eleita, ela não fez menção de alcançar o arranjo de flores. Sequer levantou o braço, sequer ergueu as sobrancelhas em direção parábola que o buquê traçou em sua trajetória, da mão da noiva em direção a mão da senhora que recebeu no colo o chumaço de flores, visto que a noiva errou o arremesso e atirou lateralmente as flores. Não importava. Roger queria ir embora. Ali, acabou a festa. Se admitia ficar com a madrinha, linda e elegante, jamais admitia andar de mãos dadas com uma mulher que não fazia questão de casar. Jamais dormiria com uma mulher que não fizesse esforço para alcançar um buquê de noiva.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

tecnologia

Ao chegar em casa, sabia o que lhe esperava, podia sentir dentro de si, não conseguia explicar mas tinha certeza do que significava. Eram 7 da noite, ela não havia retornado suas ligações o dia todo, nem suas mensagens, seus e-mails, muito menos os recados deixados no orkut de sua amada, era como se a mesma tivesse sumido da face da terra.
Em sua cabeça uma voz lhe dizia - Não se preocupe, ela só foi sequestrada, está presa em algum lugar e sem acesso a um computador - mas ele sabia, tinha certeza, ela o havia trocado, desistido, o apagado de vez de sua memoria.
Então uma ira tomou conta de seu corpo, espalhando-se por cada célula, crescendo cada vez mais dentro dele, prometeu naquele momento que não ficaria assim, havia muito a dizer. Olhou para seu laptop, intacto desde seu último recado, desde que havia deixado sua casa e ido para seu trabalho; levantou sua tela e seu dedo tremia ao pressionar o botao que ligaria sua maquina, a espera era infinita, sua vontade era de jogar seu velho laptop pela janela, mas ele tinha que falar, ele precisava falar, isso era mais importante.
Finalmente seu sistema inicia, seu browser abre e carrega de logo a sua pagina de e-mail - Você possui um novo e-mail de - Não podia acreditar no que seus olhos viam, era dela, sua pele se arrepia, suas pupilas dilatam, sente o suor escorrer não somente pelo seu rosto mas por todo o seu corpo, milhoes de coisas passam pela sua cabeça, pensa em não abrir mas o faz, e então, já entre lágrimas lê a seguinte mensagem:
- Meu Deus, você não leu o bilhete que deixei na geladeira onde dizia que passaria o dia na piscina?


***


o conto foi escrito por um amigo, e graças a tecnologia, está disponível no blog.

sexo virtual

- Globosat, boa tarde!
- Boa tarde!
- Em que posso ajudá-lo?
- É o seguinte: minha esposa vai viajar e eu gostaria de saber se tenho direito de ... Sabe como é... Ela vai passar um mês fora, e eu queria uma amostra do... Do sexy hot.
- Sei...
- Não! Sim... Na verdade queria experimentar o produto.
- Entendo...
- Sou cliente há anos...
- Claro. Aguarde um momento que vou verificar para o senhor. Temos uma possibilidade de experimentação do Sexy hot por um mês, sem custo adicional. Porém, o senhor terá que cancelar no mês seguinte, caso não queira aderir ao pacote. Caso contrário, será cobrado na fatura do senhor.
- Pelo-amor-de-Deus!! Não posso deixar com que isso aconteça. Se a patroa descobre, me mata! Ela é muito ciumenta.
- Então, como estava lhe dizendo, dentro de um mês o senhor terá que bloquear o pacote do sexy hot, caso contrário será cobrado o valor na sua fatura.
- Tudo bem. Vou arriscar. Mês que vem eu cancelo.
- Ok, estarei registrando a inclusão do pacote.
- Quando fica habilitado, moça?
- Hoje mesmo.
- Ótimo, pois ela viaja hoje a noite.
- Só um momento, qualquer coisa é só me chamar.
- Moça!
- Pois não...
- Passa aqueles filmes com animais?
- Animais?
- É... Zoofilia.
- Acredito que não, senhor.
- Hum, é que tenho curiosidades.
- Sei...
- Mas, você não é assinante?
- Sou sim, senhor. Os funcionários ganham os pacotes para melhor conhecimento do produto.
- E você não assiste?
- Não.
- Por quê? Não gosta de sexo?
- Senhor, fiz a inclusão. O sinal já está liberado.
- Tá fugindo, né? Tudo bem... Te ligo mês que vem e te conto.



domingo, 7 de agosto de 2011

sexo em público

Certas aventuras vividas pelo Roger fazem ruborizar moças virgens. Agora, se tem coisa que não faz parte do dicionário desse rapaz é a palavra timidez. Nada tímido é pouco para um cara totalmente desinibido. Na verdade Roger até gostava da sua desinibição e costumava ter boas experiências com mulheres sem vergonhas. No bom sentido. Os causos que narrarei aconteceram com ele esses dias, e confesso, fizeram a mim, nem moço e tampouco virgem, ficar um tanto ruborizado.
Quando saiu acompanhado de uma gata da festa com bebida liberada, procuraram um lugar escuro para ficarem mais a vontade. Saíram a passos largos pelas ruas do bairro. Entraram num terreno baldio, entre duas casas já construídas. Foram até o fundo do terreno, e entraram mato adentro. Pararam atrás de uma das casas construídas, e por ali, literalmente rolaram no mato. Os joelhos esfolados e encardidos denunciariam uma provável pelada, onde Roger teria jogado de goleiro num campo de terra. Ledo engano. O flagrante aconteceu mesmo quando dois homens que faziam a ronda por ali, gritaram coisas que ruborizariam todas as moças, virgens ou não, enquanto apontavam a lanterna em direção ao casal em pleno coito.

Mas, nem sempre apontaram lanternas em direção ao Roger. Noutra ocasião, enquanto servia às Forças Armadas, ele costumava bater continência até mesmo em festas sociais. Depois de passar servindo ao batalhão – no bom sentido, é claro – por meses, acordando com homens, comendo com homens, indo pro mato com homens, dormindo com homens – no bom sentido, é claro.
Aliás, esse pessoal das Forças Armadas, quando saem desarmados para as ruas, nos dias de folga, parecem animais ensandecidos atrás de um rabo de saia. O Roger não era diferente. Saia do exílio com as garras afiadas. Era a fuga da jaula. Estava pronto para pular no pescoço de qualquer fêmea. Mas, seu instinto animal agiu diferente. Fixou o olhar no olhar da morena que cambeleava pela festa. E bateu continência. Numa dessas coisas inexplicáveis que acontecem com o Roger, foi ao bater continência que a morena estremeceu. Aquela barba feita e aquele corte de milico não negava a profissão de guerrilheiro. Ela o imaginou fardado. E nós sabemos que mulheres tem uma queda de um cânion por homens fardados. Por isso, via de regra, sempre deixo um par de coturnos sob a cama.
Deram as mãos perante o barril de chopp. Nada mais romântico que um encontro em frente a algo de tão grande importância na nossa sociedade atual. Um levou o outro em direção a uma parede, escondida atrás de um balcão de bar. E por ali ele começou uma peregrinação pelo corpo daquela morena.
A língua percorria um circuito que levava dos seios, passava pelo pescoço e retornava por detrás da orelha. As mãos percorriam outras curvas. Tudo sob olhar atento de uma platéia, que observava a tudo como se estivesse em uma arquibancada. Definitivamente, Roger havia percebido que ali não era o local exato para trocar o óleo. Embriagados e sem trocar uma palavra, andaram em direção à praia, onde deitaram em frente a uma casa de família com a intenção de terminar a... corrida.
Teriam continuado a aventura, não fosse o dono da casa aparecer com um trinta e oito em punho, devido a algazarra que a platéia que havia acompanhado o casal estava aprontando na nova arquibancada. Perto da morte e quase cagado, Roger optou por deixar a moça em casa, afinal, se existia alguma possibilidade do três-oitão não funcionar, certeza era que o Roger falharia.

a rejeição

- Moça! Preciso falar contigo um minuto. - disse o Roger. - É o seguinte: estou incomodado com algumas coisas. Eu ando atrás de você, quase que te perseguindo, tentando flertar com contigo. Te vi dias atrás no supermercado e fiz minhas compras nos mesmos corredores que tu fizestes. Até produtos dietéticos pus no meu carrinho enquanto esperava tu escolher o sabor da tua gelatina. Depois ainda bati com o carrinho no seu carrinho para chamar tua atenção, te pedi desculpas, mas tu não deu a mínima. Noutro dia cruzei por ti na rua, e tu sequer levantou os olhos do chão. Outra vez, na padaria, tu deixou cair uma moeda de dez centavos embaixo do balcão. Eu me acoquei, fiquei de quatro até, enfiei os dedos na sujeira que havia embaixo do balcão, catei a moeda e quando fui te entregar, tu já tinha ido embora. E na faculdade então! Te procuro pelos corredores, tento fazer tu me notar, mas tu finge que não percebe, não me olha. Na academia é pior. Mudo a sequência dos aparelhos para malhar perto de ti, mas tu parece uma autista, que só enxerga aparelhos e tua garrafinha d’agua. Esses dias tu tava num restaurante, com tuas amigas. Sentei numa mesa próxima. As três notaram que eu olhava para ti, que apenas comia sua salada ceasar como se fosse um pedaço de picanha. Noutro dia, te vi no cinema, com uma água mineral na mão. Sentei do seu lado, até chorei assistindo aquela comédia romântica, esperei seu braço tocar no meu, mas nada! Nada! Depois vocês mulheres reclamam que estão sempre sozinhas, que ninguém as quer. Mas, vocês não dão espaço para as oportunidades. Por isso esse monte de mulheres solteiras. Esse montão de mulheres carentes, que clamam por ter alguém ao lado, lhes fazendo companhia, lhes dando atenção, carinho. E tu aí, andando pelas ruas de forma insípida, inodora e incolor. Andar frígido. Olhar apático. Gestos complacentes. O que acontece contigo, moça?
- Olha, Roger. Já percebi a sua existência, e se nunca dei atenção, é devido a tua insignificância. De todos os homens do mundo, o único que não tem chances comigo é você. Portanto, pare de ser inconveniente e siga seu caminho. Adeus!

poeteiro de plantão

Matemática
Um tifu,
Dois tifus,
TrÊs tifus...
Quantos tifus deu?


***


Meses
Tento te encontrar desde janeiro
Tentando te colocar
Passo meses inteiros
Tentando te colocar...
Agosto entra...

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Freud

Esses dias sonhei com Freud. O Sigmund. Foi mais ou menos assim: eu dormi com a mão encostada na boca, de bruços. E nessa posição acordei no sonho, num lugar que não identifiquei bem. Vi que era à noite. Engoli a baba que pingava na minha mão. Levantei a cabeça e ouvi a voz dele:
- Tarado, levanta aí e vamos tomar um trago!
Fomos para um bar, sentamos no mocho alto, e bebemos uma cachaça ouro no balcão. Fazia tempos que não bebia cachaça. Não entendia onde estava, mas estava estupefato em beber com o Freud. Ele dizia:
- Tarado, você dorme com a mão na boca. Isso é sinal que durante a amamentação seu ciclo não foi completo.
Não havia perguntado nada a ele. Mas, sei que mamei em outras tetas quando guri. Seria esse o motivo pelo qual eu roou unhas?
- Logo, - continuou ele - você tem o seu ciclo oral pré-desenvolvido.
Seria esse o motivo que me leva a gostar tanto de chupar uma boceta? Tive vergonha de perguntar para um ‘estranho’ sobre essas coisas. Olhava para ele e digeria as informações sobre meu ciclo oral observando ao redor do bar. Que bar era aquele? Onde eu estava? Ele continuava me decifrando:
- Você fala pouco. Sugiro que você desenvolva sua capacidade oratória. Converse com as pessoas, troque idéias, ouça também, mas fale mais do que ouça. Seja mais ativo, mais falante. Isso lhe fará bem. Garçom! Traga mais um trago para nosotros!
Que velho maluco, pensei eu! Não havia garçom ali, do outro lado do balcão. E o copo enchia de baixo para cima, num passe de mágica. Entornei o copo da canha. Aquela cachaça descia arranhando a garganta e o peito. Tinha a impressão que estava engolindo um gato que se agarrava com as unhas na minha traquéia. Uma queimação nunca antes sentida. Precisava de água, mas não enxergava o garçom fantasma.
- Queria te agradecer por vir aqui. - disse ele. - Apareça sempre que quiser. Sinto que você precisa de ajuda, precisa desabafar.
Mais uma vez senti uma ardência na goela. Um líquido espesso circulava por ali. Olhei atrás do garçom, nada encontrei. Quando olhei para o velho beberrão, ele já não estava mais lá. O mocho sumiu, cai no chão, de bruços e com a mão na boca. Acordei. Abri os olhos. Levantei e fui curar minha azia.


Freud escreveu:
“Nossos medos emergem de três direções: da decadência do nosso próprio corpo; do mundo exterior; e dos nossos relacionamentos.”

Impossível errar, não é? O que é o resto, diante dessa abrangência toda?
Velho beberrão...

quinta-feira, 14 de julho de 2011

textículos

atualização de cadastro
- Alô! Alô!
- Editora Abril, boa tarde!
- Boa tarde. Gostaria de informar meu novo e-mail?
- Claro, quer atualizar o seu cadastro conosco...
- Exato. Estou recebendo uns e-mails de vocês, me oferecendo várias revistas.
- Um momento enquanto procuro seu cadastro. Qual seu código de assinante?
- 54523452345
- Sr. Roger, é isso?
- Isso.
- Ok, qual seu e-mail?
- É vaitomarnocueditoraabril@hotmail.com
- Como?
- Soletro?
- ...
- vaitomarnocueditoraabril@hotmail.com
- ...
- Não leva acento no cu, moça...
- Entendo, o senhor não quer receber mais e-mails com promoções, é isso?
- Que isso! Eu adoro receber avisos das promoções de vocês...

***

no guichê do cinema
- Se beber não case, por favor!
- Está lotada...
- Não. Você não entendeu... Se beber não case!
- A sessão está lotada, senhor.
- Não quero um ingresso, senhorita. Queria lhe dar um conselho. Até mais ver!

terça-feira, 12 de julho de 2011

coisas de homem

Há determinadas coisas que acontecem conosco que as mulheres sequer imaginam. Acredito que a recíproca seja verdadeira, é claro. Aliás, é isso que torna a relação homem versus mulher interessante.
Dias atrás, fui numa lancheria com dois casais de amigos. Não lembro o porquê de surgir assunto tão impróprio para tratar em meio a baurus, mas comentamos sobre quando nossos testículos sobem do saco para o canal inguinal. Todos achavamos que tal excentricidade acontecia apenas com nós mesmos. No entanto, todos homens ali reunidos tinham duas características em comum: pediram bauru com bacon e tinham esse reflexo cremastérico.
Para explicar, cogitei em tirar uma foto do meu saco para mostrar a vocês, mas não quis. A bem da verdade não pude fotografá-lo pois não o encontrei. Com esse frio que anda fazendo no inverno, minhas bolas sobem em direção ao abdome, e o saco aproveita para sumir. Ademais, poupá-los de ver meu saco enrugado é o mínimo que eu posso fazer por quem ainda lê essas escritas.
Outro fato bastante peculiar ao universo masculino é o pós foda. Esses tempos ouvi o Roger comentando que adormecera com o preservativo envolto ao pênis. Pela manhã, ao acordar com aquela vontade de mijar, direcionou o pau em direção ao urinol, e só então percebeu que não havia tirado o látex. Seria a primeira vez na história que alguém mijaria dentro da camisinha.
Atire a primeira pedra o homem que nunca foi mijar no dia seguinte a uma foda e não impregnou um banheiro com o cheiro de porra misturado com o cheiro de boceta. Isso aconteceu comigo uma vez, quando saí atrasado, e correndo escovei os dentes enquanto colocava a camisa, lavava o pau na pia enquanto penteava os cabelos, e secava o membro na toalha de rosto, antes de sair colocando o cinto. Engraçado foi ver a mulher secando o rosto com a mesma toalha, enquanto eu a esperava para trancar a porta.
Para as mulheres entenderem melhor, o pau fica melado, os pentelhos cheirando a sexo, e isso aromatiza o ambiente na hora da mijada das 10h da manhã. Todo homem precisa mijar por volta das 10h, sabiam? Os que tomam chimarrão não passam das 9h! É coisa de homem isso. Mais impressionante é que essa mistura sexual do dia seguinte ultrapassa o cheiro do desinfetante que limpou o banheiro mais cedo.
Ali, enrolado na glande, sempre surge um fio de cabelo gigante. Nós sempre catamos um fio de cabelo na cabeça do pau, mesmo se a mulher tiver cabelos curtos. Mais impressionante mesmo é quando elevamos o fio de cabelo a altura dos olhos e nos questionamos:
- Como pode um fio de cabelo loiro se a mulher era morena?!
Enquanto apontamos o membro com uma mão em direção ao vaso sanitário, a outra chega bem perto dos olhos, pois a luz pode enganar e o fio ser branco, da mãe ou da avó, mas não! O fio é do cabelo de uma loira!Daí o cara pensa na última loira que traçara: meses atrás! Nem lembrava o nome da loira! Como pode isso?, nos perguntamos sempre.
Na urinada das 15 horas e quarenta minutos (todo homem mija por volta desse horário), o cara coloca o pau para fora e desesperado com o cheiro guardado na cueca, resolve mijar na pia do banheiro. Sim, homens mijam na pia do banheiro, sabiam? Mas é higiênico, não se preocupem, mas fiquem com inveja. Homens mijam na pia e miram no ralo do lavatório, e depois abrem a torneira para lavar o pau ali mesmo e amenizar o cheiro desagradável, jogando água na pia para higienizar o local. Não fiquem com nojo pois isso é coisa de homem.

terça-feira, 5 de julho de 2011

diálogos modernos

As vezes faço um exercício. Um exercício de me imaginar no passado. Na época em que não havia telefone celular e internet. Não é uma época tão distante, mas essas ferramentas são tão influentes e intensas atualmente em nossas vidas que nem percebemos que a tecnologia atropela o tempo. Essa modernidade deu início a novos problemas, novos conflitos, sobretudo em pessoas menos seguras de si:
Antes, os traidores mal intencionados que namoravam saiam da casa da namorada ou namorado e ouviam a seguinte recomendação:
- Amor, me liga quando chegar em casa.
Daí o cidadão tinha que atravessar a cidade, ir para casa, ligar para a(o) namorada(o), falar coisas fúteis, do tipo ‘chegou bem?‘ ou românticas tal qual ‘sonha comigo‘, para só depois tornar-se um traidor livre e sair noite afora. Embora a(o) namorada(o) pudesse ligar para o telefone fixo na madrugada, seria improvável que o desconfiado quisesse acordar a todos na residência, num gesto deselegante. Então, um cara esperto criou o telefone móvel. Então, os traidores poderiam ficar encurralados, já que poderiam ser encontrados em qualquer lugar. Lembram da piada do português que atendeu o telefone celular no motel e ficou indignado com a esposa, que o encontrava sempre que estava com a amante? Bem, a piada já teve graça na época dos tijolões das Motorola. Porém, os traidores que queriam a liberdade, buscavam um lugar calmo, quieto, para falar as mesmas baboseiras que os enamorados falam, para só então, rumarem em direção a sem-vergonhice. Já ouvi falar de um puteiro com uma sala a prova de som, para os traidores ligarem para casa e comunicarem a esposa que já estão indo dormir com os anjinhos, quando na verdade as diabinhas o esperam do lado de fora da cabine.
Bastou que um problema se resolvesse, para outro surgir, com mais força:
- Amorzinho, quando chegar em casa, entra no MSN.
Então o indivíduo, após horas de trabalho, horas de estudo, depois de fazer sala na casa da namorada, conversando com a sogra, assistindo a novela das onze, que termina tarde demais, sem tomar uma cervejinha, sem flertar com mais ninguém, sem nada de interessante, tinha que chegar em casa, conectar no MSN, pra dizer algo do tipo ‘oi’, ‘cheguei bem’. Só depois de desligar o computador que ganhavam a liberdade.
Daí algum ilustre cidadão emérito fez com que fosse possível conectar ao MSN pelo celular. Só então, os sem escrúpulos tiveram a liberdade móvel que sempre sonharam. Poderiam conectar no MSN, Skype ou qualquer outro meio de conversas instantâneas de qualquer lugar, até mesmo de uma balada. Porém, quando imaginaram que teriam a tão sonhada liberdade, quando acharam que fariam aquilo que lhes dessem vontade, mulheres e homens mudaram, ficaram carentes. E tornaram-se dependentes do MSN, dependentes da conectividade ininterrupta desses programas.
Agora, é necessário conectar no MSN e permanecer conectado. Tem que ter vontade de teclar por horas a fio, falando qualquer coisa. São as pessoas carentes de atenção que acham normal ficar conectado e teclando por horas. Chamam a atenção, ficam magoadas se você não responde, querem respostar compridas, orações com verbos, pronomes, advérbios e adjetivos. E por bastante tempo. E não basta ficar conectado, tem de responder, conversar. E não basta querer dormir, tem que conectar, mesmo que não haja assunto. É possível que alguma metade peça a imagem da webcam para ver a outra metade da laranja pegar no sono.
- Oiiiiiieeeeee. Tudo beeeeem? - perguntam alegremente, percebe-se pelas vogais.
Porém, as opções de respostas são perigosas, e na visão feminina já determinam como você está naquele dia:
1) - Estou bem e tu? - significa que você está disposto, alegre. Logo, você teclará por muitas horas ainda, a não ser que a conexão fique com problemas. Dica: alegue problemas na conexão e, se possível, processe o provedor.
2) - To bem e tu? - a utilização do ‘to’ ao invés do estou não quer dizer muita coisa, mas só o fato de abreviar palavras ao economizar duas letras significa que você está menos alegre do que na opção anterior. Dica: arranque algumas tecla do teclado e queime-as.
3) - Bem e tu? - agora, na visão feminina, o homem já demonstra mau humor, pouca vontade de conversar e indisposição com a relação. Dica: desde o princípio da relação utilize esse linguajar.
4) To e tu? - imaginam elas que a relação está indo por água abaixo, próxima do derradeiro final. Dica: Vá em Barra de Ferramentas, Painel de Controle, Excluir programas, Excluir Messenger.
5) To. - acredito eu que corresponda a uma traição na visão feminina. Jamais faça isso, pois você pode não ser perdoado. Dica: fique solteiro se não quiser teclar.
Enfim, a tecnologia que encurta as distâncias, nos torna cada vez mais dependentes. É um ciclo que se fecha sufocantemente, pois a tecnologia nos persegue, pois as vezes apenas não queremos teclar.



Certa vez escrevi sobre as risadas de MSN. Excluí o texto quando achei esse vídeo na internet.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

homemfobia

- Doutor, eu vim aqui por que to com um problema muito grave. Só penso em mulher! - explicou Roger ao Psicanalista.
- Hum... Continue, continue...
- Eu sei que pode parecer normal, mas nos dias de hoje me sinto um peixe fora d’água. Tudo o que faço são para mulheres. Se corto o cabelo é para uma mulher. Se compro uma roupa, é pensando o que uma fêmea vai achar.
- Normal isso..
- Normal uma boceta!!
- ...
- Desculpe, me exaltei. Mas, é mais grave do que o senhor pensa, doutor. Quase não vim aqui... Entrei no site do plano de saúde, cliquei na especialidade e procurei uma mulher. Olhei no facebook para ver as fotos das psicólogas. Só optei pelo senhor, pois se fosse uma mulher nesse consultório, o tratamento não daria certo. Seria como curar o alcoolismo com whisky no coffee break.
- Fale mais... - incentivava o psicanalista.
- Não olho nos olhos; olho o decote, e as vezes, a boca. Nunca prestei atenção nas aulas das professoras; só nas professoras. Lembro que não gostava quando elas ditavam a matéria, ou quando traziam cópias mimeografadas. Sempre as chamava junto a classe para sanar alguma dúvida que sequer existia. Queria sentir o cheiro delas. Gostava de vê-la de costas, no quadro negro. Até mesmo a tia Mariza, da terceira série, que já não era lá essas coisas. Lembro que ficava bulinando o tico...
- Parece sério...
- Então, como estava lhe dizendo, acordo e me masturbo, pensando na foda da noite anterior. É um ciclo do gozo. A internet, na minha visão, é um antro de putaria. Só acesso sites pornográficos, só quero ver mulher pelada. Revistas? revista pra mim é Playboy, Sexy, Forum. Vip já é coisa de viadinho. Nem futebol eu gosto, acompanho raramente o feminino. Vejo o vôlei. Tenho saudades da Ana Moser e da Márcia Fu. Gosto de samba, é claro. Mas por quê? Por causa das mulatas sambando.
- Não pare...
- Estou doente, doutor, gosto muito de mulher. De várias. Ao mesmo tempo. Já gastei um soldo inteiro num puteiro. Fechei o puteiro. Cheguei lá e disse: quero cinco! Tinham quatro. Nem comi as quatro, mas paguei todas, não sobrou uma para os outros. As que não deram ficaram olhando, rindo, beijando, colaborando com a putaria. Noutro foi mais grave...
- Foi?
- Sim, fiz um empréstimo. Oito por cento ao mês. Aí pedi cinco, tinham seis. Paguei as seis. Estou endividado.
- Isso é grave.
- Mas nem sempre pago, não. Já fui “usado” por amigas. Três me usaram na mesma noite. Já sai com colegas, amigas, vizinhas, desconhecidas. O que não posso é ficar sem mulher. Uma mulher me disse que isso é vazio... Não há tempo para pensar nesse vazio. Vazio mesmo está meu saco. Há anos gozo todos os dias. De uma forma ou de outra. No mínimo uma vez por dia.
- Já amou alguém?
- Sim, várias. Ao mesmo tempo é claro.
- Não ajuda...
- No trabalho, doutor, só quero atender as mulheres, me abraçar nas colegas. Tudo com o máximo de respeito que posso oferecer. É que preciso olhar para mulheres, ter o cheiro delas nas mãos. Mas, respeito minhas colegas, embora não seja raro me masturbar no banheiro da firma pensando nelas.
- Durante o trabalho?
- Sim... O pessoal nem desconfia, acha que estou fazendo outras coisas... Mas é tudo no maior respeito, doutor. O meu caso é mais grave do que o senhor imagina. Por exemplo, agora, to apaixonado... pela sua filha.
- Minha filha?!
- Sim, meu sogro, aquela do porta retrato... - disse o Roger enquanto apontava o dedo em direção a bela moça que ele iria adicionar no Facebook assim que chegasse em casa.
- Bem, fale-me da sua infância... - mudou de assunto o doutor, enquanto recolhia a foto para a gaveta.
- Foi normal doutor. Meus pais trabalhavam fora, eu brincava em casa, a empregada me cuidava.
- Fale-me da empregada...
- Chamava-se Xana. É mãe do meu primeiro filho, doutor. Tenho um filho quase que da minha idade...
- Roger, não vai ser fácil. Você terá que participar de um grupo de pessoas com compulsão sexual. Um grupo com várias pessoas que falam sobre essa libido exarcebada, de forma anônima. Você tem interesse?
- Claro, se tiver mulheres por lá...

quinta-feira, 16 de junho de 2011

o pastor sábio

Esses dias conversei com o Billy enquanto eu mateava a tardinha:
- Billy, tu que és um velho já, me faz um favor: amanhã pela manhã, quando aquele guaipeca começar a latir, grunhir e chorar, tudo ao mesmo tempo, vá até ele e crave dois dentinhos no pescoço dele. Não o faça sofrer muito, apenas retire cirurgicamente as cordas vocais dele. Te confesso que tenho vontade de fazer ele amanhecer pendurado naquela árvore com uma corda no pescoço, mas as leis que protegem os animais e os seus super protetores me levariam para prisão.
Billy só me olhava, enquanto eu continuava cevando e sorvendo meu chimarrão:
- Já te contei, que se um dia eu atropelar um animal ali pelas bandas do Taim, na frente de um policial, vou ter que matar o policial, para ter menos incomodação?
Billy só bocejava e me olhava. Então fui mais incisivo:
- Cara, não agüento mais. Todos dias pela manhã, madrugadão, sete da matina, esse cusco começa a latir e chorar intermitentemente. E assim fica até as nove latindo, aquele filho duma cadela puta. Justo eu que deveria acordar as nove da manhã! Eu já percebi que tu também tá de saco cheio daquele impertinente, que fica nos teus garrões, que fica te mordiscando o rabo, rolando na tua frente. Então, Billy, dá um jeito nisso, tu que és o mais velho aqui, desquartejado de tão velhusco, e acaba com esse pobre pulguento. Antes que eu faça uma loucura e tu me veja saindo num camburão algemado ali por aquele portão.
Foi então que o Billy levantou, olhou pra mim e falou, com aquele sotaque bem carregado de pastor alemão:
- O problema é que esse filhote acha que é um galo. Um garnizé!
- Sorvi meu mate, calado, matutando como pode um cão falar com um humano...

sábado, 11 de junho de 2011

dicas do Roger

tratamento de canal

Nunca escrevi nenhuma linha sobre paixão. Por vários motivos, elencados abaixo:
- paixões não são engraçadas;
- admito, o blog tem um cunho sexual, embora seja baseado em histórias engraçadas e tenha como objetivo principal o entretenimento de quem lê e o meu, que não tenho nada mais importante para fazer, ainda recheado com algumas crônicas que expressam meu ponto de vista;
- talvez nunca tenha me apaixonado;
- talvez tenha me apaixonado, e na ocasião, não sabia o que escrever sobre uma paixão;
- talvez tenha me apaixonado, e na ocasião, fui correspondido e não sai escrevendo por aí.
Também nunca escrevi sobre tratamento de canal. As semelhanças não param por aí. Sempre quis fazer um tratamento de canal, da mesma forma que sempre quis me apaixonar. Acontece que sempre me caguei de medo de ambas as coisas. No fundo, lá no fundo, queria ter esses itens no meu currículo, para contar aos meus netos ou para escrever sobre o tema. Um tratamento de canal e uma paixão! Parece banal, mas sempre tive dentes e coração iguais a pedras de diamante.
Imagino que não há uma hora ideal ou exata para vivenciar uma cárie ou um grande amor. Essas coisas acontecem e cabe-nos vivenciá-las da melhor forma possível, talvez com anestesia ou com porres diários. Não é uma escolha casual. Acontece por acidente mesmo, por descuido. Não acorda-se pela manhã com uma puta vontade de cariar um dente, tampouco define-se escovando os dentes pela manhã ao olhar no espelho que hoje é o dia de achar o par ideal.
Talvez alguns estejam pensando que o Roger fez um tratamento de canal e comeu a dentista. Não é isso. Longe disso, muito embora se algum Roger comeu uma dentista que me conte, pois seria interessante escrever sobre nosso fascínio pelas mulheres de jaleco branco. Aliás, o Roger jamais não seria mencionado num conto sobre paixão. Talvez, num conto sobre dentes cariados.
De fato, estou falando, ou tentando falar, enquanto tomo um trago, que, pela primeira vez, estou fazendo um tratamento de canal. Espero que no final meu dente não tenha que ser arrancado.

domingo, 5 de junho de 2011

poeteiro de plantão

as margens do oceano
O amanhã,
no céu, sobre o mar
repousa, nas águas
o vento
o mesmo, que sopra
no meu lar

***

insônia
Insone,
Sou capaz de escrever poemas
Não se apavore, exceção de hoje,
Geralmente durmo sem problemas

***

tenho culpa?
O que posso fazer,
Se meus dias são perfeitos,
Se acordo de bom humor,
O que posso fazer?!
Tem culpa’eu?

quarta-feira, 1 de junho de 2011

o swing, o sofazão e uma monografia

Faz tempo que queria falar sobre a minha monografia. Pensei em postá-la no blog e talz. Porém, um trabalho acadêmico, por mais interessante que seja, é extenso e não combina com o blog, que dizem ter um cunho sexual. Se bem que a monografia foi sobre turismo sexual. Então, antes do conto sobre troca de casais, que virá em breve, segue parte da monografia.
Resolvi resumir e analisar de forma mais informal o trabalho acadêmico. Primeiro queria dizer que durante a faculdade fui um bosta de aluno. Trabalhava oito horas por dia, que somados as duas horas de almoço, e a deslocamentos de casa ao trabalho de uma hora, me roubavam onze horas do dia. Ou seja, metade do meu dia era dedicado a qualquer coisa que não fosse a faculdade. E pasmem!, eu dormia durante a faculdade. Em média, digamos, sete horas por dia. Dezoito horas por dia não dedicados aos estudos e ao descanso. As aulas eram a noite, três horas e meia. Restava pouco tempo para estudar. E eu preferia namorar. Aos sábados o tal do curso de inglês. Restava pouco tempo por semana para ser um bom aluno. E eu desperdicei.
Então pensei que seria importante fazer alguma coisa legal na faculdade. Meus colegas eram bolsistas, faziam estágios, participavam de programas de extensão. Eu não. Resolvi que a monografia poderia fazer com que minha passagem pela faculdade não fosse um breu total.
Assim decidi falar sobre turismo sexual. Não concordava com a conotação pejorativa que encontrava nos livros: Turismo sexual é algo negativo e ponto final. Como assim? Baseado em que? Claro que as referência bibliográficas tratavam de exploração infantil e de prostituição. Como se somente turistas fossem a puteiros ou que pedofilia acontecesse somente com viajantes. Precisava comprovar que turismo sexual pode ser bom, pode ser legal. Sem exploração sexual e sem exploração infantil.
Pensei em viajar num cruzeiro de estudantes. Só um pai inocente pode achar que num cruzeiro de estudantes o mais importante é conhecer os lugares que o navio atraca. Ou interagir com a comunidade do local visitado. Óbvio que foco é a azaração, as festas e, sim senhores, o sexo.
Lembro que uma vez fui convidado por um agente de viagem que me confidenciou que nesses cruzeiros o negócio é fifty-fifty. Metade homens, metade mulheres. Justo! Se houvesse desproporcionalidade, os próximos cruzeiros estudantis estariam comprometidos.
Mas, devido a minha não solteirice na ocasião optei por visitar o Sofazão, tradicional casa de swing de Porto Alegre. O dono, um ex-padre, me afirmou na entrevista que foi primeira casa de troca de casais do Brasil. Foi a única vez em que entrevistei alguém que o Jô Soares já entrevistou.
Parte 1 http://www.youtube.com/watch?v=m8ZY-diLsDU&feature=related
Parte 2 http://www.youtube.com/watch?v=dPYUfjPM8l0&NR=1
***
O Sofazão começou por acaso. Era um restaurante que ía mal das pernas. O Roque, dono do Sofazão, me disse que acrescentou a música ao vivo. Os casais começaram a dançar, e depois pediram um quarto emprestado. Depois outro. Até que o ex-padre percebeu que o pessoal queria sexo. Então propôs que emprestaria o quarto, mas não a chave. E os casais safadinhos aceitam transar com a porta aberta, para delírio dos amantes do exibicionismo.
O Sofazão eu conheci na Zero Hora. Repórteres disfarçados fizeram uma reportagem sobre o local, dias depois do Paulo Sant’ana ter falado da casa em sua coluna de ZH. Depois li em alguma revista, depois no Jô. E por último na internet.
Minha professora co-orientadora, uma antropóloga, adorou a idéia, principalmente por ser um ex-padre o dono do estabelecimento ligado a promiscuídade. Igreja e sexo. Polêmico. E o fato de contestar os conceitos bibliográficos existentes era o que mais me atraía. Iria contra os teóricos através da prática. Fui desaconselhado por colegas de faculdade, que achavam arriscado, que diziam que seria mais difícil fundamentar minha defesa, e temiam pela minha nota. Resolvi arriscar.
Lembro dos comentários nos corredores da faculdade. Muitos queriam assistir a defesa da “monografia da putaria“. Outros faziam piadas. Diziam que haviam transferido minha monografia, marcada inicialmente para 19h para as 22h, pois seria um horário mais apropriado para tratar do tema. Eu não ria, estava nervoso. Só quem já defendeu uma monografia sabe do que to falando. Não estava nervoso, não estava ansioso. Estava cagado mesmo! Iria desafiar as regras, na frente de todos meus colegas, da minha família.
A maioria que lotou a sala de aula queria mesmo era saber da putaria. Poupei os detalhes mais sórdidos durante a defesa, temendo ruborizar minha mãe e madrinha que assistiam a tudo orgulhosamente. Lembro que, depois que a banca saiu para decidir minha nota, fui elogiado por duas colegas, pela forma como tratei do assunto.
***
Aqui no blog, cabe comentários sobre o Sofazão, até então omitidos. Bom, primeiro, fomos - minha ex-namorada e eu - interessados em jantar no Sofazão, mas o restaurante não existe mais. Ela entrevistaria as mulheres, e eu os homens. Era uma forma mais fácil de criar uma intimidade com os swingers. Era necessários deixá-los a vontade.
E eles ficaram depois que as brincadeiras começaram. O Roque fazia as vezes de animador da festa. Justo ele que tinha sido notícia na Zero Hora daquela semana. Era ano eleitoral - 2006 - e ele queria concorrer a Deputado Estadual pelo Partido dos Trabalhadores. Mas, depois do mensalão, a cúpula do PT no RS resolveu melar a candidatura do empresário.
Abaixo, reproduzo parte da monografia..

2.2 Análise do Sofazão

“Em atividade há mais de dez anos na capital do Rio Grande do Sul, a casa de swing Sofazão já esteve localizada em diversos lugares da cidade Porto-Alegrense. Primeiramente, percebe-se não tratar apenas de um clube de swing, mas um local freqüentado também por praticantes de ménage a trois#, Voyeurs# e exibicionistas#. Seu proprietário, Roque Rauber, gaúcho de Bom Princípio do Sul, afirma ter sido a primeira casa de swing do Brasil. Com 65 anos de idade, Roque foi um padre da Igreja Católica, formado em Teologia em Burgos, na Espanha. Pelo Direito Canônico, no entanto, continua sendo um Padre. Antes disso, Roque já vendeu livros, remédios, casou-se três vezes, teve filhos, foi dono de restaurante. Aliás, foi deste restaurante “pouco lucrativo” que surgia o Sofazão. Nos fundos do restaurante, um espaço para bailes. Através da solicitação dos casais, os shows foram sofrendo alterações, com música ao vivo, shows de streep-tease e , enfim, sexo explícito. A excitação era tamanha que um quarto era cedido aos casais extravasarem seus desejos. Quando o proprietário resolveu cobrar uma taxa para utilização do quarto, a negociação ocorreu da seguinte forma: em troca da utilização da peça, os casais tinham de deixar a porta aberta. Assim, Roque percebera que vários casais gostavam de olhar e outros de serem observados. Foi nesta mesma época que o restaurante era locado para aniversários, casamentos e festas infantis.

O Sofazão abre suas portas de terças a sábados. Atualmente, localiza-se em um prédio, na Avenida Assis Brasil, em uma avenida de intenso fluxo de veículos que contrastam com uma fachada discreta, estampada com o desenho de um sofá, de lado a lado da do frontal.
O ambiente é constituído por duas áreas principais. A parte térrea é o local onde ocorrem as brincadeiras, as trocas de olhares. A parte superior, nas sextas e nos sábados, é onde os casais se dirigem para realização de suas fantasias. Porém, o acesso ocorre somente após a uma hora da manhã. É lá que se encontram outras suítes, com destaque para o quarto escuro, cujo nome torna desnecessária apresentações, e o confessionário – local para observação de casais através de uma divisória de madeira vasada, tal quais os confessionários utilizados pelos padres das Igrejas Católicas.
No hall de entrada, além dos banheiros bem cuidados – com trancas, inclusive – um peça com armários, onde os casais deixam seus pertences. A chave do cadeado permanece presa ao pulso do homem envolta a uma pulseira de borracha.
O ingresso custa R$ 20.00 por casal, enquanto que os solteiros pagam R$ 50.00. Elevado também é o preço das bebidas, aonde o custo de uma lata de refrigerante chega a R$ 5.00. Sigilo é o preço do sexo ofertado pelas mulheres que andam pela casa. Fato é que a prostituição de mulheres ocorre no mesmo recinto onde casais fazem sexo sem exploração.
A decoração é sempre temática, desde festas de aniversário, carnaval de inverno ou de verão, desfile de fantasias – ou da falta delas -, o corno mais feliz, a miss galinha, os destaques do ano e outros. Na ocasião, a decoração era com balões verdes e amarelos e bandeiras do Brasil, visto realização da Copa do Mundo de futebol na Alemanha.
(...)
2.3 As brincadeiras de salão

O ambiente gera expectativa. Percebe-se certa timidez, mesmo nos casais mais experientes. A movimentação deve-se a alguns casais que dançam discretamente nos cantos do salão e ao deslocamento em busca de alguma bebida. As músicas, em som ambiente, abrangem aos mais variados estilos. As portas abrem às 20 horas, embora o movimento tenha começado às 22 horas aproximadamente, com a chegada dos primeiros solteiros e casais. Às 23 horas desce o mestre de cerimônias de um espetáculo que durará cerca de oito horas. Trajando um terno alinhado, Roque cumprimenta todos os clientes, procurando deixa-los à vontade. Já com um número razoável de participantes, Roque dá inicio a uma série de atividades que buscarão desinibir os casais. A primeira brincadeira é a dança da cadeira, devidamente adaptada aos interesses dos participantes que no princípio são as garotas de programa e os solteiros, já que nenhum casal parece desinibido. Ao invés de cadeiras, uma mesa de madeira. Ao invés da eliminação precoce, o participante que não conseguisse sentar a mesa, tirava uma peça de roupa e quando estivesse nu, permanecia sentado aguardando o restante da brincadeira. A brincadeira acaba quando resta um único participante com alguma peça de roupa.
A segunda brincadeira acontece alguns minutos mais tarde. Roque a chama de “a escolha do pequeno e do maior”. Com muita descontração, os participantes, em troca de duas cervejas, são apalpados por duas garotas que circulam perante os sofás com uma lanterna na mão para eleger os maiores e menores pênis dentre os participantes.
Com a lotação maior, começa a terceira apresentação da noite. Através de uma pequena representação teatral, onde os “atores” são uma das garotas que faz programa e um solteiro que participava pela primeira vez naquela noite. A “peça” encenada na frente dos casais foi ensaiada verbalmente no hall de entrada. O “ator” representou um bêbado, enquanto que a “atriz” representava uma prostituta. O desfecho foi uma cena de sexo explícito, no meio do salão, a dois metros dos sofás onde estavam os casais.
A quarta brincadeira teve participação de praticamente todos os casais. A “dança da vassoura” ocorreu ao som de forró. A natureza da brincadeira consiste em uma troca constante entre os pares dançantes em substituição a uma vassoura. Duas músicas seguidas e os casais já estão prontos para acessar o andar superior onde ocorrem as “atrações sexuais”.

***
O que mais me marcou nessa experiência, nesse mundo da troca de casais foi que todas as pessoas que lá estavam eram pessoas comuns. Senhoras e senhores trabalhadores. Nenhuma gostosa estupenda, nenhum garanhão alado. Poderiam ser meus pais, meus tios, meus amigos. Não nego uma ponta de decepção após essa constatação. Bem, quem mandou eu imaginar um mundo fantasioso vivido por pessoas saradas?
Relativizar é um grande desafio na nossa sociedade preconceituosa e hipócrita. Achei os 9,5 uma nota excepcional, mas preferi os comentários da banca e dos meus colegas. Não tenho dúvida, que aquele aluno fraquinho que eu fui, fez um bom trabalho enquanto era tempo, comprovando que pessoas podem viajar para outros lugares em busca de sexo com pessoas que viajaram em busca de sexo, sem que haja exploração sexual ou exploração infantil. A teoria está equivocada.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

o fórum

Venho por meio desta... propor um fórum nacional para estipular algumas regras de convívio, aproximação e outras de cunho sexual entre homens e mulheres.
Acontece que tenho lido alguns blogs escritos por mulheres. Na verdade sempre li o que mulheres escrevem, porém ultimamente tenho notado que as Marthas Medeiros mirins estão confusas, deitando nos divãs da escrita, tanto quanto nós homens estamos há muito tempo, em virtude da revolução feminina que nos assola desde a invenção do anticoncepcional.
Proponho um encontro com várias lideranças, ou não, homens e mulheres que possam escrever uma Carta, um Acordo para o bem comum. Pensei em Fernando de Noronha, o que acham? Mas topo qualquer outro lugar paradisíaco do nosso litoral.
Deveremos nos manter sóbrios durante os debates, até a formulação do Acordo de Noronha. Isso deve demorar uns dois dias, no máximo. Depois, precisamos de umas duas semanas de convívio intenso (festas, fodas e eventos sociais). O período do encontro deve ser suficiente para que enfrentemos algumas turbulências (TPM's) em conjunto.
Os principais debates devem girar em torno do estabelecimento de regras que definam os limites (até onde ir, o que significa convidar para jantar, apresentar a família), que padronizem gestuais (braços cruzado, cotovelo na mesa, mãos no bolso, coçada no saco) e vestimentas (mini-saias, calcinhas vermelhas). Nos dias atuais, nós homens não sabemos nossos limites, até onde podemos ir, se uma guria está ou não dando bola.
Vou explicar aos mais novos como era mais fácil no passado: os homens ficavam num canto do salão, as mulheres noutro, os homens tiravam a mulher para dançar, eles conversavam, se houvesse afinidade eles se conheciam melhor, depois namoravam, depois noivavam, depois casavam e finalmente trepavam. As variações existiam, mas com o passar do tempo modificaram-se bastante, a ponto deses dias o Roger comer uma desconhecida que após o sexo continuou uma desconhecida, pode isso? Os relacionamentos estão embaralhados de vez.
Em churrascos de amigos, nos perguntamos o que leva uma moça a passar horas se produzindo, arrumando penteados, passando pós e cremes cheirosos, calçando saltos desconfortáveis e enfiando calcinhas minúsculas e também desconfortáveis para simplesmente desfilar em uma festa.
Mulheres se vestem mesmo para mulheres? Por que não olham nos olhos, por que não correspondem a investidas? Passar a mão no cabelo quer dizer alguma coisa? Mulheres podem tomar a iniciativa? Devem tomar a iniciativa? Por isso esse fórum é de grande valia. Precisamos entendê-las antes que o mundo vire gay de vez. Precisamos de uma verba para organizar esse evento. Será que o Bolsonaro consegue essa verba pra nós?

segunda-feira, 23 de maio de 2011

desperdício extraordinário


A capacidade humana de não se sustentar me surpreende. Tudo conspira em direção ao final dos tempos, se depender de nós mesmos. As sociedades em geral, com raríssimas exceções, e o Japão é uma delas, não são capazes de manter-se por muitos anos. Se você colocar um ser humano dentro de um terreno com 300m², ele não deverá sobreviver por muito tempo.
O premiado documentário Lixo Extraordinário, do artista Vik Muniz (foto abaixo), fala disso, sobretudo. Também fala de arte, também fala de inclusão social e também fala da realidade brasileira.

Porém, o tapa na cara da nossa sociedade consumista dói. Somos uma sociedade “descartista”, do PVC, da sacola plástica, que não separa lixo, que usa impressora ao invés do escâner (sim!, essa palavra existe em português). E poucos fazem alguma coisa para mudar isso. Tratamos todo lixo como lixo rejeito (que não pode ser tratado ou reciclado). Cidades inteiras não reciclam seu lixo. Aliás, o lixo e a coleta seletiva sequer são citados em campanhas eleitorais municipais. De certo, são assuntos de pequena importância nos debates eleitoreiros (sic). Salve! Salve!, após tramitar por 20 anos no Congresso Nacional, ano passado foi instituída a lei 12305/10, que criou a PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos). A PNRS define princípios, conceitos, instrumentos e diretrizes para gestão dos resíduos sólidos, responsabiliza empresas pelo recolhimento de produtos descartáveis (logística inversa), incluí municípios e sociedade em geral.
Voltando a sétima arte, no documentário, fica evidente que é mais fácil trocar uma cadeira de praia, que custa pouco sim, do que mandar arrumar uma antiga. Por isso fui motivo de piadas quando arrumei a minha velha cadeira de praia.
De fato, como tudo é feito para ser descartado, os preços se assemelham. Economizei apenas cinco reais, mas dormi tranqüilo. Cabe a nós, a mudança de atitude. Acredito que ela já tenha começado.

salva de um lixão, rumo a eternidade...



***

Infelizmente, o filme não circulou pelos cinemas das cidades do interior. Espero que circule pelas escolas.
http://www.lixoextraordinario.net/

quarta-feira, 18 de maio de 2011

errar é humano

Para os que não lêem jornal por preguiça, desinteresse ou falta de tempo, lhes aviso que o tema do momento é - passada a morte do ex soldado americano Bin Laden - Antônio Palocci, o Ministro todo-poderoso da Casa Civil. Discute-se no Brasil se deve-se ou não, investigar o seu enriquecimento, no mínimo suspeito. Para quem não sabe, seu patrimônio “vinteplicou”. Veja bem, o cara tinha uma moeda de 1 real e quatro anos depois passou a ter 20 reais. Parece fácil, mas estamos falando de valores bem maiores.
Posso garantir que se procurem algo, alguma coisa vão achar. Talvez não o que procuram, mas outras coisas com certeza. Certa vez li algo que duvidei: pesquisadores de Massachusetts, ou do raio-que-o-parta, afirmaram veementemente que todos nós já cometemos alguma infração. Devo ter lido isso lá pelos meus 12 anos, e pensei: filhos-d’uma-puta! Os pesquisadores descobriram que bato punheta no banho. De fato, era meu único ato “ilícito” até então. Cresci com aquilo me perturbando. Será que todos nós, em algum momento, somos infratores? Transgressores? Violamos regras de quando em vez? Eu, tudo bem. Mas, a freira ali da igreja também? E não me refiro as leis divinas, e sim as leis do homem.
Tive certeza que todos nós somos infratores quando descobri que se um motorista tira o carro da garagem sem o cinto de segurança, ele é um infrator. Sabiam? Agora me digam, quem tira o carro da garagem com o cinto devidamente fixado? Qual motorista nunca aproveitou sinal amarelo de um semáforo? Quem para o carro numa placa de PARE?Quem vê uma nota de 50 reais no chão e a deixa no chão, afinal ela não é sua? Quem avisa que a garçonete não anotou o refrigerante na comanda? Qual pai não disse para o filho mentir que tinha 8 anos para não pagar o ônibus e pular a catraca? Quem nunca baixou um filme pela internet? Uma mera música? Quem nunca colou numa prova?
A lei é clara e ainda calcula a sua gravidade. Não há inocentes. Todos nós somos infratores, todos erramos, apenas alguns não são descobertos. Não há hombridade em julgar alguém que faz um “gato” para economizar luz, enquanto sonega o imposto de renda. Deixemos de cuspir para cima. Os pseudos pesquisadores tinham razão. Ninguém passa imune durante uma vida inteira. Mas, confesso, acho que o Palocci está bem enrolado.



segunda-feira, 16 de maio de 2011

presente divino

Quando o Roger voltava pra casa, caminhando e assoviando, foi abordado por uma senhora. Ela encostou a caminhonete importada, baixou o vidro e fez o convite, num tom sedutor:
- Oi. Quer dar uma volta?
A reação de qualquer homem numa situação dessas é imprevisível, diante do ineditismo. As pernas dele tremeram, o coração disparou, a mão ficou suada. Aproximou-se para verificar o que havia de errado com a mulher. Aproximou-se e ela foi ficando cada vez mais linda. Pôs a cabeça quase dentro do automóvel que cheirava a novo. Deparou-se com uma mulher com aproximadamente quarenta anos, loira, seios siliconados, jeitosamente cobertos por um vestido preto decotado. O vestido não cobria os joelhos, muuuuito pelo contrário. Parecia um cinto largo, que mal cobria a calcinha. As coxas bronzeadas reluziam. Bronzeamento artificial tem seus méritos no inverno gaúcho. O bronzeado só não reluzia mais do que as jóias caras que decoravam aquele belo exemplar do sexo oposto. Na mão esquerda, uma também reluzente aliança denunciando o matrimônio. Definitivamente não tratava-se de um travesti.
Foram menos de trinta segundos, que forçaram uma resposta imediata por parte do acuado rapaz, e da insistência da loira:
- Vamos ou não vamos?
Roger precisava de mais tempo. Não para decidir, e sim para acreditar. Então, agiu feito um idiota ganhando tempo:
- Eu?
Claro que era, besta!. Não havia mais ninguém ali, as três da matina. Estava agindo feito um covarde. Pensou que poderia ser um assalto, mas logo pensou que nem sangrando teria mais do que dez reais na carteira e mais do que trinta pila do cheque especial no banco. Afastou a possibilidade de assalto ou seqüestro relâmpago. Correu o olho pelo banco traseiro, receoso de que houvesse um homem que pudesse judiá-lo. Não havia. Pensou em olhar para cima e ter um lero-lero com o Cara aquele. Que dádiva divina era aquela! Seria uma tentativa desesperada de Deus para que ele fizesse a primeira comunhão? Depois perguntou:
- Volta onde?
- Para o meu apartamento. Quero sexo. Sexo casual! - frisou.
Era uma pegadinha. Aguardou pela chegada do Ivolanda ou do Malandro. Imaginou-se na televisão, servindo de piada a todo Brasil. Cadê a Van com as câmeras? Ué, não havia nenhum carro na rua. Algo estava, estranhamente, muito perfeito para ser verdade. Sempre pediu para que isso acontecesse. Sempre desejou o improvável, e o improvável estava acontecendo. Sexo fácil, objetivo, sem nomes, derrubando regras, mitigando barreiras.
Pensou que poderia agir com maturidade e com a grandeza de um homem correto, que segue uma linha correta da família e dos princípios morais, negando a carona e o sexo com a coroa gostosa. Não precisava disso, não teria graça. Mas, logo percebeu que seu pensamento era falso como uma nota de trinta reais, já que não seguia linha correta coisa nenhuma, sequer tinha princípios, meios e fins. Jamais negaria a carona.
- Você é casada?
- Importa? - incomodou-se ela.
Era sexo casual, o mesmo que fizera tantas vezes com moças que ofereceu carona. A diferença, dessa vez, era que o objeto havia mudado de gênero. Iria aceitar e entregar-se àquela mulher cheirosa, cujo cheiro teimava em sair pela janela, aquecido pelo ar condicionado. Quando preparou-se para dizer sim, surge um outro rapaz na esquina a frente. Passos firmes, mais alto, mais arrumado, menos barrigudo. A mulher não se despediu do objeto. Engatou a primeira e em dois segundos abordou o outro rapaz, que apagou o cigarro que fumava e entrou decididamente no carro importado que logo desaparecia no horizonte.
Desde então Roger anda cabisbaixo. Encontro com ele de quando em vez, indo e vindo do psicólogo. Depois disso, somente deseja aquilo que está preparado o suficiente para fazer.








domingo, 8 de maio de 2011

o elo perdido, digo, encontrado

Durante minha vida pude me deparar com alguns mistérios insolúveis, mitos incríveis e outras tantas histórias que, por vezes, pareciam fruto de uma mente insana. Verdade!
Mas foi na faculdade, sempre na faculdade, que me deparei com um dos maiores mistérios do mundo, algo que durante quase um década assolou a mim e meu colegas, doravante denominados como “A diretoria”.
Pois bem, numa bela noite na faculdade de turismo, na Barroso ainda, lembram?... surge aquela figura incomum, fala grossa, cara de colono e cabelinho de hippie...Naturalmente despertou curiosidade e em seguida questionamentos, até aí tudo estava indo bem, perguntavasse o nome, a idade, se era viado, virgem, etc e o assustado alemãonzinho respondia com sua voz de locutor, por vezes intelegível. Eis que surge a pergunta fatal...algum inoportuno, que no momento não recordo quem foi, mas irei convencionar como sendo o Ronaldo que era quem sempre fazia merda, perguntou: De onde tu és???? Putz! E agora, caiu a casa, o alemãozinho ficou mais branco, mais nervoso e mais desconsertado que já estava, mas não teve como fugir e a resposta veio: De Vanini!!! A atmosfera agora tensa foi cruzada por olhares incrédulos, o silêncio tomou conta daquele lugar até que foi definitivamente rompido com uma gargalhada seguida de outras mais e logo das perguntas: Onde fica isso? Existe mesmo?? Tu tá brincando???
O coitado do alemão acuado e sem provas que sustentassem a blasfêmia proferida contentou-se apenas em rebater dizendo: Existe sim!!!! Coitado, o que faz uma mente doentia... e na época nem existia o crack ainda...!!!!
O tempo foi passando e o alemãozinho, que na verdade era italiano e se chamava Felipe, foi ganhando a confiança da diretoria e a admiração das gurias...Já era agora um ser civilizado, sabia beber e não precisava voltar pra casa antes das 22horas...que evolução!!!
Tudo já havia ficado no passado e ninguém lembrava mais dos delírios da época de insanidade, Vanini era uma alucinação que não o atormentava mais....era o que pensávamos!!! Um dia o coitado teve um outro surto, desta vez intenso. Apontou para um grande mapa do glorioso estado do Rio Grande do Sul e afirmou: Vou mostrar pra vocês onde está Vanini!!! Todos impressionados pararam o que estavam fazendo e vieram ver de perto, seria possível que aquele louco poderia ter afinal algum lapso de sanidade??? Poderia realmente existir uma cidade ou mesmo um povoado chamado Vanini??
Infelizmente não, após alguns minutos desconsertantes de busca no mapa o coitado do Felipe não encontrou nada, nada, nada mesmo. Confesso que tive pena, por um instante achei realmente que tal lugar existisse.
Uma década depois estou eu nas minhas andanças sem fim pelo glorioso Estado do Rio Grande do Sul quando me deparo com uma placa onde dizia: Casca a tantos quilômetros....Casca??? humm..esse nome??!! De onde??....De repente um estalo...Felipe!!! Sim o alemãozinho em vários de seus delírios mencionava a tal cidade de Casca com sendo próxima à imaginária Vanini....seria possível!!!??? Olho no relógio, o tempo esta estourado...azar, talvez nunca mais tenha a oportunidade. Dei meia volta e entrei na tal cidadezinha, olho um senhor andando pela calçada e pergunto: O sr. conhece Vanini???? O vellhinho dá um sorriso, chega bem próximo ao meu ouvido e sussura: Moço, meu avô contava um história sobre essa tal Vanini, mas eu pessoalmente nunca vi, siga por aquela estrada alí ó, quem sabe o senhor ache. E agora pensei eu, me meter numa estrada que leva sei lá onde....azar vamos ver aonde vai dar. Segui pela estrada com pressa, pressa demais até, uns vinte quilômetros depois já estava pensando em desistir, de repente uma placa: Bem vindo a.....Porra a o quê, dei uma volta abrupta quase um cavalo-de-pau e retornei...as mãos trêmulas, um frio na espinha, a palpitação crescia enquanto a cabeça fazia um rápido feedback de toda minha vida...Parei o carro, mas me faltava coragem para olhar.....respirei fundo, juntei coragem e olhei....!!! dizia: BEM VINDO À VANINI!!
Morram homens de pouca fé, incrédulos em geral e céticos de plantão, a verdade veio à tona...!!! Te cuida Steve Jobs, o mundo nunca mais será o mesmo. Já estou vendo ordas de turistas chegando do mundo tudo, adesivos nos carros “eu estive em Vanini”, eu sendo entrevistado pela National Geographic, o descobridor de Vanini!!! Vou escrever um livro contando a saga deste que foi o achado arqueológico do século....
Vanini existe sim e eu estive lá!

Brincadeiras a parte! Meu grande abraço ao simpático e amigável povo de Vanini, uma bonita, impecável e organizada cidadezinha do interior Gaúcho, mais um recanto perdido neste glorioso estado do Rio Grande do Sul!

***

Essa história foi enviada pelo amigo e tio Ike (hashashdahshe), que aprendeu muito sobre arqueologia viajando com o professor Fábio...








sábado, 7 de maio de 2011

click

Estou com problemas. Bom, talvez isso não seja novidade para quem convive comigo. Mas, desta vez, estou com problemas mais complexos. Já havia percebido que eu estava diferente. Costumo ficar assim no início do inverno, porém nesse inverno meus problemas estão mais intensos. Percebi isso hoje, enquanto assistia (de novo) ao filme Click.
O filme tem cinco partes engraçadas, descontraídas. E uma triste, agoniante. Meus olhos marejaram em uma engraçada. E chorei copiosamente na triste. Uma sensibilidade quase gay.
Acontece que gosto do filme. O filme tem uma mensagem, que talvez passe imperceptível às pessoas. Acho que todo mundo viu o filme, né? O cara consegue um controle remoto mágico onde pode avançar ou retroagir no tempo e tal, lembram? Pois a mensagem implícita está na forma como aproveitamos o nosso tempo. No filme, o personagem avança no tempo, e em determinado momento, o controle remoto avança o tempo por conta própria, para agonia do personagem. A vida ocorre sem problemas, sem dificuldades, sem discussões.
Aí me bate o desespero. Não tenho controle remoto nenhum, e o tempo parece avançar num apertar de botões. Tenho a impressão que não aproveitei meus avós, meus pais, meus afilhados, minha família, meus amigos e minha infância. Ontem, tentava me lembrar de alguma história divertida da minha infância ou adolescência e não lembrei. Talvez por fazer muito tempo, é verdade. Mas, ainda tenho boa memória. Espero não ser o único a ter essa sensação. A sensação que o tempo voa. A impressão que não vivi o suficiente para ter vivido por 30(!) anos. Pode ser uma crise existencial de um trintão, pode sim. Mas como explicar que já sentia isso ano passado ou retrasado? Será que passei muito tempo embriagado e não aproveitei a vida? Será que vivemos intensamente o suficiente para morrermos satisfeitos? Eu ainda não posso morrer ainda.
Estou me sentindo uma Lya Luft. Detesto ler a Lya Luft. O que me consola é escrever aqui e economizar com a terapia. Se tivesse um controle remoto apertaria o slow motion.

terça-feira, 3 de maio de 2011

a exibicionista

Quando ela pôs o pé esquerdo no painel do carro, ele correu os olhos, começando pelo sapato de salto alto na cor vermelha, passando pelas canelas grossas, joelho, chegando nas coxas roliças. Foi quando percebeu que o pé direito já estava posicionado no outro lado do painel, com a coxa encostada junto a porta do veículo. Os seios destapados estavam soltos, já que as alças do vestido preto haviam sido deslocadas dos ombros em direção aos braços. As mãos estavam no meio das pernas. Uma arredava a calcinha, e a outra acariciava o clitóris.
Por sorte não bateu o carro contra os postes. Por sorte os motoristas dos outros carros não colidiram entre si. Sorte tiveram os passageiros do ônibus, homens e mulheres, que ficaram abismados com a cena. Um rapaz sacou o celular e conseguiu bater algumas fotos, enquanto o ônibus era ultrapassado.
Ele já não sabia se ajudava na masturbação dela, ou na sua mesmo, ou então se dirigia em direção ao motel. Faltaram mãos, sobrou tesão. Principalmente quando ela arrancou a calcinha e jogou no banco traseiro. O sulco vaginal escorria pelo banco do carro. O cheiro do sexo exalava no interior do veículo. Ainda faltariam quinze minutos até o motel.
Ela debruçou-se sobre o seu colo e começou um sexo oral. Ele evitava acidentes, bem como procurava manter os olhos abertos. A bem da verdade, as buzinas dos outros veículos que transitavam nas outras pistas o mantinham acordado. Após deixá-lo completamente melado com sua saliva, ela escorou-se na porta do passageiro, abriu as pernas em direção ao desconcentrado motorista e pôs a dedilhar seu sexo. Maliciosamente, roçou um salto no seu pau, enquanto mordia o canto da boca.
O veículo transitava bem abaixo da velocidade e estava sendo ultrapassado constantemente. Sem condições de continuar dirigindo, ele encontrou uma entrada de uma estrada de chão. Encostou o automóvel, e mesmo com a transparência dos vidros, mesmo com o sol a pino, jogou-se de boca no meio das pernas da moça, enquanto livrava-se da calça e calçados. Então, deitou o banco do passageiro, a colocou de bruços e a penetrou ali mesmo, enquanto observavam pelo vidro traseiro os veículos que transitavam pela rodovia. Não foram ao motel. O tesão não permitiu que chegassem lá. Gozaram ali mesmo, exibindo-se à beira da estrada, para surpresa de quem por ali passava.