Já comentei com vocês que existem dois tipos de mulheres? Primeiro existem as gaúchas, que odeiam sunga, assim como odeiam pochete e programa de debate esportivo após a rodada do campeonato gaúcho. E existem todas as outras mulheres, que acham normal usar sunga na praia, tal qual elas usam biquinis e protetor solar.
Percebi isso quando fui motivo de deboche, dias atrás. Aconteceu que fui pra Bahia e usei sunga. Apareceu na foto. Pronto! Pelado não teria recebido tantas gargalhadas. Expliquei que é inconcebível que homens utilizem bermudões até o joelho no calor baiano. Em vão, ao léu. Era tarde. Isso que evitei fotos desse tipo no orkut, já que meu senso crítico havia reprovado a cena horrenda. Mas, mesmo nas pastas mais escondidas do meu computador, fui alvo de piadas infâmes.
O debate é pertinente, visto a chegada do verão. Tenho ido à praia dia sim, dia também. Saio do trabalho e troco de roupas com o carro em movimento, para não perder tempo. E todos os dias lamento não usar minha sunga, que usei apenas no nordeste. As virilhas suam, clamam por ar puro. Meu saco não compreende o porquê de tantos panos lhe agasalhando em sol a pleno. Já não bastam os pentelhos!, esbravejam. Então, sozinho, explico a eles que não estamos na Bahia, e que as gaúchas não me perdoariam se andasse de sunga a luz do dia.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
a lésbica
Algumas pessoas tem objetivos na vida. Alguns buscam algum tipo de graduação, uma profissão. Outros formar uma família, ter filhos. Comprar uma casa própria é o sonho de muitos também. O Roger não. Estabeleceu um objetivo: fazer uma lésbica se apaixonar por ele.
Gostava de desafios. Queria entender o porquê uma mulher pode não gostar de homens. Não que fosse um crítico das pessoas que gostam de mulher. Ele próprio, era um aficionado em mulheres, por que outras pessoas, até mesmo mulheres, não poderiam ser? Compreendia que gostar desses seres cheirosos era algo normal. Entendia que babar por um gingado dos quadris de uma mulher era aceitável. Aliás, ele até incentivava que suas parceiras gostassem de outras mulheres. A dificuldade de compreensão era entender a ojeriza delas aos homens. Ele até entendia que era complicado gostar de seres peludos, mal cheirosos e com o cérebro do tamanho de uma ervilha. Mas, as outras mulheres gostavam, ou aceitavam, ou apenas precisavam de um pau duro. Por que algumas não precisariam?
Visando decifrar esse mistério, deu início a operação “Angelina”, em homenagem a Jolie, bissexual assumida. Não bastava fazer uma bissexual se apaixonar por ele. Isso seria mais fácil, mais simples. Teria de ser uma lésbica. Fazer com que uma lésbica passasse a gostar sexualmente de homens, também. Elaborou um mapa, dos possíveis locais onde poderia encontrar uma lésbica. Passou a ser presença contumaz em festas GLS. Um simpatizante focado em mulheres que gostam de mulheres. Era assediado por bichonas, mas logo tratava de deixar claro suas intenções ali, nunca deixando de ser simpático. Precisava agradar aos que ali estavam, sem preconceitos. Qualquer preconceito poderia seria uma barreira intransponível.
Porém, foi na faculdade que ele encontrou a mulher perfeita, ou melhor, a lésbica perfeita. Linda, olhos claros, cabelo emo, uma calça justa que iniciava mostrando a ausência de bunda e acabava nos all tars. Seios do tamanho de uvas italianas. Desconfiou que ali estaria seu alvo. Porém, só teve certeza quando viu a moça do cabelo emo correndo os olhos nos seios e depois nas pernas na mais loira mais gostosa da faculdade.
Descobriu tudo sobre a moça. O curso que fazia, onde morava, idade. E obteve a confirmação da total falta de contato com o sexo oposto. Era virgem. Virgem de pau. Só tinha tido algumas relações com algumas mulheres. Quem contou isso foi uma amiga bissexual, que já havia traçado a magrinha emo. Morava sozinha, era de outra cidade. Mas, receosa da reação da família tinha na discrição um dever zeloso.
O que Roger não compreendia eram os motivos pelos quais algumas mulheres não gostam de homem. Tinha uma teoria, que logo fora descartada: “são mulheres que foram decepcionadas por seus pais. Pais que traíram suas mães, e elas, solidárias às progenitoras passavam a não se envolver com homens.” Depois criou outra, mais aceitável, mas com pouca fundamentação: “são mulheres que foram abusadas enquanto crianças. Ou vizinhos, ou parentes. Assim, não se envolvem com homens.” Os exemplos da vida real o desmentiam. “São doentes! Tem algum distúrbio”, berrou algum preconceituoso. “Isso tudo é culpa da Coca Cola”, disse um fanático, acreditando que na fórmula do refrigerante haja uma substância química que modifique o interesse sexual das pessoas. Blasfêmia!
Sem embasamento teórico ou científico, Roger tratou de fazer amizade com a moça que usava tênis all star. Tratou de assuntos amenos, sobre a faculdade. Noutro dia sobre o tempo. Teve uma vez que demonstrou preocupação com a moça, vinda do interior, longe dos pais, sem amigos. Ofereceu ajuda, “desde uma xícara de açúcar, até um chimarrão no Quadrado”, que era um tradicional ponto de convívio nos entardeceres da cidade. Ela sorriu, mas não respondeu. Percebendo que a saída era a insistência, Roger refez o convite e exigiu uma resposta oficial, com data e hora marcada. Ela aceitou, um tanto acuada.
O mais canalha de todos a levou à praia, onde conversaram uma tarde inteira. Como bons amigos, apenas. Foi quando ele pode mostrar o seu lado sensível, carinhoso, amigo. A deixou em casa, trocaram um beijo no rosto. E mais nada. No final da noite, enviou uma mensagem dizendo que “a tarde foi ótima”.
A paciência era uma arte a ser desenvolvida por aquele rapaz, sempre tão afoito. Foram seis meses de amizade e encontros amistosos. Sabia que um avanço indevido no sinal ou passo em falso, e teria seus interesses repreendidos ribanceira abaixo. Ligou no dia do aniversário. A levou num free shop, dizia em todos os encontros que seus cabelos estavam lindos, estivessem vermelhos, ou com mechas azuis ou verdes.
No sexto mês, o celular desperta, com um lembrete. Era o centésimo octogésimo dia. O dia do abate. Tratou de ligar para a amiga lésbica e pedir um pouco de atenção, um pouco de carinho, já que estava sofrendo por alguém. Ela aceitou de pronto. Nessas alturas, é bom que se diga, a moça já estava achando o Roger um cara gay, de tão sensível e meigo. Nunca havia visto um homem assim, tão mulher.
Ela o recebeu na sua casa. Ele fez aquela conversinha de adolescente, dizendo que estava afim de alguém, mas esse alguém não gostava dele e talicoisa. Ela se fez de desentendida, protelou ao máximo perguntar quem era, até que ele a olhou nos olhos e tascou um beijo.
Tinha planejado que treinaria um beijo menos agressivo, menos viril. Não queria que a moça se assustasse. Nada de enfiar a língua boca adentro. Nada de barba por fazer, já que isso a lembraria que ele era um homem. Treinou com algumas amigas a melhor forma de fazer sexo oral. Não poderia ser pior do que as outras haviam sido. Precisava ser a melhor chupada da vida dela. Nem sabia como fazer para penetrá-la, pois não lembrava mais como tirar uma virgindade de uma mulher.
Para sua surpresa, ela aceitou o beijo, e tratou de abrir a sua camisa, depois a calça. O deitou na sua cama de solteira, e fez um sexo oral de fazer inveja a mulheres que gostam e estão acostumadas com um pau. Não contente, levantou e tirou a sua camisa xadrez, mostrando seus seios pequeninos. Depois, com um esforço enercúmeno tirou a calça jeans, mostrando a sua falta de bunda, numa calcinha em forma de cueca, com o desenho do frajola. Abismado, Roger a deitou na cama e tentou colocar em prática aquilo que havia treinado com as suas amigas. Depois, quando lubrificada, ela sussurrou algo do tipo, “sou virgem, mas quero que você seja o primeiro”. Lisonjeado, com algum esforço desvirginou a moça ex lésbica. Depois, dormiram abraçados até o meio da madrugada, quando Roger acordou. Com algum esforço, demorou a perceber onde estava. Aquela foto da Madonna do quarto o remeteu de volta dos sonhos, a vida real. A moça ex lésbica estava abraçada em seu peito. Ele levantou o lençol e pode contemplar aquela beleza esguia, para voltar para casa orgulhoso de si mesmo.
O que Roger não havia planejado era o que aconteceria depois. Não encontrava a moça na faculdade, tampouco na internet. Ela não respondia suas chamadas. O que ele havia feito de errado? Será o sexo oral, um tanto quanto inferior aos das mulheres. Ou teria sido a dor da primeira vez, que a teria assustado? “Amor de pica é o que fica”, diziam. Mas, ela havia sumido.
A reencontrou duas semanas depois, na cadeira que cursavam juntos. Ela estava monossilábica. Roger o puxou pelo braço e procurou entender o que estava acontecendo. Ela foi taxativa:
- Estou apaixonada. Por uma mulher.
A princípio Roger pensou em propor um ménage. Adorava essas putarias. Mas, dessa vez, sentiu ciúme. Correu atrás, queria saber quem era. Ela disse que estava saindo com a loira mais gostosa da faculdade. E como consolo, disse que ele havia sido muito bom, mas que ele não passava de um bom amigo. Era tarde, Roger estava apaixonado pela moça magra, que voltou a ser lésbica.
Gostava de desafios. Queria entender o porquê uma mulher pode não gostar de homens. Não que fosse um crítico das pessoas que gostam de mulher. Ele próprio, era um aficionado em mulheres, por que outras pessoas, até mesmo mulheres, não poderiam ser? Compreendia que gostar desses seres cheirosos era algo normal. Entendia que babar por um gingado dos quadris de uma mulher era aceitável. Aliás, ele até incentivava que suas parceiras gostassem de outras mulheres. A dificuldade de compreensão era entender a ojeriza delas aos homens. Ele até entendia que era complicado gostar de seres peludos, mal cheirosos e com o cérebro do tamanho de uma ervilha. Mas, as outras mulheres gostavam, ou aceitavam, ou apenas precisavam de um pau duro. Por que algumas não precisariam?
Visando decifrar esse mistério, deu início a operação “Angelina”, em homenagem a Jolie, bissexual assumida. Não bastava fazer uma bissexual se apaixonar por ele. Isso seria mais fácil, mais simples. Teria de ser uma lésbica. Fazer com que uma lésbica passasse a gostar sexualmente de homens, também. Elaborou um mapa, dos possíveis locais onde poderia encontrar uma lésbica. Passou a ser presença contumaz em festas GLS. Um simpatizante focado em mulheres que gostam de mulheres. Era assediado por bichonas, mas logo tratava de deixar claro suas intenções ali, nunca deixando de ser simpático. Precisava agradar aos que ali estavam, sem preconceitos. Qualquer preconceito poderia seria uma barreira intransponível.
Porém, foi na faculdade que ele encontrou a mulher perfeita, ou melhor, a lésbica perfeita. Linda, olhos claros, cabelo emo, uma calça justa que iniciava mostrando a ausência de bunda e acabava nos all tars. Seios do tamanho de uvas italianas. Desconfiou que ali estaria seu alvo. Porém, só teve certeza quando viu a moça do cabelo emo correndo os olhos nos seios e depois nas pernas na mais loira mais gostosa da faculdade.
Descobriu tudo sobre a moça. O curso que fazia, onde morava, idade. E obteve a confirmação da total falta de contato com o sexo oposto. Era virgem. Virgem de pau. Só tinha tido algumas relações com algumas mulheres. Quem contou isso foi uma amiga bissexual, que já havia traçado a magrinha emo. Morava sozinha, era de outra cidade. Mas, receosa da reação da família tinha na discrição um dever zeloso.
O que Roger não compreendia eram os motivos pelos quais algumas mulheres não gostam de homem. Tinha uma teoria, que logo fora descartada: “são mulheres que foram decepcionadas por seus pais. Pais que traíram suas mães, e elas, solidárias às progenitoras passavam a não se envolver com homens.” Depois criou outra, mais aceitável, mas com pouca fundamentação: “são mulheres que foram abusadas enquanto crianças. Ou vizinhos, ou parentes. Assim, não se envolvem com homens.” Os exemplos da vida real o desmentiam. “São doentes! Tem algum distúrbio”, berrou algum preconceituoso. “Isso tudo é culpa da Coca Cola”, disse um fanático, acreditando que na fórmula do refrigerante haja uma substância química que modifique o interesse sexual das pessoas. Blasfêmia!
Sem embasamento teórico ou científico, Roger tratou de fazer amizade com a moça que usava tênis all star. Tratou de assuntos amenos, sobre a faculdade. Noutro dia sobre o tempo. Teve uma vez que demonstrou preocupação com a moça, vinda do interior, longe dos pais, sem amigos. Ofereceu ajuda, “desde uma xícara de açúcar, até um chimarrão no Quadrado”, que era um tradicional ponto de convívio nos entardeceres da cidade. Ela sorriu, mas não respondeu. Percebendo que a saída era a insistência, Roger refez o convite e exigiu uma resposta oficial, com data e hora marcada. Ela aceitou, um tanto acuada.
O mais canalha de todos a levou à praia, onde conversaram uma tarde inteira. Como bons amigos, apenas. Foi quando ele pode mostrar o seu lado sensível, carinhoso, amigo. A deixou em casa, trocaram um beijo no rosto. E mais nada. No final da noite, enviou uma mensagem dizendo que “a tarde foi ótima”.
A paciência era uma arte a ser desenvolvida por aquele rapaz, sempre tão afoito. Foram seis meses de amizade e encontros amistosos. Sabia que um avanço indevido no sinal ou passo em falso, e teria seus interesses repreendidos ribanceira abaixo. Ligou no dia do aniversário. A levou num free shop, dizia em todos os encontros que seus cabelos estavam lindos, estivessem vermelhos, ou com mechas azuis ou verdes.
No sexto mês, o celular desperta, com um lembrete. Era o centésimo octogésimo dia. O dia do abate. Tratou de ligar para a amiga lésbica e pedir um pouco de atenção, um pouco de carinho, já que estava sofrendo por alguém. Ela aceitou de pronto. Nessas alturas, é bom que se diga, a moça já estava achando o Roger um cara gay, de tão sensível e meigo. Nunca havia visto um homem assim, tão mulher.
Ela o recebeu na sua casa. Ele fez aquela conversinha de adolescente, dizendo que estava afim de alguém, mas esse alguém não gostava dele e talicoisa. Ela se fez de desentendida, protelou ao máximo perguntar quem era, até que ele a olhou nos olhos e tascou um beijo.
Tinha planejado que treinaria um beijo menos agressivo, menos viril. Não queria que a moça se assustasse. Nada de enfiar a língua boca adentro. Nada de barba por fazer, já que isso a lembraria que ele era um homem. Treinou com algumas amigas a melhor forma de fazer sexo oral. Não poderia ser pior do que as outras haviam sido. Precisava ser a melhor chupada da vida dela. Nem sabia como fazer para penetrá-la, pois não lembrava mais como tirar uma virgindade de uma mulher.
Para sua surpresa, ela aceitou o beijo, e tratou de abrir a sua camisa, depois a calça. O deitou na sua cama de solteira, e fez um sexo oral de fazer inveja a mulheres que gostam e estão acostumadas com um pau. Não contente, levantou e tirou a sua camisa xadrez, mostrando seus seios pequeninos. Depois, com um esforço enercúmeno tirou a calça jeans, mostrando a sua falta de bunda, numa calcinha em forma de cueca, com o desenho do frajola. Abismado, Roger a deitou na cama e tentou colocar em prática aquilo que havia treinado com as suas amigas. Depois, quando lubrificada, ela sussurrou algo do tipo, “sou virgem, mas quero que você seja o primeiro”. Lisonjeado, com algum esforço desvirginou a moça ex lésbica. Depois, dormiram abraçados até o meio da madrugada, quando Roger acordou. Com algum esforço, demorou a perceber onde estava. Aquela foto da Madonna do quarto o remeteu de volta dos sonhos, a vida real. A moça ex lésbica estava abraçada em seu peito. Ele levantou o lençol e pode contemplar aquela beleza esguia, para voltar para casa orgulhoso de si mesmo.
O que Roger não havia planejado era o que aconteceria depois. Não encontrava a moça na faculdade, tampouco na internet. Ela não respondia suas chamadas. O que ele havia feito de errado? Será o sexo oral, um tanto quanto inferior aos das mulheres. Ou teria sido a dor da primeira vez, que a teria assustado? “Amor de pica é o que fica”, diziam. Mas, ela havia sumido.
A reencontrou duas semanas depois, na cadeira que cursavam juntos. Ela estava monossilábica. Roger o puxou pelo braço e procurou entender o que estava acontecendo. Ela foi taxativa:
- Estou apaixonada. Por uma mulher.
A princípio Roger pensou em propor um ménage. Adorava essas putarias. Mas, dessa vez, sentiu ciúme. Correu atrás, queria saber quem era. Ela disse que estava saindo com a loira mais gostosa da faculdade. E como consolo, disse que ele havia sido muito bom, mas que ele não passava de um bom amigo. Era tarde, Roger estava apaixonado pela moça magra, que voltou a ser lésbica.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
a ilusão
Esses dias estive no Rio de Janeiro. Dentre as diversas atividades culturais que observei, me chamou atenção o festival dos mini curtas, feitos com um aparelho de celular. Ora, nada mais acessível que gravar um vídeo com um aparelho de celular. Todo mundo tem um celular, e quase todos gravam. Daí, basta tar uma boa idéia, apertar o play e gravar por um ou dois minutos. Pronto! Você é um diretor ou um ator de cinema. Fácil e barato!
Até aí tudo bem. O problema é arranjar uma boa história. Enfim, nem sempre vi bons filmes... nem sempre vi boas idéias...
Até aí tudo bem. O problema é arranjar uma boa história. Enfim, nem sempre vi bons filmes... nem sempre vi boas idéias...
o churrasco da empresa
- Amor, vou sair.
- Aonde você vai?
- Num churrasco...
- Que churrasco?
- Do pessoal da empresa.
- Quem vai estar lá?
- Que diferença faz?
- Toda. Quem vai estar lá?
- O pessoal da empresa, oras. Só nós homens.
- Preciso saber se terá algum solteiro lá.
- Por quê?
- Sabe como é homem solteiro... Adora uma festa.
- Os solteiros gostam de ir para as festas, querida. Os casados preferem os puteiros. O que tu preferes?
- Prefiro que você venha pra casa.
- Então, faz diferença se irão solteiros ou casados?
- Não. Desculpa. Era só uma curiosidade. Venha pra casa.
- Tudo bem. Beijo.
As quatro horas da manhã...
- Você demorou, amor.
- É. Os solteiros não foram.
- Aonde você vai?
- Num churrasco...
- Que churrasco?
- Do pessoal da empresa.
- Quem vai estar lá?
- Que diferença faz?
- Toda. Quem vai estar lá?
- O pessoal da empresa, oras. Só nós homens.
- Preciso saber se terá algum solteiro lá.
- Por quê?
- Sabe como é homem solteiro... Adora uma festa.
- Os solteiros gostam de ir para as festas, querida. Os casados preferem os puteiros. O que tu preferes?
- Prefiro que você venha pra casa.
- Então, faz diferença se irão solteiros ou casados?
- Não. Desculpa. Era só uma curiosidade. Venha pra casa.
- Tudo bem. Beijo.
As quatro horas da manhã...
- Você demorou, amor.
- É. Os solteiros não foram.
segunda-feira, 29 de novembro de 2010
a coincidência
Tem coisas que só acontecem com o Roger. Aquelas histórias cinematográficas de Hollywood, aqueles dramalhões das novelas mexicanas. Tudo acontece na vida dele, ao acaso.
Esses dias saiu com um casal de amigos. Reclamava para o casal que nenhuma mulher olhava para ele naquela festa. Foi orientado a olhar para as mulheres certas, aquelas dispostas a reciprocidade. Certamente, sempre tem alguém para alguém nesse mundo, disseram. As vezes demoramos a encontrar, ou não percebemos. Cito o único poeta que leio e gosto:
da felicidade
"Quantas vezes a gente,em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão,por toda parte,os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!"
Mário Quintana
Voltemos a essa história difícil de contar, de tão improvável. Naquela festa, invicto, imperceptível e intocável, Roger escorou-se no balcão, para bebericar a última e derradeira ceva. Foi quando uma moça se aproximou e disse:
- Oi. Minha amiga quer saber teu nome.
- Qual amiga? - perguntou ele descrente e amargurado.
- Não posso dizer. - esquivou-se a amiga-correio.
- Então diz pra ela que sou o João. - inventou, antes de retirar-se da festa.
No dia seguinte, habitué de seus afazeres, perambulou pelo Orkut dos amigos, até encontrar uma amiga de um deles, uma menina linda, e que tinha seu sobrenome. Era raro encontrar alguém com seu sobrenome. Curioso, tomou coragem de invadir o espaço da provável parente. Olhou as fotos, encantou-se, mas voltou a sua navegação normal.
No dia seguinte, observou que a menina que tinha o mesmo sobrenome havia retribuído a visita no seu Orkut. Interessante saber quem fuxica no seu Orkut, não é? Retribuiu e certificou-se da sua beleza. Era bonita mesmo, a ponto de ter vontade de visitar suas fotos diariamente. Saiu, torcendo para que ela retribuísse novamente a visita. No dia seguinte, correu para a internet. Bingo! O Orkut apontava nas visitas recentes o nome dela. Era a hora do bote. Não havia mais como protelar. Adicionou com a seguinte frase de adição:
“oi. vi seu orkut, através de amigos em comum. acho que jah te vi em alguma festa. resolvi add. Bjs”
Fazendo jus ao sobrenome, simpaticamente, ela aceitou o convite. De imediato, ele pediu o MSN, já que precisava manter contato. Mas, o tempo protelou um encontro casual e concomitante na internet. Por cerca de uma semana, aguardou pela moça do mesmo sobrenome, conectado e atento ao entra e sai do MSN.
A insistência deu resultado e finalmente puderam conversar. Conversa de protocolo, daquelas formais de apresentação. Ele já havia adicionado. Evidentemente ela sabia de seus interesses, que saliento, não era relacionado aos laços consangüíneos.
- Quando vais deixar eu te conhecer? - atacou o aguerrido Roger.
- Quando você quiser.
- Agora! - cravou.
A teoria diz que devemos tomar decisões incisivas, demonstrar iniciativa, deixar claro que não estamos para brincadeiras, afinal, somos homens ou um saco de batata? Sei da teoria, é claro, pois acho que sou um saco de batata.
Encontro marcado, hora combinada. Finalmente ele iria encontrar a moça do sobrenome idêntico. Não eram parentes, é bom que se diga. Sem dúvida ela fazia parte da uma casta mais embelezada da família, talvez qualificada durante a eugenização do sobrenome. Linda, simpática e com um bom papo, a moça fez uma revelação, que dá nome a esse texto:
- Eu só não entendo como você me adicionou no Orkut.
- Como assim? - questionou, pois já havia explicado que fora através de amigos em comum.
- O que eu não entendo é como você sabia que eu havia pedido para a minha amiga perguntar o seu nome naquela festa em que você estava escorado num balcão. Ou não sabia?
- Hã! Não acredito nisso! Juro que não sabia. É muita coincidência.
- Pois é. Também não entendi o porquê você mentiu o seu nome, não é Seu João?!
Esses dias saiu com um casal de amigos. Reclamava para o casal que nenhuma mulher olhava para ele naquela festa. Foi orientado a olhar para as mulheres certas, aquelas dispostas a reciprocidade. Certamente, sempre tem alguém para alguém nesse mundo, disseram. As vezes demoramos a encontrar, ou não percebemos. Cito o único poeta que leio e gosto:
da felicidade
"Quantas vezes a gente,em busca da ventura,
Procede tal e qual o avozinho infeliz:
Em vão,por toda parte,os óculos procura
Tendo-os na ponta do nariz!"
Mário Quintana
Voltemos a essa história difícil de contar, de tão improvável. Naquela festa, invicto, imperceptível e intocável, Roger escorou-se no balcão, para bebericar a última e derradeira ceva. Foi quando uma moça se aproximou e disse:
- Oi. Minha amiga quer saber teu nome.
- Qual amiga? - perguntou ele descrente e amargurado.
- Não posso dizer. - esquivou-se a amiga-correio.
- Então diz pra ela que sou o João. - inventou, antes de retirar-se da festa.
No dia seguinte, habitué de seus afazeres, perambulou pelo Orkut dos amigos, até encontrar uma amiga de um deles, uma menina linda, e que tinha seu sobrenome. Era raro encontrar alguém com seu sobrenome. Curioso, tomou coragem de invadir o espaço da provável parente. Olhou as fotos, encantou-se, mas voltou a sua navegação normal.
No dia seguinte, observou que a menina que tinha o mesmo sobrenome havia retribuído a visita no seu Orkut. Interessante saber quem fuxica no seu Orkut, não é? Retribuiu e certificou-se da sua beleza. Era bonita mesmo, a ponto de ter vontade de visitar suas fotos diariamente. Saiu, torcendo para que ela retribuísse novamente a visita. No dia seguinte, correu para a internet. Bingo! O Orkut apontava nas visitas recentes o nome dela. Era a hora do bote. Não havia mais como protelar. Adicionou com a seguinte frase de adição:
“oi. vi seu orkut, através de amigos em comum. acho que jah te vi em alguma festa. resolvi add. Bjs”
Fazendo jus ao sobrenome, simpaticamente, ela aceitou o convite. De imediato, ele pediu o MSN, já que precisava manter contato. Mas, o tempo protelou um encontro casual e concomitante na internet. Por cerca de uma semana, aguardou pela moça do mesmo sobrenome, conectado e atento ao entra e sai do MSN.
A insistência deu resultado e finalmente puderam conversar. Conversa de protocolo, daquelas formais de apresentação. Ele já havia adicionado. Evidentemente ela sabia de seus interesses, que saliento, não era relacionado aos laços consangüíneos.
- Quando vais deixar eu te conhecer? - atacou o aguerrido Roger.
- Quando você quiser.
- Agora! - cravou.
A teoria diz que devemos tomar decisões incisivas, demonstrar iniciativa, deixar claro que não estamos para brincadeiras, afinal, somos homens ou um saco de batata? Sei da teoria, é claro, pois acho que sou um saco de batata.
Encontro marcado, hora combinada. Finalmente ele iria encontrar a moça do sobrenome idêntico. Não eram parentes, é bom que se diga. Sem dúvida ela fazia parte da uma casta mais embelezada da família, talvez qualificada durante a eugenização do sobrenome. Linda, simpática e com um bom papo, a moça fez uma revelação, que dá nome a esse texto:
- Eu só não entendo como você me adicionou no Orkut.
- Como assim? - questionou, pois já havia explicado que fora através de amigos em comum.
- O que eu não entendo é como você sabia que eu havia pedido para a minha amiga perguntar o seu nome naquela festa em que você estava escorado num balcão. Ou não sabia?
- Hã! Não acredito nisso! Juro que não sabia. É muita coincidência.
- Pois é. Também não entendi o porquê você mentiu o seu nome, não é Seu João?!
domingo, 7 de novembro de 2010
lembranças de um guri
Quando era guri, fui apaixonado por uma colega minha. Uma coleguinha de aula. Não digo na lata de quem se trata, pois hoje é uma mulher casada, vários filhos e as carnes já não são mais as mesmas. Infelizmente.
Costumava homenageá-la diariamente. As vezes, mais do que diariamente. Ao acordar, antes de dormir. Lembro de uma vez, quando ela foi com uma saia rodada, tipo colegial. Subi a rampa do colégio atrás dela, e juro por Deus, foi sem querer, acabei vendo as nádegas dela. As bochechas das nádegas. As duas. Emudeci. Ensurdeci. Naquela manhã, bati uma no banheiro do colégio. A vontade que eu tinha era de correr atrás dela e apalpar aquela bunda redonda. Seria bom se a nós pudéssemos fazer tudo o que temos vontade, não é?
Na verdade, se ao menos ela soubesse da minha existência. Mas, ela não me enxergava. Estudamos na mesma classe, mas ela não fazia idéia de quem eu era. Eu não jogava futebol de salão, eu não jogava basquete, eu não jogava handebol. Não tocava violão, nenhum tambor, não tinha fama nem nada. Só tocava punhetas em homenagem a ela. Eu era um ninguém naquele colégio. Apenas mais um a comer a merenda.
Nas minhas fantasias, ela fazia o melhor sexo do mundo. Não sei como poderia saber disso, diante da minha virgindade notória. Mas, pelo que via nas revistas, ela era a melhor, a mais completa, a mais cheirosa, um retrato da perfeição. E eu era um virgem, tímido e cheio de acne. Teve uma vez que ela falou comigo. Que voz suave, macia. Ela disse:
- Dá licença, baixinho! Que saco! - e passou, deixando aquele aroma de talco no ar. É, as pessoas usavam talco naquela época.
Era uma mulher feita, mesmo na pré-adolescência. Tinha seios grandes e firmes, coxas angulosas. Fumava alguma coisa com o pessoal da grêmio estudantil, escondidos. Dizem que ela transava com o presidente do grêmio, mas na verdade, saía com o capitão do time de basquete. Talvez saísse com os dois. Ou com o time inteiro de basquete. Era bem safadinha, o que, além do corpaço, a diferenciava das outras. E isso nos alucinava.
Quando ela passava, todos se cutucavam. Era a aluna mais conhecida do colégio inteiro, juntando-se todos os turnos. E despertava inveja das outras, lânguidas, miúdas, sem seios e sem bunda. Falavam poucas e boas dela. Diziam cada coisa, que eu desejava muito que fosse verdade todas as noites antes de dormir.
Esses dias esbarrei com ela na balada. Ela me olhou. Já não era a mesma, menos da metade do que era, mas a reconheceria sob qualquer circunstância. A chamei pelo nome. Ela perguntou de onde eu a conhecia. Disse que não importava, e menti dizendo que ela estava cada vez melhor. Ela continuava fumando. Tragou e me olhou de cima a baixo. Eu sabia que ela havia engravidado cedo, nova. Sabia que sua vida noturna dava inveja ao Romário. Bebia parelho com o Pagodinho. E imaginei, continuava safada como fora na escola. Peguei, foi fácil. Transei, foi bom. Ela tinha algumas manias, nada bizarro. Gostava olhar no espelho. Olhou do início ao fim. Tinha prazer se olhar no espelho. Depois fomos embora. Ficamos de nos encontrar por aí, a esmo. Nunca mais a procurei. Preferi ficar com a lembrança das minhas punhetas, onde tudo era perfeito.
Costumava homenageá-la diariamente. As vezes, mais do que diariamente. Ao acordar, antes de dormir. Lembro de uma vez, quando ela foi com uma saia rodada, tipo colegial. Subi a rampa do colégio atrás dela, e juro por Deus, foi sem querer, acabei vendo as nádegas dela. As bochechas das nádegas. As duas. Emudeci. Ensurdeci. Naquela manhã, bati uma no banheiro do colégio. A vontade que eu tinha era de correr atrás dela e apalpar aquela bunda redonda. Seria bom se a nós pudéssemos fazer tudo o que temos vontade, não é?
Na verdade, se ao menos ela soubesse da minha existência. Mas, ela não me enxergava. Estudamos na mesma classe, mas ela não fazia idéia de quem eu era. Eu não jogava futebol de salão, eu não jogava basquete, eu não jogava handebol. Não tocava violão, nenhum tambor, não tinha fama nem nada. Só tocava punhetas em homenagem a ela. Eu era um ninguém naquele colégio. Apenas mais um a comer a merenda.
Nas minhas fantasias, ela fazia o melhor sexo do mundo. Não sei como poderia saber disso, diante da minha virgindade notória. Mas, pelo que via nas revistas, ela era a melhor, a mais completa, a mais cheirosa, um retrato da perfeição. E eu era um virgem, tímido e cheio de acne. Teve uma vez que ela falou comigo. Que voz suave, macia. Ela disse:
- Dá licença, baixinho! Que saco! - e passou, deixando aquele aroma de talco no ar. É, as pessoas usavam talco naquela época.
Era uma mulher feita, mesmo na pré-adolescência. Tinha seios grandes e firmes, coxas angulosas. Fumava alguma coisa com o pessoal da grêmio estudantil, escondidos. Dizem que ela transava com o presidente do grêmio, mas na verdade, saía com o capitão do time de basquete. Talvez saísse com os dois. Ou com o time inteiro de basquete. Era bem safadinha, o que, além do corpaço, a diferenciava das outras. E isso nos alucinava.
Quando ela passava, todos se cutucavam. Era a aluna mais conhecida do colégio inteiro, juntando-se todos os turnos. E despertava inveja das outras, lânguidas, miúdas, sem seios e sem bunda. Falavam poucas e boas dela. Diziam cada coisa, que eu desejava muito que fosse verdade todas as noites antes de dormir.
Esses dias esbarrei com ela na balada. Ela me olhou. Já não era a mesma, menos da metade do que era, mas a reconheceria sob qualquer circunstância. A chamei pelo nome. Ela perguntou de onde eu a conhecia. Disse que não importava, e menti dizendo que ela estava cada vez melhor. Ela continuava fumando. Tragou e me olhou de cima a baixo. Eu sabia que ela havia engravidado cedo, nova. Sabia que sua vida noturna dava inveja ao Romário. Bebia parelho com o Pagodinho. E imaginei, continuava safada como fora na escola. Peguei, foi fácil. Transei, foi bom. Ela tinha algumas manias, nada bizarro. Gostava olhar no espelho. Olhou do início ao fim. Tinha prazer se olhar no espelho. Depois fomos embora. Ficamos de nos encontrar por aí, a esmo. Nunca mais a procurei. Preferi ficar com a lembrança das minhas punhetas, onde tudo era perfeito.
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
nosso lar?
Esses dias fui ao cinema, assistir Nosso Lar. Sou aficionado em cinema nacional, precisava relaxar e tinha cinco reais sobrando. Decidi arriscar. Digamos que foi um forte exercício assistir ao filme espírita, visto que sou um ateu convicto.
Sei que a religião é um tema polêmico e temo ser mal interpretado. Enfim, o País me permite não ter religião e não tenho. Assim economizo meu dinheiro. Opa, já criei polêmica! Enfim, ganho tão pouco dispensariam meu dízimo, bastava apresentar meu extrato bancário.
Para não dizer que eu não acredito em nada, digo que acredito na importância da igreja, embora ainda as ache menos importantes do que os times de futebol. Se bem que as empresas igrejas dão mais lucros do que as empresas times de futebol. Talvez por serem melhores administradas, ou por terem isenção de impostos.
Como ia dizendo, vejo que as igrejas amparam milhares de famílias, lhes dão esperanças e alentos. Isso é importante, já que o combalido governo é ineficaz nessa área. Ademais, elas aproximam os fiéis daquilo que chamam de Deus, com capslook acionado.
Dias atrás fui numa igreja. Na verdade, era um santuário. O que mais me encanta na Igreja Católica são as igrejas. Que opulência! Que acústica! Aliás, o que mais gosto numa igreja é o silêncio. Adoro ouvir o silêncio dentro das igrejas. É o silêncio que dá aquela sensação de paz, ao menos para mim. Tem gente que acredita que é a presença Dele.
O filme? Que filme? Ah, o filme espírita. Nosso Lar é um filme baseado num livro psicografado por um médico que encarnava (posso assim dizer?) no Chico Xavier. O livro eu não li, pois para determinadas coisas sou um analfabeto pleno e a leitura me dá sono. Sobre o filme, trata-se de uma realidade que os espíritas querem ver. Apenas isso, penso eu. O filme em si, e não falo da história, mas de cenários, de figurinos e de fotografia, é uma merda! Uma grande merda! Também, não poderia ser diferente, um filme espírita com luxúrias, grandes investimentos, seria no mínimo contraditório. Colocaria no hall dos filmes que não precisavam existir, não fossem os empregos que geraram. Algo do tipo 'Sérgio Malandro e o Inspetor Faustão', que espero que ninguém tenha visto.
Quanto a história do Nosso Lar, tem passagens bizarras. O passeio que o personagem principal, o Dr. André Luis, faz numa espécie de táxi aéreo/balão mágico é uma das coisas mais imaginativas que já vi. As cenas do purgatório, ou algo com mesmo significado e outro nome, são da dar dó. Enfim, geraram empregos, movimentaram a economia. E não vou morrer por cinco pila. Agora, se morresse, não iria gostar daquele meu lar noutra esfera.
Não sou um cara curioso. Sei que vim dos meus pais, que vieram dos meus avós, que por sua vez, vieram dos meus bisavós. E foi através do sexo, não se deixem enganar por costelas. Não vou muito adiante, pois não responderia todas as minhas dúvidas, que confesso, não chegam a uma ou duas. Não frequento a igreja, não sigo nenhuma religião e não acredito em deus. Soará como arrogância, eu sei, mas não preciso, tenho meus amigos, oras!, e agradeço a Deus por isso. Ops, me perdi.
Percebo que um ateu pode fazer bem aos outros e a si mesmo, tanto quanto e as vezes até mais do que um religioso. Qual minha contribuição para a sociedade? Bem, eu doo centavos das faturas dos meus cartões de crédito para que uma ONG plante árvores. Árvores são reais, me dão sobra, viram chalés, estantes, algodão, papel. Árvores são reais. Por outro lado, os ateus costumam respeitar mais a religião dos outros, pois aceitamos as diferenças, exatamente por que não aceitam nosso ceticismo. E teimam em me assustar:
- Um dia tu vais acreditar Nele!
Ou então:
- Quando você precisar Dele, você vai acreditar.
Dias depois, assisti Tropa de Elite, o segundo filme. Trata-se de um filme sobre o que a sociedade não quer ver, mas é real como um paralelepípedo arremessado contra a nossa têmpora. Exatamente o oposto do fantasioso filme espírita.
Nota de rodapé: assisti ao filme do Chico Xavier. Filmaço! Recomendo. Chorei, é claro. Pois, surpreendam-se, os ateus também choram.
Sei que a religião é um tema polêmico e temo ser mal interpretado. Enfim, o País me permite não ter religião e não tenho. Assim economizo meu dinheiro. Opa, já criei polêmica! Enfim, ganho tão pouco dispensariam meu dízimo, bastava apresentar meu extrato bancário.
Para não dizer que eu não acredito em nada, digo que acredito na importância da igreja, embora ainda as ache menos importantes do que os times de futebol. Se bem que as empresas igrejas dão mais lucros do que as empresas times de futebol. Talvez por serem melhores administradas, ou por terem isenção de impostos.
Como ia dizendo, vejo que as igrejas amparam milhares de famílias, lhes dão esperanças e alentos. Isso é importante, já que o combalido governo é ineficaz nessa área. Ademais, elas aproximam os fiéis daquilo que chamam de Deus, com capslook acionado.
Dias atrás fui numa igreja. Na verdade, era um santuário. O que mais me encanta na Igreja Católica são as igrejas. Que opulência! Que acústica! Aliás, o que mais gosto numa igreja é o silêncio. Adoro ouvir o silêncio dentro das igrejas. É o silêncio que dá aquela sensação de paz, ao menos para mim. Tem gente que acredita que é a presença Dele.
O filme? Que filme? Ah, o filme espírita. Nosso Lar é um filme baseado num livro psicografado por um médico que encarnava (posso assim dizer?) no Chico Xavier. O livro eu não li, pois para determinadas coisas sou um analfabeto pleno e a leitura me dá sono. Sobre o filme, trata-se de uma realidade que os espíritas querem ver. Apenas isso, penso eu. O filme em si, e não falo da história, mas de cenários, de figurinos e de fotografia, é uma merda! Uma grande merda! Também, não poderia ser diferente, um filme espírita com luxúrias, grandes investimentos, seria no mínimo contraditório. Colocaria no hall dos filmes que não precisavam existir, não fossem os empregos que geraram. Algo do tipo 'Sérgio Malandro e o Inspetor Faustão', que espero que ninguém tenha visto.
Quanto a história do Nosso Lar, tem passagens bizarras. O passeio que o personagem principal, o Dr. André Luis, faz numa espécie de táxi aéreo/balão mágico é uma das coisas mais imaginativas que já vi. As cenas do purgatório, ou algo com mesmo significado e outro nome, são da dar dó. Enfim, geraram empregos, movimentaram a economia. E não vou morrer por cinco pila. Agora, se morresse, não iria gostar daquele meu lar noutra esfera.
Não sou um cara curioso. Sei que vim dos meus pais, que vieram dos meus avós, que por sua vez, vieram dos meus bisavós. E foi através do sexo, não se deixem enganar por costelas. Não vou muito adiante, pois não responderia todas as minhas dúvidas, que confesso, não chegam a uma ou duas. Não frequento a igreja, não sigo nenhuma religião e não acredito em deus. Soará como arrogância, eu sei, mas não preciso, tenho meus amigos, oras!, e agradeço a Deus por isso. Ops, me perdi.
Percebo que um ateu pode fazer bem aos outros e a si mesmo, tanto quanto e as vezes até mais do que um religioso. Qual minha contribuição para a sociedade? Bem, eu doo centavos das faturas dos meus cartões de crédito para que uma ONG plante árvores. Árvores são reais, me dão sobra, viram chalés, estantes, algodão, papel. Árvores são reais. Por outro lado, os ateus costumam respeitar mais a religião dos outros, pois aceitamos as diferenças, exatamente por que não aceitam nosso ceticismo. E teimam em me assustar:
- Um dia tu vais acreditar Nele!
Ou então:
- Quando você precisar Dele, você vai acreditar.
Dias depois, assisti Tropa de Elite, o segundo filme. Trata-se de um filme sobre o que a sociedade não quer ver, mas é real como um paralelepípedo arremessado contra a nossa têmpora. Exatamente o oposto do fantasioso filme espírita.
Nota de rodapé: assisti ao filme do Chico Xavier. Filmaço! Recomendo. Chorei, é claro. Pois, surpreendam-se, os ateus também choram.
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