- Sim, eu aceito!
Foi essa frase que mudou a vida do Roger. Depois que disse o temido “sim” em cima do altar,na frente do padre, sabia que daria por encerrada as noitadas e as fanfarras que havia vivido intensamente. Surubas então, jamais. Pensou muito pouco antes de casar, já que sempre que havia pensado, acabava ficando solteiro. Anos solteiro e iria casar com uma mulher que conhecia há poucos dias. Conheceu a esposa num dia, teve dificuldades de chegar aos “finalmentes“, mas no outro dia estava noivo, prometendo casamento. E acabaram marcando a data dias depois, sem muitas delongas. Afinal, era uma mulher bem linda, bastante inteligente, bem humorada, bem sucedida. Diante de tantos ‘bens’, pediu a sua mão em casamento, depois da primeira taça de vinho branco seco, durante um jantar na casa dos pais dela.
Esse momento não foi planejado. O período que seguiu foi difícil. As poucos as pessoas iam recebendo os convites. O seu Facebook recebeu mais acessos que esse blog. Bem, isso não conta. Os amigos riam, debochavam, incrédulos que estavam. Dizem que todos os convidados do Roger exclamam um sonoro “Não a-cre-di-to!”, quando abriam o convite. Era um caso perdido. O casamento seria um milagre. Até que o padre grisalho perguntou se ele aceitava na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza:
- Sim, eu aceito.
Foi o que pensava enquanto levava a sogra de carro ao hospital meses depois. É preciso que se diga que Roger foi fiel na lua de mel. Depois da lua de mel fracassou uma vez. Ficou envergonhado, não conseguiu dormir a noite. Depois caiu em tentação de novo, mas aí dormiu feito um bezerro bem alimentado. Nunca mais perdeu o sono. Nunca mais perdeu uma oportunidade. Nunca mais foi fiel. Tinha sido assim na noite anterior. E agora pela manhã, a mulher viajando a trabalho, o sogro jaz no cemitério e a sogra prestes a morrer no banco traseiro. Mal conseguia manter-se acordado e, bastante embriagado, ainda teria que dirigir até o hospital com a sogra, que a esta altura gemia de dor.
Entre uma ultrapassagem e outra lembrava da negra linda que havia traçado naquela noite. Pensava que tinha que conhecer mais negras, frequentar mais ensaios da General Telles. Foi quando teve de frear bruscamente, para desespero da sogra enferma, que grunhia de dor. Na freada, percebeu que um calçado rolou no assoalho do carro. Olhou embaixo do banco do carona e viu um par de sandálias pretas.
- Putz! - rosnou batendo com a mão na testa.
- O que foi? - perguntou a sogra.
- Nada não sogrinha. Estamos chegando...
A negra exuberante havia esquecido as sandálias, pensou. Disfarçadamente, agachou-se, esticou o braço, catou o par de sandálias e não teve dúvidas. Abriu a janela e jogou na estrada.
- Chegamos! Vou conseguir uma maca pra senhora. - disse o Roger.
Quando voltou com dois enfermeiros e uma maca a sogra perguntou:
- Ô Roger! Tu não viu minhas sandálias? Tenho certeza que vim com elas.
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sábado, 12 de março de 2011
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
a filha da dona do puteiro
Um puteiro é uma espécie de local sagrado para alguns homens. O fato de ser um local onde as pessoas vão em busca de sexo é um dos fatores. A profissão prostituta, em si, causa um certo alvoroço, afinal é a, dita, mais antiga do mundo. As luzes, o cheiro, a fumaça, as músicas, tudo isso atrai uma série de homens, na sua maioria casados. Mas, os solteiros também vão. Na pior das hipóteses, um puteiro mexe com a economia, gera empregos, distribui riquezas e tirando a exploração injusta ou exagerada ou o tráfico que pode existir, não causa mal a ninguém. Ainda sim, se causar, causa menos mal do que o Congresso Nacional.
Mas, o Roger não gosta de prostíbulos. É solteiro. Não precisa esconder-se numa casa de prostituição. Tampouco tem dinheiro para pagar doses cujas moçoilas pedem insistentemente. Muito menos para pagar por sexo, ainda mais hoje em dia, onde só paga por sexo quem quer. Sempre disse que se tivesse dinheiro sobrando pagaria. Mas, pagaria por uma mulher alta. Bem alta. Daquelas que não se encontra por aí. E quando se encontra, não olham para baixinhos que nem ele. Não pagaria por uma mulher baixa. Já transou com mulheres baixas.
Mas, acompanha os amigos em puteiros. Quase todos gostam, quase todos casados. Não podem ir a festas, então preferem os puteiros. Mas, não paga doses. Bebe sua cerveja apenas. Num dia desse foram. A dona não estava. Foram recepcionados pela filha da dona:
- A mãe não pode vir. Pediu pra eu receber vocês aqui. As meninas já estão chegando. Podem ficar a vontade. - disse.
Era uma gata! Linda! Morena jambo, aparelho nos dentes. Tinha 19 aninhos. Não fazia programa, o que a deixou muito mais interessante. Simpática, fala macia.
Entrou, mas queria ter ficado ali, na porta, ouvindo as explicações.
- A mãe está de cama. Adoentada...
Esperou cada amigo arranjar uma mulher pra dançar. Cada um deles pagando uma dose absurdamente cara. Impaciente, cuidava o movimento nos bastidores do recinto. A única mulher séria, que não pediria dose estava lá dentro. Após algumas cervejas, foi até ela:
- Tua mãe não vem mesmo?
- Não. Não tava bem. - disse docemente.
- Que pena. Gostamos tanto dela. - disse ele, que já a conhecia.
- Quer ir lá em casa? Te levo lá.
- Capaz. Não vou incomodá-la.
- Imagina. Ela vai adorar te ver. É perto daqui. Te levo na caminhonete.
- Não. Vamos no meu carro então.
- Deixa que eu te levo. A caminhonete ta aqui na frente. E você já bebeu um pouco. Eu te levo.
Foram. Conversas triviais. Ele tentava parecer sóbrio. Não conseguiu. Ela foi simpática. Tinha boa conversa. Realmente era perto. Quando chegaram, ela desceu do carro. Ele ficou desenrolando a língua.
- Brrrrrrrrruu! Trrrrrrrrra! Prrrrrrrre! Labalalabalabla!
Não conseguiu. Tinha que falar alguma coisa, teria de ser simpático. Entrou. O filho da dona do puteiro tomava banho. Na sala, um amigo o esperava. A filha da dona do puteiro, o levou até o quarto. Lá estava a dona, deitada, assistindo um dessas novelas que todas as senhoras dignas assistem na Rede Globo.
- Olha só quem veio me visitar! - disse ela, demonstrando contentamento com a visita inesperada.
- Pois é! Já que a senhora não pode ir lá, eu vim até aqui saber notícias suas. - disse o bêbado Roger. - Na verdade, vim aqui por dois motivos: pra ver a senhora e pra pedir a mão da sua filha em casamento.
A filha da dona, que estava sentada ao pé da cama, envergonhada saiu do quarto. Foi a primeira vez em que Roger pensou em ter uma sogra assim. Seria diferente das outras que já teve. Roger não é dado a conversas, mas quando é necessário sabe ser simpático. Tratou de arranjar assuntos para mais conversas triviais. E ele odiava conversas triviais. Mas, era sua futura sogra. Tinha de ser simpático, querido.
Retornaram a zona do metrício. No caminho, mais conversar triviais. Tudo pra pegar a filha da dona do puteiro. E sem fazer distribuição de renda por meio de doses. Foi a única vez que pegou alguma mulher num puteiro. Também foi a última. E estava realizado, pois justamente havia pego a filha da dona do prostíbulo.
Mas, o Roger não gosta de prostíbulos. É solteiro. Não precisa esconder-se numa casa de prostituição. Tampouco tem dinheiro para pagar doses cujas moçoilas pedem insistentemente. Muito menos para pagar por sexo, ainda mais hoje em dia, onde só paga por sexo quem quer. Sempre disse que se tivesse dinheiro sobrando pagaria. Mas, pagaria por uma mulher alta. Bem alta. Daquelas que não se encontra por aí. E quando se encontra, não olham para baixinhos que nem ele. Não pagaria por uma mulher baixa. Já transou com mulheres baixas.
Mas, acompanha os amigos em puteiros. Quase todos gostam, quase todos casados. Não podem ir a festas, então preferem os puteiros. Mas, não paga doses. Bebe sua cerveja apenas. Num dia desse foram. A dona não estava. Foram recepcionados pela filha da dona:
- A mãe não pode vir. Pediu pra eu receber vocês aqui. As meninas já estão chegando. Podem ficar a vontade. - disse.
Era uma gata! Linda! Morena jambo, aparelho nos dentes. Tinha 19 aninhos. Não fazia programa, o que a deixou muito mais interessante. Simpática, fala macia.
Entrou, mas queria ter ficado ali, na porta, ouvindo as explicações.
- A mãe está de cama. Adoentada...
Esperou cada amigo arranjar uma mulher pra dançar. Cada um deles pagando uma dose absurdamente cara. Impaciente, cuidava o movimento nos bastidores do recinto. A única mulher séria, que não pediria dose estava lá dentro. Após algumas cervejas, foi até ela:
- Tua mãe não vem mesmo?
- Não. Não tava bem. - disse docemente.
- Que pena. Gostamos tanto dela. - disse ele, que já a conhecia.
- Quer ir lá em casa? Te levo lá.
- Capaz. Não vou incomodá-la.
- Imagina. Ela vai adorar te ver. É perto daqui. Te levo na caminhonete.
- Não. Vamos no meu carro então.
- Deixa que eu te levo. A caminhonete ta aqui na frente. E você já bebeu um pouco. Eu te levo.
Foram. Conversas triviais. Ele tentava parecer sóbrio. Não conseguiu. Ela foi simpática. Tinha boa conversa. Realmente era perto. Quando chegaram, ela desceu do carro. Ele ficou desenrolando a língua.
- Brrrrrrrrruu! Trrrrrrrrra! Prrrrrrrre! Labalalabalabla!
Não conseguiu. Tinha que falar alguma coisa, teria de ser simpático. Entrou. O filho da dona do puteiro tomava banho. Na sala, um amigo o esperava. A filha da dona do puteiro, o levou até o quarto. Lá estava a dona, deitada, assistindo um dessas novelas que todas as senhoras dignas assistem na Rede Globo.
- Olha só quem veio me visitar! - disse ela, demonstrando contentamento com a visita inesperada.
- Pois é! Já que a senhora não pode ir lá, eu vim até aqui saber notícias suas. - disse o bêbado Roger. - Na verdade, vim aqui por dois motivos: pra ver a senhora e pra pedir a mão da sua filha em casamento.
A filha da dona, que estava sentada ao pé da cama, envergonhada saiu do quarto. Foi a primeira vez em que Roger pensou em ter uma sogra assim. Seria diferente das outras que já teve. Roger não é dado a conversas, mas quando é necessário sabe ser simpático. Tratou de arranjar assuntos para mais conversas triviais. E ele odiava conversas triviais. Mas, era sua futura sogra. Tinha de ser simpático, querido.
Retornaram a zona do metrício. No caminho, mais conversar triviais. Tudo pra pegar a filha da dona do puteiro. E sem fazer distribuição de renda por meio de doses. Foi a única vez que pegou alguma mulher num puteiro. Também foi a última. E estava realizado, pois justamente havia pego a filha da dona do prostíbulo.
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