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domingo, 8 de maio de 2011

o elo perdido, digo, encontrado

Durante minha vida pude me deparar com alguns mistérios insolúveis, mitos incríveis e outras tantas histórias que, por vezes, pareciam fruto de uma mente insana. Verdade!
Mas foi na faculdade, sempre na faculdade, que me deparei com um dos maiores mistérios do mundo, algo que durante quase um década assolou a mim e meu colegas, doravante denominados como “A diretoria”.
Pois bem, numa bela noite na faculdade de turismo, na Barroso ainda, lembram?... surge aquela figura incomum, fala grossa, cara de colono e cabelinho de hippie...Naturalmente despertou curiosidade e em seguida questionamentos, até aí tudo estava indo bem, perguntavasse o nome, a idade, se era viado, virgem, etc e o assustado alemãonzinho respondia com sua voz de locutor, por vezes intelegível. Eis que surge a pergunta fatal...algum inoportuno, que no momento não recordo quem foi, mas irei convencionar como sendo o Ronaldo que era quem sempre fazia merda, perguntou: De onde tu és???? Putz! E agora, caiu a casa, o alemãozinho ficou mais branco, mais nervoso e mais desconsertado que já estava, mas não teve como fugir e a resposta veio: De Vanini!!! A atmosfera agora tensa foi cruzada por olhares incrédulos, o silêncio tomou conta daquele lugar até que foi definitivamente rompido com uma gargalhada seguida de outras mais e logo das perguntas: Onde fica isso? Existe mesmo?? Tu tá brincando???
O coitado do alemão acuado e sem provas que sustentassem a blasfêmia proferida contentou-se apenas em rebater dizendo: Existe sim!!!! Coitado, o que faz uma mente doentia... e na época nem existia o crack ainda...!!!!
O tempo foi passando e o alemãozinho, que na verdade era italiano e se chamava Felipe, foi ganhando a confiança da diretoria e a admiração das gurias...Já era agora um ser civilizado, sabia beber e não precisava voltar pra casa antes das 22horas...que evolução!!!
Tudo já havia ficado no passado e ninguém lembrava mais dos delírios da época de insanidade, Vanini era uma alucinação que não o atormentava mais....era o que pensávamos!!! Um dia o coitado teve um outro surto, desta vez intenso. Apontou para um grande mapa do glorioso estado do Rio Grande do Sul e afirmou: Vou mostrar pra vocês onde está Vanini!!! Todos impressionados pararam o que estavam fazendo e vieram ver de perto, seria possível que aquele louco poderia ter afinal algum lapso de sanidade??? Poderia realmente existir uma cidade ou mesmo um povoado chamado Vanini??
Infelizmente não, após alguns minutos desconsertantes de busca no mapa o coitado do Felipe não encontrou nada, nada, nada mesmo. Confesso que tive pena, por um instante achei realmente que tal lugar existisse.
Uma década depois estou eu nas minhas andanças sem fim pelo glorioso Estado do Rio Grande do Sul quando me deparo com uma placa onde dizia: Casca a tantos quilômetros....Casca??? humm..esse nome??!! De onde??....De repente um estalo...Felipe!!! Sim o alemãozinho em vários de seus delírios mencionava a tal cidade de Casca com sendo próxima à imaginária Vanini....seria possível!!!??? Olho no relógio, o tempo esta estourado...azar, talvez nunca mais tenha a oportunidade. Dei meia volta e entrei na tal cidadezinha, olho um senhor andando pela calçada e pergunto: O sr. conhece Vanini???? O vellhinho dá um sorriso, chega bem próximo ao meu ouvido e sussura: Moço, meu avô contava um história sobre essa tal Vanini, mas eu pessoalmente nunca vi, siga por aquela estrada alí ó, quem sabe o senhor ache. E agora pensei eu, me meter numa estrada que leva sei lá onde....azar vamos ver aonde vai dar. Segui pela estrada com pressa, pressa demais até, uns vinte quilômetros depois já estava pensando em desistir, de repente uma placa: Bem vindo a.....Porra a o quê, dei uma volta abrupta quase um cavalo-de-pau e retornei...as mãos trêmulas, um frio na espinha, a palpitação crescia enquanto a cabeça fazia um rápido feedback de toda minha vida...Parei o carro, mas me faltava coragem para olhar.....respirei fundo, juntei coragem e olhei....!!! dizia: BEM VINDO À VANINI!!
Morram homens de pouca fé, incrédulos em geral e céticos de plantão, a verdade veio à tona...!!! Te cuida Steve Jobs, o mundo nunca mais será o mesmo. Já estou vendo ordas de turistas chegando do mundo tudo, adesivos nos carros “eu estive em Vanini”, eu sendo entrevistado pela National Geographic, o descobridor de Vanini!!! Vou escrever um livro contando a saga deste que foi o achado arqueológico do século....
Vanini existe sim e eu estive lá!

Brincadeiras a parte! Meu grande abraço ao simpático e amigável povo de Vanini, uma bonita, impecável e organizada cidadezinha do interior Gaúcho, mais um recanto perdido neste glorioso estado do Rio Grande do Sul!

***

Essa história foi enviada pelo amigo e tio Ike (hashashdahshe), que aprendeu muito sobre arqueologia viajando com o professor Fábio...








quinta-feira, 7 de abril de 2011

turismo social

Quando retornava do Resort do Costão do Santinho, vinha lembrando das teorias que estudei na faculdade. Na faculdade, havia uma crítica dos teóricos ao que chamavam de “bolha turística”. A grosso modo, era uma crítica ao turismo que não engloba as comunidades no qual estão inseridas, quando não há uma interação dos atores envolvidos.
Exemplificando, trata-se de lugares como os resorts, onde o turista sequer tem contato com os nativos do local. Obviamente, não conta a relação profissional entre turistas e funcionários do hotel, que é uma relação meramente capitalista relacionada à força de trabalho, diga-se de passagem, sempre mal remunerada. É uma questão que norteou muitos trabalhos e avaliações no período de faculdade, mas que somente agora, por um acaso do destino, pude ter noção exata do que se trata.
De fato, um turista que se hospeda num resort não faz idéia da história do local em que está visitando, tampouco conhece a cultura local, a menos que saia a procurar, o que é improvável, pois isso não fica ao redor das piscinas.
O Resort que visitei, tem seus méritos, no que tange a questão. Há uma área de preservação ambiental e arqueológica, com destaque para as inscrições rupestres, feitas pelos manézinhos da ilha a 5.000 anos atrás. Também li que 98% dos dejetos são tratados, e que os resíduos são reciclados. Ademais, a empresa já recebeu certificados devido a sua gestão socioambiental. Mas, quem procura por essas informações? Até que ponto nós hóspedes estávamos realmente preocupados com isso? Se a sociedade está preocupada com as questões ambientais e culturais, por que sites que “vendem” o Resort não citam estas questões?
Evidentemente, ficar hospedado num lugar mágico como o Resort, que une a natureza com o luxo e a riqueza inventada pelo homem, nos faz esquecer os problemas, perder a noção de tempo e de todo o resto. Não havia preocupação com o trabalho, ou com a pobreza do nosso País, tampouco com os 2% de dejetos que estavam sendo lançados no oceano. Assim como o cocô, nossos problemas se diluíam num mar de felicidade em torno da piscina, dentro da banheira de hidromassagem ou numa das cinco quadras de tênis.
Mesmo que o lucro da empresa pese negativamente em nossa balança comercial em direção à Europa, mesmo que eu tenha passado um final de semana dentro de uma “bolha”, confesso: cedi às tentações do capitalismo selvagem, e tão logo fiz o check-out, percebi uma depressão me acompanhando de volta pra casa. Preferia ter ficado amarrado ao pé da cama King Size.

O autor é formado em Turismo, na Universidade Federal de Pelotas, mas a vida lhe deu uma rasteira e hoje é bancário/economiário. Se era para ganhar pouco, que fosse fazendo o bem para as pessoas e para si mesmo...