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segunda-feira, 14 de maio de 2012

fórmulas

Sabe aquela cantora, que procura a fórmula do amor? Ainda tá procurando. Praquela moça, eu diria que ela não vai encontrar, alertaria para mudar o refrão. O amor não ter fórmula. Assim como o sexo não tem fórmula. Só as exatas tem fórmulas. Mas, a vida não é exata, é humana.
Depois dessa bela introdução sociológica, antropológica, filosófica, poética e, ao mesmo tempo, extremamente infame reafirmo que não há regra quando se trata de relacionamentos.
Tem mulheres que gostam de flores, que suspiram com rosas e bromélias, e mulheres q não gostam, pois preferem algo mais útil. São as românticas e as frias materialistas, respectivamente. Tem mulher que gosta de novelas. Outras preferem futebol. Algumas curtem rock, outras qualquer coisa para dançar agarradinho. Tem mulher que se preocupa com a alimentação e tem mulher que come de verdade. Mulher que goza e mulher que finge orgasmo. Brancas, negras, ruivas, mulatas. Cabeludas, descabeladas. Mulheres para todos os gostos. Mulheres de todos os gostos. Mulheres tímidas, ousadas. Por isso que o grande segredo dos relacionamentos, sexuais inclusive, é o diálogo. Ou seja, acabar com os segredinhos entre os dois pombinhos. Talvez o diálogo seja a regra.
Esses dias li na “adorável” revista Veja que o café faz bem. Lá dizia na coluna de saúde que é aconselhável três, eu disse TRÊS xícaras de café por dia. Até ontem, pesquisadores sabichões mal falavam do nosso café de cada dia. Tomei café com culpa por muitos anos. Agora, vou tomar com leite, com chocolate, com canela. Enfim, uma coisa boa que não faz mal. Ao menos até amanhã, quando outros cientistas sabichões dirão ao contrário. Por isso decidi nada mais ler sobre cafés. Agora imaginem que ainda não chegamos a um denominador comum com relação ao simples cafezinho, o que podemos esperar do amor.
Não percamos tempo atrás de fórmulas. O grande segredo é não procurar. Quem procura não acha. E quem não sabe o que procura, quando acha não percebe.

quarta-feira, 14 de março de 2012

o swing

O Roger foi convidado para um swing. Na verdade, foi selecionado. Participar de um swing não é para qualquer um, como nós. A não ser que você vá em uma casa de troca de casais contribuindo financeiramente. Solteiros vão a swing, mas pagam muito caro por isso, e podem sair de lá sem comer ninguém.
Uma das principais regras desse mundo secreto refere-se ao poder da mulher. Num swing, quem decide é a mulher, com o consentimento do homem. Seja para o que for. Então, o cara solteiro acessa uma casa de swing e, caso as mulheres não se agradem da espécie, o deixam na mão. Por isso, muitas casas disponibilizam mulheres solteiras. Putas solteiras, melhor dizendo. Mas, putas não participam de swing. Logo, o cara entra numa casa de swing, e para não ficar literalmente na mão, empenhado, acaba com uma putinha qualquer, com preço de puta de luxo.
Alguém deve porventura pensar que eu já fui numa casa de swing. Pois é, já fui. Minha monografia da faculdade que trata do tema, foi adaptada e postada nesse blog. Triste fim para uma monografia tão interessante.
A troca de casais a que me refiro, onde o Roger foi convidado, era uma festa particular, fechada, para casais. Vou explicar: os casais se conhecem, geralmente, pela internet. Sites específicos para casais em busca do swing. Trocam mensagens, telefonemas e por último carícias. Mas, festa de casais swingeres em cidade pequena sofre alguma censura prévia. Os casais temem surpresas desagradáveis. Imagina se na mesma festinha com troca de casais você encontra a sua cunhada com a boca ocupada. Bem, o exemplo foi um fetiche. Mas, assistir sua irmã mais nova, que completara 18 aninhos ontem, com as mãos, boca e o resto ocupado, num gang bang alucinado é de vomitar.
Essas festas são capitaneadas por um casal mais experiente. O casal aluga uma casa, cobra certo valor para ajudar nas despesas, e ainda cobra por bebidas. O objetivo não é o lucro, e sim o sexo, por isso os preços são mais justos, mas acabam selecionando o público.
As mulheres costumam exageram deliciosamente nos decotes, nas costas de fora, coxas amostras. As langeries são sensuais, propícias para a ocasião. Os homens... Bem, os homens o Roger não soube me detalhar. Apenas disse que eram casais normais, de classe média, desses que esbarramos nos restaurantes e nos supermercados.
A própria entrevista de aprovação foi normal. Beijos nas bochechas, olhos nos olhos, papos de protocolo. O que fazia, de onde era, se tinha experiências anteriores, se estava preparado, se conhecia as regras. Pronto!, estava aprovado. O difícil foi agendar a entrevista. Festa concorrida, sabe como é.
Roger tinha uma parceira. No meu tempo, chamávamos de amizade colorida. Hoje tudo mudou. Ela era uma amiga sexual. Uma foda fixa. Ele era um pau amigo. Ela foi aprovada também. Era discreta como uma freira. Mas, na cama uma puta completa. O perfil procurado para a festa dos casais.
Não foram o primeiro casal a chegar na casa alugada, uma espécie de sítio. Também não foram os últimos. A lareira estava acessa, mesmo que estivéssemos na meia estação. Na entrada, o casal organizador recepcionava os convidados e colhia o dinheiro. Naquela noite, uma garçonete esculpida em pedra sabão servia as bebidas e apontava numa caderneta. Doses depois, Roger já tinha vontade de apagar o fogo da lareira. E das mulheres da sala também. Um casal puxa assunto, conversas frívolas. Roger foi ao banheiro, onde haviam muitas toalhas de papel e preservativos. Voltou e percebeu que o casal estava mais próximo da sua parceira, numa almofada gigante. Bebiam, riam e, aos poucos, deixam a timidez de lado. Outros casais faziam a mesma coisa. Uns cumprimentavam-se como velhos conhecidos. A música ao fundo era de bom gosto. Na sala de estar, casais assistiam um show internacional num DVD.
Roger já estava incomodado com tamanha seriedade do evento, quando a organizadora apresentou a grande atração da noite. Um show de strip-tease da garçonete esculpida por Aleijadinho. Ele jamais imaginou que aquela moça que olhava para o chão fosse capaz de excitá-lo num piscar de olhos. A moça só parou de dançar quando reparou que o volume das calças dos homens indicavam que a festa havia começado.
Vou poupá-los dos detalhes. A curiosidade costuma atiçar os desejos das pessoas. Quem quiser conhecer uma festa de casais que procure o Roger. Ele conhece os atalhos. Falando nele, se diz preocupado. Acha que depois de transar com inúmeras mulheres totalmente safadas na mesma noite, terá dificuldades para casar com uma apenas. Acha que depois de ver sua parceira fazendo coisas que jamais imaginou que uma mulher pudesse fazer na mesma noite, que está com um pouco de medo do que podem fazer as “mulheres modernas de hoje em dia”. O mundo nos esconde certas coisas que é bem melhor não sabê-las.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

quanto tempo eu tenho?

Em determinado período da sua curta e bem vivida vida, Roger tornou-se um comedor de casadas. Nenhum outro termo seria mais adequado, apesar da deselegância, do que este, acreditem. O interessante de comer mulher casada é que elas nunca tem tempo de sobra. Principalmente as com filhos. Então, sempre que a mulher chegava no seu apartamento, logo que fechava trancava a porta, ele perguntava:
- Quanto tempo eu tenho?
Era fundamental que tivesse controle do tempo. Precisava administrá-lo visando a satisfação das senhoras. Costumava dizer que dividia o tempo da seguinte forma: de 35% a 40% do tempo dedicado as preliminares, e dependendo da mulher, até mais, já que segundo elas os “maridos tem preguiça de chupar xoxota”. A administração do tempo era fator importante, e variava de acordo com os interesses sexuais das senhoras. Nada de posições do Kamasutra, impensável posições cinematográficas, nada interminável. Sexo objetivo. As vezes nem conversavam, pois “conversar a gente conversa pelo telefone” ou "conversinha eu tenho em casa", afirmavam as comprometidas.
Certa vez uma casada ligou:
- Roger, to livre das nove e trinta as dez e quinze!
- Justo tu, que não perdes a novela? - imaginando tratar-se do horário nobre.
- Que nada, nesse horário ta passando a Ana Maria Braga!
Quarenta e cinco minutos, logo sem muito espaço para drinks ou conversinhas para boi dormir. No caso, o boi estava trabalhando. Complicado mesmo era ficar olhando no relógio em meio as estocadas.
Até que o Roger conheceu uma casada fiel. Ela exclavama depois que o viu na webcam:
- Quero te dar!
Aquele sotaque da fronteira com o Uruguai mexia com ele, que incrédulo respondia:
- De que jeito! Fiel igual a ti não existe!
- Vou falar com ele...
Anos se passaram. Ela repetindo sempre “quero te dar”, mas ainda não havia convencido por completo o marido. “Ainda estou convencendo ele a aceitar, mas "vou te dar!”, dizia com a convicção de quem está conhece o marido há vinte anos. Meus amigos, mulher quando quer uma coisa, faz o tempo parar:
- Amanhã vou matar aula.
- Sério!?
- Aham. Sete horas chego aí.
Reparem que o amante é um ser que sempre tem de estar disponível. Elas não perguntam se ele pode, quisá se ele quer. Apenas informam, avisam. E aparecem.
Enquanto ele girava à esquerda a chave da fechadura da sala, logo tascou:
- Quanto tempo eu tenho?
- Bastante.
Era uma reposta inesperada vindo de uma casada com filhos. Evasiva demais para quem acostumou-se a trepar com uma ampola na cabeça:
- Tu tá solteira?
- Hoje sim!
Foderam. Recuperaram o tempo perdido.
- Tenho que ir.
- Tudo bem. Valeu a pena esperar. Quer que eu te leve? – perguntou solícito.
- Não te preocupa, ele vem me buscar.
- Ele quem?!
- Ele... - disse apontando para a aliança na mão esquerda.
- Ele sabe que tu tá aqui?!
- Sabe.
- Ainda bem que tranquei a porta.
- Falei para ele que ou ele deixava ou eu viria sem ele deixar. Aí ele me trouxe. E agora vem me buscar.
- Bem, então por segurança, não vou te acompanhar até a frente.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

a entrevista

Segue, na íntegra, a entrevista realizada com o Roger:
- Uou! Estamos aqui, com o Roger. Seja bem vindo!
- Obrigado. Sinto uma hemorragia de satisfação por ter sido convidado para participar do seu programa.
- Que isso... Suas histórias estão fazendo por merecer.
- Ah, isso eu devo a um amigo meu, blogueiro.
- Ele está aqui na platéia?
- Não pode vir. Ele trabalha, além de escrever as histórias.
- Beijo do Gordo pra ele.
- Vou mandar...
- Vamos fazer um bate bola. Eu pergunto e você responde.
- Ok.
- Qual seu tipo de mulher?
- As que gostam de mim.
- Só?
- E as que gostam de sexo comigo...
- Solteiro?
- Totalmente. Mais avulso que bala de troco.
- Se ganhasse na loteria...
- Não haveria puta pobre, bêbado sem cigarro e garçom sem gorjeta.
- Time?
- Qual time tu queres que eu torça?
- Colorado?
- O que isso?!
- Gosta de verdura?
- Só a minha carne.
- Já broxou?
- Eu nunca! Isso é coisa de blogueiro.
- Futebol ou vôlei?
- Sexo.
- Lugar?
- Gosto de lugares úmidos e quentes.
- Chocolate ou vinho?
- Depende da ocasião.
- O que acha do sexo pago?
- Caro.
- Tem saído? Festas, baladas?
- Tenho sim.
- Bastante?
- Menos do que eu gostaria e mais do que eu posso pagar.
- Como estão as festas?
- Tirando os homens, excelentes.
- Você é gaúcho, né?
- Sim, Pelotense... Porquê? Tens alguma piada nova?
- Não, terra da Xuxa, da Gisele...
- Pois é. A Gisele vou tentar comer de novo esse ano.
- Já comeu a Gisele Bündchen?!?!?!
- Não. Vou tentar de novo. Da outra vez que tentei não consegui.
- Hum...
- Aliás, ela não me desce. Ah, se me desse...
- Ah bom! E a Xuxa?
- Tenho um interesse sexual em conhecê-la...

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

um ator

Todo homem já quis ser jogador de futebol, quando guri. O Roger não. Era tão bom entendedor de futebol que sabia não possuir talento para o esporte. Desde pequenino entendia de táticas, regras. Sabia o nome dos jogadores, comissão técnica, colecionava álbuns de figurinhas. Até sabia se posicionar dentro do campo, jogava bem sem a bola. Mas, quando a bola chegava, não driblava um cone. Marcava como um atacante, ía ao ataque como um goleiro. Nasceu com dois pés esquerdos para o futebol. Assim sendo, optou pelas artes cênicas, ao invés do esporte bretão.
Quando pequeno, junto com vizinhos do bairro, bolaram um filme. Um deles, havia ganho uma filmadora que cabia dentro de uma caixa de sapato. Uns buracos na caixa e ninguém perceberia as filmagens. Começaram a fazer o filme até, com introdução, roteiro, script, cena 1, cena 2, e tudo. Mas, quando era a cena do Roger, com uma vizinha, compadeceu-se com a menina e negou-se a gravar o ato sexual. Não quis expor a coitada, e quedou-se com uma dúvida inquietante: como se sairia contracenando?
Alguns anos depois, com o advento dos telefones celulares que gravam imagens e áudio, saciou sua curiosidade ao se ver atuando no ato sexual. Envergonhado, talvez com o seu parco desempenho, excluiria logo em seguida. Posicionou o seu celular aos pés da cama. À meia luz, com o play acionado, chamou a moça pro quarto. Pouco conhecia sobre a pobre cobaia, era sexo de ocasião. Assim como seria de ocasião o vídeo amador.
Tinha medo de ter um desempenho pífio, mesmo excluindo o vídeo. Um vídeo de cinco minutos seria o final da sua curta carreira. O vídeo não saiu de casa, mas se fosse parar no youtube (ou no pornotube), seria sucesso instantâneo de acessos. Se até o Roger riu e sentiu cócegas durante o ato sexual, imagina nós, que não teríamos o compromisso de manter a ereção.
Ele estava deitado. Ela ajoelhada, a sua frente, fazendo sexo oral. Sexo oral que se estendeu pela virilha, pelas coxas, joelhor - frente e verso - panturrilhas, tornozelos e pés. E ajoelhada, de costas para a câmera do celular, ela ergue o pé 43 do Roger e com o pé quase sobre seu ombro, chupa dedo por dedo, dando especial atenção ao dedão esquerdo do pé. A resolução da câmera não era ideal, mas no 3D seria possível ver a língua dela dentre os dedos do pé dele, talvez até as sujeiras depositadas sob as unhas.
Compadecido com a moça lambona, decidiu excluir o vídeo assim que ela saiu.
A partir daí dedicou-se a outra atividade, já que pro futebol não tinha aptidão, e para o cinema amador não teve boas experiências. Espero que o Roger não se torne um blogueiro.

domingo, 7 de agosto de 2011

sexo em público

Certas aventuras vividas pelo Roger fazem ruborizar moças virgens. Agora, se tem coisa que não faz parte do dicionário desse rapaz é a palavra timidez. Nada tímido é pouco para um cara totalmente desinibido. Na verdade Roger até gostava da sua desinibição e costumava ter boas experiências com mulheres sem vergonhas. No bom sentido. Os causos que narrarei aconteceram com ele esses dias, e confesso, fizeram a mim, nem moço e tampouco virgem, ficar um tanto ruborizado.
Quando saiu acompanhado de uma gata da festa com bebida liberada, procuraram um lugar escuro para ficarem mais a vontade. Saíram a passos largos pelas ruas do bairro. Entraram num terreno baldio, entre duas casas já construídas. Foram até o fundo do terreno, e entraram mato adentro. Pararam atrás de uma das casas construídas, e por ali, literalmente rolaram no mato. Os joelhos esfolados e encardidos denunciariam uma provável pelada, onde Roger teria jogado de goleiro num campo de terra. Ledo engano. O flagrante aconteceu mesmo quando dois homens que faziam a ronda por ali, gritaram coisas que ruborizariam todas as moças, virgens ou não, enquanto apontavam a lanterna em direção ao casal em pleno coito.

Mas, nem sempre apontaram lanternas em direção ao Roger. Noutra ocasião, enquanto servia às Forças Armadas, ele costumava bater continência até mesmo em festas sociais. Depois de passar servindo ao batalhão – no bom sentido, é claro – por meses, acordando com homens, comendo com homens, indo pro mato com homens, dormindo com homens – no bom sentido, é claro.
Aliás, esse pessoal das Forças Armadas, quando saem desarmados para as ruas, nos dias de folga, parecem animais ensandecidos atrás de um rabo de saia. O Roger não era diferente. Saia do exílio com as garras afiadas. Era a fuga da jaula. Estava pronto para pular no pescoço de qualquer fêmea. Mas, seu instinto animal agiu diferente. Fixou o olhar no olhar da morena que cambeleava pela festa. E bateu continência. Numa dessas coisas inexplicáveis que acontecem com o Roger, foi ao bater continência que a morena estremeceu. Aquela barba feita e aquele corte de milico não negava a profissão de guerrilheiro. Ela o imaginou fardado. E nós sabemos que mulheres tem uma queda de um cânion por homens fardados. Por isso, via de regra, sempre deixo um par de coturnos sob a cama.
Deram as mãos perante o barril de chopp. Nada mais romântico que um encontro em frente a algo de tão grande importância na nossa sociedade atual. Um levou o outro em direção a uma parede, escondida atrás de um balcão de bar. E por ali ele começou uma peregrinação pelo corpo daquela morena.
A língua percorria um circuito que levava dos seios, passava pelo pescoço e retornava por detrás da orelha. As mãos percorriam outras curvas. Tudo sob olhar atento de uma platéia, que observava a tudo como se estivesse em uma arquibancada. Definitivamente, Roger havia percebido que ali não era o local exato para trocar o óleo. Embriagados e sem trocar uma palavra, andaram em direção à praia, onde deitaram em frente a uma casa de família com a intenção de terminar a... corrida.
Teriam continuado a aventura, não fosse o dono da casa aparecer com um trinta e oito em punho, devido a algazarra que a platéia que havia acompanhado o casal estava aprontando na nova arquibancada. Perto da morte e quase cagado, Roger optou por deixar a moça em casa, afinal, se existia alguma possibilidade do três-oitão não funcionar, certeza era que o Roger falharia.

terça-feira, 12 de julho de 2011

coisas de homem

Há determinadas coisas que acontecem conosco que as mulheres sequer imaginam. Acredito que a recíproca seja verdadeira, é claro. Aliás, é isso que torna a relação homem versus mulher interessante.
Dias atrás, fui numa lancheria com dois casais de amigos. Não lembro o porquê de surgir assunto tão impróprio para tratar em meio a baurus, mas comentamos sobre quando nossos testículos sobem do saco para o canal inguinal. Todos achavamos que tal excentricidade acontecia apenas com nós mesmos. No entanto, todos homens ali reunidos tinham duas características em comum: pediram bauru com bacon e tinham esse reflexo cremastérico.
Para explicar, cogitei em tirar uma foto do meu saco para mostrar a vocês, mas não quis. A bem da verdade não pude fotografá-lo pois não o encontrei. Com esse frio que anda fazendo no inverno, minhas bolas sobem em direção ao abdome, e o saco aproveita para sumir. Ademais, poupá-los de ver meu saco enrugado é o mínimo que eu posso fazer por quem ainda lê essas escritas.
Outro fato bastante peculiar ao universo masculino é o pós foda. Esses tempos ouvi o Roger comentando que adormecera com o preservativo envolto ao pênis. Pela manhã, ao acordar com aquela vontade de mijar, direcionou o pau em direção ao urinol, e só então percebeu que não havia tirado o látex. Seria a primeira vez na história que alguém mijaria dentro da camisinha.
Atire a primeira pedra o homem que nunca foi mijar no dia seguinte a uma foda e não impregnou um banheiro com o cheiro de porra misturado com o cheiro de boceta. Isso aconteceu comigo uma vez, quando saí atrasado, e correndo escovei os dentes enquanto colocava a camisa, lavava o pau na pia enquanto penteava os cabelos, e secava o membro na toalha de rosto, antes de sair colocando o cinto. Engraçado foi ver a mulher secando o rosto com a mesma toalha, enquanto eu a esperava para trancar a porta.
Para as mulheres entenderem melhor, o pau fica melado, os pentelhos cheirando a sexo, e isso aromatiza o ambiente na hora da mijada das 10h da manhã. Todo homem precisa mijar por volta das 10h, sabiam? Os que tomam chimarrão não passam das 9h! É coisa de homem isso. Mais impressionante é que essa mistura sexual do dia seguinte ultrapassa o cheiro do desinfetante que limpou o banheiro mais cedo.
Ali, enrolado na glande, sempre surge um fio de cabelo gigante. Nós sempre catamos um fio de cabelo na cabeça do pau, mesmo se a mulher tiver cabelos curtos. Mais impressionante mesmo é quando elevamos o fio de cabelo a altura dos olhos e nos questionamos:
- Como pode um fio de cabelo loiro se a mulher era morena?!
Enquanto apontamos o membro com uma mão em direção ao vaso sanitário, a outra chega bem perto dos olhos, pois a luz pode enganar e o fio ser branco, da mãe ou da avó, mas não! O fio é do cabelo de uma loira!Daí o cara pensa na última loira que traçara: meses atrás! Nem lembrava o nome da loira! Como pode isso?, nos perguntamos sempre.
Na urinada das 15 horas e quarenta minutos (todo homem mija por volta desse horário), o cara coloca o pau para fora e desesperado com o cheiro guardado na cueca, resolve mijar na pia do banheiro. Sim, homens mijam na pia do banheiro, sabiam? Mas é higiênico, não se preocupem, mas fiquem com inveja. Homens mijam na pia e miram no ralo do lavatório, e depois abrem a torneira para lavar o pau ali mesmo e amenizar o cheiro desagradável, jogando água na pia para higienizar o local. Não fiquem com nojo pois isso é coisa de homem.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

homemfobia

- Doutor, eu vim aqui por que to com um problema muito grave. Só penso em mulher! - explicou Roger ao Psicanalista.
- Hum... Continue, continue...
- Eu sei que pode parecer normal, mas nos dias de hoje me sinto um peixe fora d’água. Tudo o que faço são para mulheres. Se corto o cabelo é para uma mulher. Se compro uma roupa, é pensando o que uma fêmea vai achar.
- Normal isso..
- Normal uma boceta!!
- ...
- Desculpe, me exaltei. Mas, é mais grave do que o senhor pensa, doutor. Quase não vim aqui... Entrei no site do plano de saúde, cliquei na especialidade e procurei uma mulher. Olhei no facebook para ver as fotos das psicólogas. Só optei pelo senhor, pois se fosse uma mulher nesse consultório, o tratamento não daria certo. Seria como curar o alcoolismo com whisky no coffee break.
- Fale mais... - incentivava o psicanalista.
- Não olho nos olhos; olho o decote, e as vezes, a boca. Nunca prestei atenção nas aulas das professoras; só nas professoras. Lembro que não gostava quando elas ditavam a matéria, ou quando traziam cópias mimeografadas. Sempre as chamava junto a classe para sanar alguma dúvida que sequer existia. Queria sentir o cheiro delas. Gostava de vê-la de costas, no quadro negro. Até mesmo a tia Mariza, da terceira série, que já não era lá essas coisas. Lembro que ficava bulinando o tico...
- Parece sério...
- Então, como estava lhe dizendo, acordo e me masturbo, pensando na foda da noite anterior. É um ciclo do gozo. A internet, na minha visão, é um antro de putaria. Só acesso sites pornográficos, só quero ver mulher pelada. Revistas? revista pra mim é Playboy, Sexy, Forum. Vip já é coisa de viadinho. Nem futebol eu gosto, acompanho raramente o feminino. Vejo o vôlei. Tenho saudades da Ana Moser e da Márcia Fu. Gosto de samba, é claro. Mas por quê? Por causa das mulatas sambando.
- Não pare...
- Estou doente, doutor, gosto muito de mulher. De várias. Ao mesmo tempo. Já gastei um soldo inteiro num puteiro. Fechei o puteiro. Cheguei lá e disse: quero cinco! Tinham quatro. Nem comi as quatro, mas paguei todas, não sobrou uma para os outros. As que não deram ficaram olhando, rindo, beijando, colaborando com a putaria. Noutro foi mais grave...
- Foi?
- Sim, fiz um empréstimo. Oito por cento ao mês. Aí pedi cinco, tinham seis. Paguei as seis. Estou endividado.
- Isso é grave.
- Mas nem sempre pago, não. Já fui “usado” por amigas. Três me usaram na mesma noite. Já sai com colegas, amigas, vizinhas, desconhecidas. O que não posso é ficar sem mulher. Uma mulher me disse que isso é vazio... Não há tempo para pensar nesse vazio. Vazio mesmo está meu saco. Há anos gozo todos os dias. De uma forma ou de outra. No mínimo uma vez por dia.
- Já amou alguém?
- Sim, várias. Ao mesmo tempo é claro.
- Não ajuda...
- No trabalho, doutor, só quero atender as mulheres, me abraçar nas colegas. Tudo com o máximo de respeito que posso oferecer. É que preciso olhar para mulheres, ter o cheiro delas nas mãos. Mas, respeito minhas colegas, embora não seja raro me masturbar no banheiro da firma pensando nelas.
- Durante o trabalho?
- Sim... O pessoal nem desconfia, acha que estou fazendo outras coisas... Mas é tudo no maior respeito, doutor. O meu caso é mais grave do que o senhor imagina. Por exemplo, agora, to apaixonado... pela sua filha.
- Minha filha?!
- Sim, meu sogro, aquela do porta retrato... - disse o Roger enquanto apontava o dedo em direção a bela moça que ele iria adicionar no Facebook assim que chegasse em casa.
- Bem, fale-me da sua infância... - mudou de assunto o doutor, enquanto recolhia a foto para a gaveta.
- Foi normal doutor. Meus pais trabalhavam fora, eu brincava em casa, a empregada me cuidava.
- Fale-me da empregada...
- Chamava-se Xana. É mãe do meu primeiro filho, doutor. Tenho um filho quase que da minha idade...
- Roger, não vai ser fácil. Você terá que participar de um grupo de pessoas com compulsão sexual. Um grupo com várias pessoas que falam sobre essa libido exarcebada, de forma anônima. Você tem interesse?
- Claro, se tiver mulheres por lá...

terça-feira, 3 de maio de 2011

a exibicionista

Quando ela pôs o pé esquerdo no painel do carro, ele correu os olhos, começando pelo sapato de salto alto na cor vermelha, passando pelas canelas grossas, joelho, chegando nas coxas roliças. Foi quando percebeu que o pé direito já estava posicionado no outro lado do painel, com a coxa encostada junto a porta do veículo. Os seios destapados estavam soltos, já que as alças do vestido preto haviam sido deslocadas dos ombros em direção aos braços. As mãos estavam no meio das pernas. Uma arredava a calcinha, e a outra acariciava o clitóris.
Por sorte não bateu o carro contra os postes. Por sorte os motoristas dos outros carros não colidiram entre si. Sorte tiveram os passageiros do ônibus, homens e mulheres, que ficaram abismados com a cena. Um rapaz sacou o celular e conseguiu bater algumas fotos, enquanto o ônibus era ultrapassado.
Ele já não sabia se ajudava na masturbação dela, ou na sua mesmo, ou então se dirigia em direção ao motel. Faltaram mãos, sobrou tesão. Principalmente quando ela arrancou a calcinha e jogou no banco traseiro. O sulco vaginal escorria pelo banco do carro. O cheiro do sexo exalava no interior do veículo. Ainda faltariam quinze minutos até o motel.
Ela debruçou-se sobre o seu colo e começou um sexo oral. Ele evitava acidentes, bem como procurava manter os olhos abertos. A bem da verdade, as buzinas dos outros veículos que transitavam nas outras pistas o mantinham acordado. Após deixá-lo completamente melado com sua saliva, ela escorou-se na porta do passageiro, abriu as pernas em direção ao desconcentrado motorista e pôs a dedilhar seu sexo. Maliciosamente, roçou um salto no seu pau, enquanto mordia o canto da boca.
O veículo transitava bem abaixo da velocidade e estava sendo ultrapassado constantemente. Sem condições de continuar dirigindo, ele encontrou uma entrada de uma estrada de chão. Encostou o automóvel, e mesmo com a transparência dos vidros, mesmo com o sol a pino, jogou-se de boca no meio das pernas da moça, enquanto livrava-se da calça e calçados. Então, deitou o banco do passageiro, a colocou de bruços e a penetrou ali mesmo, enquanto observavam pelo vidro traseiro os veículos que transitavam pela rodovia. Não foram ao motel. O tesão não permitiu que chegassem lá. Gozaram ali mesmo, exibindo-se à beira da estrada, para surpresa de quem por ali passava.

domingo, 7 de novembro de 2010

lembranças de um guri

Quando era guri, fui apaixonado por uma colega minha. Uma coleguinha de aula. Não digo na lata de quem se trata, pois hoje é uma mulher casada, vários filhos e as carnes já não são mais as mesmas. Infelizmente.
Costumava homenageá-la diariamente. As vezes, mais do que diariamente. Ao acordar, antes de dormir. Lembro de uma vez, quando ela foi com uma saia rodada, tipo colegial. Subi a rampa do colégio atrás dela, e juro por Deus, foi sem querer, acabei vendo as nádegas dela. As bochechas das nádegas. As duas. Emudeci. Ensurdeci. Naquela manhã, bati uma no banheiro do colégio. A vontade que eu tinha era de correr atrás dela e apalpar aquela bunda redonda. Seria bom se a nós pudéssemos fazer tudo o que temos vontade, não é?
Na verdade, se ao menos ela soubesse da minha existência. Mas, ela não me enxergava. Estudamos na mesma classe, mas ela não fazia idéia de quem eu era. Eu não jogava futebol de salão, eu não jogava basquete, eu não jogava handebol. Não tocava violão, nenhum tambor, não tinha fama nem nada. Só tocava punhetas em homenagem a ela. Eu era um ninguém naquele colégio. Apenas mais um a comer a merenda.
Nas minhas fantasias, ela fazia o melhor sexo do mundo. Não sei como poderia saber disso, diante da minha virgindade notória. Mas, pelo que via nas revistas, ela era a melhor, a mais completa, a mais cheirosa, um retrato da perfeição. E eu era um virgem, tímido e cheio de acne. Teve uma vez que ela falou comigo. Que voz suave, macia. Ela disse:
- Dá licença, baixinho! Que saco! - e passou, deixando aquele aroma de talco no ar. É, as pessoas usavam talco naquela época.
Era uma mulher feita, mesmo na pré-adolescência. Tinha seios grandes e firmes, coxas angulosas. Fumava alguma coisa com o pessoal da grêmio estudantil, escondidos. Dizem que ela transava com o presidente do grêmio, mas na verdade, saía com o capitão do time de basquete. Talvez saísse com os dois. Ou com o time inteiro de basquete. Era bem safadinha, o que, além do corpaço, a diferenciava das outras. E isso nos alucinava.
Quando ela passava, todos se cutucavam. Era a aluna mais conhecida do colégio inteiro, juntando-se todos os turnos. E despertava inveja das outras, lânguidas, miúdas, sem seios e sem bunda. Falavam poucas e boas dela. Diziam cada coisa, que eu desejava muito que fosse verdade todas as noites antes de dormir.
Esses dias esbarrei com ela na balada. Ela me olhou. Já não era a mesma, menos da metade do que era, mas a reconheceria sob qualquer circunstância. A chamei pelo nome. Ela perguntou de onde eu a conhecia. Disse que não importava, e menti dizendo que ela estava cada vez melhor. Ela continuava fumando. Tragou e me olhou de cima a baixo. Eu sabia que ela havia engravidado cedo, nova. Sabia que sua vida noturna dava inveja ao Romário. Bebia parelho com o Pagodinho. E imaginei, continuava safada como fora na escola. Peguei, foi fácil. Transei, foi bom. Ela tinha algumas manias, nada bizarro. Gostava olhar no espelho. Olhou do início ao fim. Tinha prazer se olhar no espelho. Depois fomos embora. Ficamos de nos encontrar por aí, a esmo. Nunca mais a procurei. Preferi ficar com a lembrança das minhas punhetas, onde tudo era perfeito.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

mães

O Roger não tem mãe. Na verdade, até tem, mas como é um grande filho da puta, considera-se um órfão. Sem o leite materno, e sem o leito familiar, Roger foi criado pelo mundo. Lembrei-me de uma expressão, que nunca utilizei, mas já ouvi, e que pode representar a forma como ele foi criado: a deus dará.
Enfim, talvez por não ter tido essa convivência materna, sempre viu nas mulheres mais velhas mulheres carinhosas e amorosas. Assim, sempre freqüentou bares e lugares onde tivesse a chance de ser adotado. Veja bem, não me refiro a prostituição. Falo de carinho e afeto. Mulheres mais experientes costumam ser mais carinhosas, atenciosas. Preciso experimentar, inclusive.
Tenho uma teoria, que diverge de uma outra teoria, que li alguma vez, que fora escrita por aqueles pesquisadores que ganham para elaborar estatísticas que justificariam seu trabalho, caso elas fossem eficazes realmente. Observem: a estatística que li dizia, e demonstrava num gráfico também, que as mulheres atingem o seu auge sexual aos 32 anos. E os homens..., bem, dados sobre homens não importam muito nesse blog. No gráfico, a linha das mulheres cruzava com a dos homens aos 28 anos. Ou seja, nessa idade, homens e mulheres teriam a mesma capacidade sexual (sic). Porém, nessa fase, os homens já estavam em declínio. Isso até poderia explicar o fim de muitos casamentos. Mas, através de minha teoria, acho que apenas é uma forma de enganação mesmo. Ouvi de um técnico de futebol, que estatística é a arte de enganar os outros com números. Concordo, ainda mais nessa questão sexual, onde números são apenas algarismos que não definem nada.
No estudo, uma virgem de 30 anos teria dois anos para atingir sua capacidade suprema. Mas, penso eu, que uma mulher vivida, mãe desde cedo, sexualmente ativa, chega bem antes dos 30 ao seu auge sexual. Rá! Destruí a teoria dos estatísticos e pesquisadores. Lá vai a minha teoria bombástica: minha teoria diz que uma mulher só atinge a sua plena capacidade - maturidade - sexual depois de uma gravidez.
Melhor do que pesquisadores de laboratório, Roger, um rato de laboratório solto pelas ruas, pode comprovar que minha teoria pode, ou não, estar certa. Afinal, é apenas uma teoria.
Eu teorizo e ele afirma categoricamente que a mulher só atinge o seu auge sexual após uma gravidez. Antes de dar à luz, a mulher não conhece o seu corpo como um todo. A partir do parto, a mulher passa por um período de recuperação, onde amadurece de vez. Quando retorna a vida sexual, a mulher deixa para trás a menina. Assim, mães atingem o orgasmo mais facilmente, independente da idade cronológica. Além disso, o instinto materno faz com que cuidem de seus parceiros com mais afeição. Protetoras, colocam os parceiros para dormir, fazem cafuné e contam histórias de ninar. São mulheres, mas além de tudo, são mães. Mas, isso é apenas uma teoria minha, sem gráficos, comprovada pelo Roger, e - infelizmente - não ganhamos salários de pesquisadores. Logo, nossas estatísticas não servem para enganar os outros por aí.

terça-feira, 1 de junho de 2010

homem de confiança

O Roger era daqueles caras que entrava num lugar e ganhava a simpatia de todos. Não tinha inimigos, estava sempre de bom humor, rindo de tudo, brincando com todos. Simpático como poucos. Tenho certeza que se um dia eu chegasse em casa, cansado do trabalho, e o visse sentando na minha sala, assistindo televisão e segurando o meu controle remoto, zapeando nos canais de esportes, e a ele fosse apresentado como sogro, ficaria orgulhoso, seguro que a minha filha teria feito uma boa escolha. Cara camarada, conversador, inteligente, culto e com um humor refinado. A noite, comentaria com a patroa:
- Acho que agora a fulaninha fez uma boa escolha, né? - diria convicto que meu genro Roger seria um marido e um bom pai.
Lego engano, caros leitores. Ainda bem que não tenho filhas. Diferente de mim, Roger não era fiel. Muito pelo contrário, era um aventureiro nato. Sempre que podia, dava uma escapada. As namoradas, claro, não mereciam. Se desconfiavam, faziam tal qual a maioria das mulheres, tapando o sol com a peneira.
- Roger, essas são as chaves da casa. Essa é a do portão. Vem cá... Essa é a senha do alarme. A chave do carro fica escondida aqui. A casa é tua, pode usar, dormir aqui. Só alimenta o Bethoven e troca a água dele. - disse o sogro, antes de partir em viagem no feriadão.
- Não vou usar nada não, mas venho aqui cuidar dele. - falou como um bom moço.
Desta vez ficou sensibilizado. A família toda da namorada iria passar uns dias em viagem. Deixaram ele como responsável pela casa, para acender luz, apagar luz e cuidar do cachorro de estimação da família. Disse que desta vez, não iria aprontar. Ao menos na casa que estava sob sua responsabilidade.
No dia seguinte ao da viagem, pode finalmente, reencontrar uma velha amiga, que queria uma tarde de sexo. Eram muito novos quando transaram pela primeira vez, ambos inexperientes. O tempo havia passado, ela crescido de forma curvilínea. Tarde boa, de sexo. Mulher boa, de sexo. Saiu da casa dela e resolveu que durante o resto do tempo, até o retorno da amada, andaria nos trilhos.
A noite, uma festa de formatura. Andava de cabisbaixo, evitando cruzar olhares com aquelas mulheres maravilhosas que estavam na festa. E mulheres ficam lindas usando vestidos longos. Até mesmo as que não são lindas.
- Roger, minha amiga quer ficar contigo.
O trem havia descarrilhado. Não queria, não podia, mas a oportunidade surgiu. Como pode acontecer isso? Não olhou para ninguém, queria ser sério àquela noite, já que naquela tarde não havia sido.
- Quem é ela?
- Aquela!. - disse a amiga apontando com os olhos.
A casa caiu mesmo. Linda, gostosa, perfeita. “Agora fudeu!”, pensou. “Fico ou não fico? Fico ou não fico? Vou ficar.”
Ficaram e ele a levou para casa. Não para a dele, que morava longe e com os pais. Levou para casa do sogro, que morava perto e que não estava em casa. Na sala, muitas fotos. Fotos do sogro, da sogra, da namorada e do resto da família.
- De quem é essa casa? - perguntou a moça enquanto olhava os retratos.
- De um amigo. Eu cuido quando eles viajam.
E ali, na sala, sob olhares incrédulos da família toda, transou com a moça gostosa. Exausto de uma tarde de sexo, e envergonhado dos olhares que vinham dos porta-retratos.

terça-feira, 2 de março de 2010

a mesária

Uma das primeiras “profissões” do Roger foi ser mesário, nas eleições. Fora convocado para trabalhar nas eleições presidenciais, justamente como, vejam só, presidente de mesa. Sentiu-se honrado, importante. Participou de reuniões antes da eleições, preencheu ata, instalou urna, fixou cartazes. Foi um digno representante da sociedade no processo democrático. Ganhou um vale alimentação e folga no seu emprego, para descansar durante a semana. Preço do vale alimentação: 10 pratas. Torceu pelo segundo turno.
Comandou mesários, secretários. Tudo isso aos dezoito anos. Estava orgulhoso. No primeiro turno, nervoso, fez a barba rala e foi até a sua seção. Colocou a melhor e única camisa que tinha. Não dormiu direito na noite anterior. Lera que poderia dar voz de prisão, caso alguém tivesse um comportamento inadequado no recinto.
- O senhor está preso! - sonhou. Acordou apavorado, rezando para que nada fora do contexto acontecesse.
Pela manhã, no café, releu as instruções. Foi cumprir sua tarefa. Chegou cedo. Esperou pela chegada dos mesários. Quem seriam eles? Tinha os nomes em mão, mas não fazia idéia de quem eram.
- Bom dia! - disse o mesário, único homem da lista, e primeiro a chegar.
Minutos depois, chega a secretária. Uma senhora, casada, com cabelos loiros amarelados, desses que até mesmo o Roger percebia não serem cabelos naturais. Dez minutos depois, chega a outra mesária. Uma mulher com cabelos crespos, casada, mãe de dois filhos. Já não tinha o corpo de uma menina, longe disso. As duas gravidezes foram implacáveis àquela morena de rosto bonito. Todos já se conheciam, já haviam trabalhado nas eleições municipais, dois anos antes. Roger era a única novidade, naquela equipe.
Eleição tranqüila. Seção mais tranqüila ainda. A mesária loira havia levado café, com um bolo feito nas formas redondas. O mesário, precavido, levou uma mateira. A mesária morena, levou chocolates. Roger não levara nada, talvez por que não tenha pensado nessas coisas, preocupado que estava com o andamento da votação. Aproveitaram o andamento da votação para conversar bastante.
Descobriu que a mesária morena, tinha dois filhos, que tinha 25 anos, que o relacionamento conjugal já não era como dantes. Carente, fazia críticas ao matrimônio. Tampouco fazia questão de esconder suas escapadelas. As conversas fluíram de forma impressionante, de forma a ruborizar a face do jovem rapaz. Na mesma hora, percebeu sua malícia, ao pedir carona, na hora do almoço.
- Tu tá de carro? - perguntou a mesária morena.
- Sim. - respondeu tímido.
- Me dá carona? Moro pelo caminho. - disse despudoradamente, com um sorriso safado no canto da boca.
Foram almoçar. Tinham menos de uma hora. Dentro do carro, ela ataca o rapaz.
- Nós não vamos pra casa direto, né?
A pergunta era a deixa para levá-la para uma estrada de chão, nas proximidades, onde tinha pouco movimento. Sem tempo para conversas, beijaram-se e despiram-se somente o necessário. Ele desabotoou a calça jeans, mais nada. Ela levantou o vestido cumprido que usava, baixou a calcinha, e mais nada.
As rapidinhas tem o seu valor. Ainda mais em uma situação como essa, onde a falta de tempo, somadas ao tesão da ocasião eram os fatores preponderantes. Ele não sabe bem precisar o tempo, mas crê em torno de 5 minutos, exageradamente falando. Depois, vestiram-se e foram almoçar.
A tarde, ela foi a última a sair da seção. Era uma mesária dedicada. Ela queria mais, queria marcar algo. Ele não queria rolos com mulheres comprometidas. E ainda tinha de levar o disquete até o Cartório Eleitoral. Mas, ambos queriam o segundo turno. E os candidatos ao governo do Estado proporcionaram um novo encontro e mais dez reais no bolso do jovem Roger.
No segundo turno, Roger já sentia-se um veterano em eleições. Até dormiu bem na noite anterior. O eleitor tinha de apertar dois botões, para colocar o número do candidato, e depois o verde. Pronto! Fácil. Não tinha como algo dar errado, e não deu. Seção vazia, pacata. Na hora do almoço, Roger ofereceu:
- Vai precisar de carona hoje, de novo? - perguntou faceiro, como um guri com uma bola nova embaixo do braço.
- Hoje não, meu marido vem me buscar.
Não seria daquela vez. A tarde passou de forma lenta, arrastada. Repensou sua participação na democracia brasileira. Pesou os dez contos que ganharia, enquanto que seus amigos jogavam bola na praça, perto da sua casa. Aquela negativa, por parte da mesária morena, soou como uma voz de prisão a um militante fazendo boca de urna. No final do dia, ela foi a última a sair. E deixou um bilhete, com o número de celular, com uma frase abaixo que dizia: “Me liga terça, depois das 6”.
Depois, voltou e perguntou:
- Tu gostas de leite condensado?
- Gosto.
Terça feira, seis hora da tarde, ele liga. Ela atende. Explica que o esposo saía pra trabalhar a tardinha, já que era vigia noturno e só voltava pra casa, no outro dia, pela manhã. Marcaram um encontro para quinta feira, já que na quarta ele folgaria. No dia combinado, na hora combinado ele a apanha, de carro.
- Oi.
- Oi. Passa naquele mercado, antes de irmos para o motel? - solicita ela.
- Claro.
Ela desce e volta com uma embalagem de leite condensado. Naquelas embalagens Tetra Pak.
- Vou te chupar como ninguém nunca te chupou antes. - diz ela, sabedora da pouca idade e experiência do guri.
De fato, ela tinha razão. Poucas vezes havia recebido sexo oral. Nunca havia recebido sexo oral com leite condensado. Ela espalhou a guloseima pelo corpo dele. Pelo peito, mamilos, barriga, umbigo. Espalhou também pelas pernas, coxas, virilha. Guardou uma dose generosa para o pau. Lambeu tudo. Tarada por sexo oral, tarada por leite condensado. Transaram o restante do tempo estipulado pelo motel. Na saída, Roger perguntou:
- Não vai levar o resto do leite condensado?
- Não. Deixa aí.
- Não. Eu vou levar.
Roger a deixou perto da sua casa. Viram-se somente mais uma vez, num evento. As crianças, o marido e ela. Pareceu um bom pai, o pobre marido traído. Cumprimentaram-se discretamente. Depois, nunca mais se encontraram.
No dia seguinte ao motel, a tarde, Roger fez pipoca, e, rindo sozinho, terminou de vez com o leite condensado e com aquela história. A história da mesária tarada por leite condensado.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

o pescocinho

As vezes temos a impressão que já vimos de tudo. Daí a vida nos surpreende e surge algo novo, que você não tinha imaginado. Então você pensa: - Cara! Que mundo louco esse!
Aprendi que no sexo não existe certo ou errado. Basta que os dois, ou os três, ou os quatro... enfim, basta que todos queiram, e está tudo certo.
O Roger diz que há muitos anos atrás, ouvia atentamente seus amigos contarem suas aventuras sexuais. Lembra da história de um deles, que saiu com uma menina que gostava um pouco de sadomasoquismo, digamos assim. Ele contou que ela pediu para levar uns tapas. Para o menino Roger, tapas na bunda, de leve, já seriam uma grande surpresa. Imaginem a surpresa do guri ao saber que os tapas eram no rosto. Na cara mesmo! Ele nem sabia que as mulheres gostavam de uns tapinhas, e descobre que algumas gostavam de apanhar de verdade. O vizinho dizia que batia no rosto dela, de mão aberta, e ela pedia mais. Ele batia e ela pedia mais. E para risadas de todos, disse ter de se conter para não enchê-la de socos.
Após muitos anos, Roger tem a sua oportunidade de tapear um rosto meigo de uma fêmea. Contra a violência, a favor do desarmamento até, teve de realizar os desejos da dama. Já havia percebido que ela gostava de dor. Quanto mais forte, e mais fundo, e mais dor, ela sentia mais prazer. Até que, com ele por cima dela, num romântico papai-mamãe, ela, carinhosamente, com sua mão direita pega a mão esquerda dele, e com sua mão esquerda segura a mão direita do rapaz e leva em direção ao seu rosto delicado...

Pausa esclarecedora:
Era uma boa moça, de família. Trabalhadora, funcionária pública, como tantas as outras que trabalham por aí. Bonita também. Sexy como poucas. Digo isso porque algumas pessoas devem pensar tratar-se de uma qualquer, sem escrúpulos, sem nada a perder ou qualquer outro adjetivo que venha a denegrir a imagem da moça. Ledo engano, caros leitores. (Leitores?!?! Alguém lê essa merda?)
Continuando...

... as mãos unidas em direção a face da amada, quando, de repente, uma pausa no trajeto faz com ambas mãos de ambos parassem no pescoço da donzela:
- Aperta? - pergunta docemente ela.
- Forte? - questiona um pouco surpreso.
- Forte! - faz questão. - Bem forte!
Ele disse que a sensação de enforcar uma mulher não lhe trouxe nenhum prazer, embora percebera que ela ficava cada vez mais excitada com o sufoca mento e um pouco avermelhada, eu imagino. Na verdade, trouxe-lhe lembranças. A do amigo contador de histórias na adolescência e a da morte do ator David Carradine (o Bill, do filme Kill Bill 1 e 2), que morrera dias antes, enforcado enquanto se masturbava num quarto de hotel. Ainda assim, pensando nessas coisas, conseguiu manter a ereção durante o estrangulamento da menina.
Óbvio que rolou tapa na cara. Ele batia com a palma da mão direita na face esquerda dela. Fazia barulho. A interjeição mais parecida era paft! Mas, não gosto de interjeições, pois pouco sei usá-las. Depois batia com as costas da mão, na outra face. A assim o fez sempre que ela pedia mais.
- Bate mais forte! Bate como um homem de verdade!
Daí lembrou do amigo novamente, e da vontade indescritível de socá-la com toda sua força. Como se fosse um lutador de luta livre. Só ficou com dúvida que socava o nariz redondinho ou os dentes bem delineados. Mas, deu mais uns tapas e a calou com um beijo na boca. Isso porque sempre agiu assim pra ser um homem de verdade.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

toalha de rosto

Homem é tudo igual mesmo. Desconfie das exceções. A vaidade, por exemplo, tem um certo limite. Homem que faz sobrancelha, desconfie, por que essa madeira leva prego. Preocupação excessiva com roupas é exagero de vaidade, logo, desconfie. Homem fiel, até existe, mas esteja atento as oportunidades que ele teve. Homem que não gosta de futebol, e prefere ginástica ou nado sincronizado: cuidado ao quadrado. Homem que não bebe bebida alcoólica é complicado, mas, estejam atentas aos que só tomam destilados de puta, tipo Martini, Ice ou Keep Koller. Homem que não sonha em ter o pay-per-view, cuidado de novo! Homem que acha filme pornográfico sem graça; grandes chances de morder a fronha. Faz parte de nós homens isso, está intrínseco. Até o príncipe encantado gosta de pay-per-view!
Quando a mulher casa, ou namora, ela adquire um pacote completo. Um combo de possibilidades que nem sempre se parecem com o tal príncipe encantado montado no cavalo branco. O homem quando morre, digo, quando casa, também adquire um pacote. A sogra, a TPM, a cunhada linda que nunca (ou quase nunca) irá pegar, uma série de restrições impostas aos homens teoricamente fiéis. Vou explicar: você tinha internet banda larga e agora tem internet discada. Você tem TV a cabo, e agora instalou uma anteninha portátil que pega dois canais abertos com chiado. Você vai na churrascaria e leva um sanduíche de ricota. Você vai ao Rio de Janeiro e deixa de ir ao Maracanã. Você anda de avião é só há comissários de bordo. Sua vida perde um pouco do colorido. Esse é o nosso pacote.
Agora, tudo tem um certo limite. Até mesmo o Roger por vezes passa do limite. Dias atrás, conversando animadamente sobre sexo, contávamos que todo homem, vou frisar em negrito e maiúsculas TODO HOMEM, limpa o pau na pia e seca com a toalha de rosto depois de uma foda. Não adianta ficar com nojinho não. Você, em algum dia da sua vida, já secou o rosto numa toalha que já secara antes um pau sujo de sexo lavado na pia. Se você cursou faculdade então, suas chances aumentam muito. Pois o Roger passou do limite. Contou que uma saiu do quarto da menina, na casa dela, pelado, com tudo balançando e foi em direção ao banheiro. Chegando lá percebe que o banheiro está ocupado pelo irmão dela, que morava com ela. Não pensou duas vezes e foi em direção a cozinha, pois também havia uma pia lá. Lavou. Lavou, mas precisava secar. No escuro, tateou um pano de prato. Bem, nem todo homem usa uma toalha de rosto, afinal nem sempre temos uma por perto.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

masturbação

O Roger é o maior defensor da masturbação. Não apenas um teórico, mas também um prático. Desde cedo, vendo a Xuxa sob as cobertas, pelas manhãs frias do Rio Grande do Sul, descobrira que o prazer é muito íntimo da imaginação. Depois da Xuxa, as paquitas. Depois das paquitas, as vizinhas, as colegas de aula. Cada coleguinha, cada uma mesmo, mereceu uma atenção especial nas manhãs sob as cobertas, ou a noite, antes de dormir. Algumas eram bem melhores na imaginação do que na vida real, descobria depois. Na imaginação eram deusas do sexo, capazes de posições nunca antes sonhadas, com um exato encaixe. Na prática, eram perspicazes como bonecas infláveis.
E assim, cresceu. No início a punheta era com três dedinhos, pau pequeno, sabe como é. Com o passar dos anos, passou a comer o cu da mão no banheiro. Até ejacular de verdade, porra mesmo, só mais tarde. Daí empurrava com os dedos do pé os espermas, direcionando-os ao ralo.
A prática o tornou um teórico. Vamos as teorias:
É lenda essa história de espinhas no rosto, pelos na mão ou que masturbação vicia; é pura mentira. Nada melhor para conhecer seu próprio corpo do que a masturbação. Logo, masturbe-se!
Evite dormir logo após uma punheta! Não deixe o seu corpo acostumar com a idéia de que após o gozo você pode dormir. Dá muita vontade, mas quando estiver com uma mulher, ela com certeza não irá gostar.
Assim como no futebol, a masturbação é um treino para o jogo, que no ato sexual equivale a transa. Logo, nunca bata uma punheta apenas. No sexo, você é aquilo que você treinou ser. Duas é o ideal.
Prolongue a masturbação o máximo que puder. Masturbar-se por cinco minutos é preocupante. Suas chances de ser um ejaculador precoce são grandes.
Masturbar-se sempre na mesma posição deixa o corpo mal acostumado. Logo, treine no banho em pé, sentado, deitado. Mas, não exagere, bater punheta dirigindo pode sair caro.
Por fim, quando você estiver cansado dessa vida monótona, desestimulado até, Roger aconselha: saia da rotina! Bata punheta com as duas mãos.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

o odor

Roger é um mortal. Um mortal como outro qualquer. Já fracassou. Mas, teve suas justificativas. Conta que conheceu uma menina. Era bonita, interessante, meiga. Ficaram algumas vezes. Sexo é que era o problema. Mulher difícil, enrolada.
Conta sobre uma vez, no carro. Amassos, arretos e coisa e tal. Sexo que é bom, nada. Cansou de insistir. A deixou em casa, bravo, injuriado. Além do tesão notório, a mulher bonita e enrolada fedia. Sim, fedia de ser mau cheirosa. E não era esse mau cheiro gostoso de buceta. Era algo que nunca havia visto. Imaginou que era falta de banho. Afirmava que saiu de onde estavam, a levou pra casa, seguiu ao bairro onde morava, cerca de quinze minutos, até encontrar um amigo:
- Tchê! Vem cá! Cheira dentro do carro. - pediu.
Para confirmar sua mentira, diz que o vizinho perguntou:
- O quê!! Foi pescar?
Era algo sério o que havia com aquela menina bonita. Fedorenta que chegava a cheirar a peixe, tipo bacalhau. Um odor insuportável. Disse ao amigo sobre a menina e ainda explicou:
- Vim com as mãos pra fora da janela, pra ver se o cheiro saia. Abri os quatro vidros do auto pra ver se o cheiro amenizava. E nada. Impregnou!
Lembrou de uma outra ocasião, quando dera carona a uma outra menina, no mesmo carro. Ela havia tomado banho na praia do Laranjal, praia de água doce da cidade de Pelotas, cuja água sempre foi palco de coliformes fecais. Trouxe do Laranjal ao centro. Beijos de despedida e depois levou o veículo a um posto de combustíveis para trocar o óleo. Óleo e filtro, como ordenara o seu pai. Enquanto aguardava sentiu um cheiro ruim. Cheiro a esgoto. Lembrou da menina e colou o nariz no banco do carona, tal qual um cão farejador, imaginando que algum resíduo sólido tivesse advindo das águas pouco cristalinas da Laguna do Patos através do corpo da menina. Por sorte, o banco estava limpo. Soltou o freio de mão até que o veículo descesse a rampa e deixasse para trás a caixa de esgoto que havia no posto e que estava trazendo o cheiro desagradável para dentro do veículo.
Mas, Roger não deu-se por vencido e insistiu com aquela menina fedida até que houvesse sexo. Era questão de honra. Marcou um encontro num sábado de janeiro, à tarde, no local onde ela trabalhava. Ela estaria só, e lá deixaria para trás toda a frescura que havia tido até então. No meio da tarde quente, chegou ao local combinado. O local era envidraçado. Qualquer pessoa que passasse pela frente do estabelecimento comercial poderia ver, exceto se fossem pro banheiro.
- Vamos pro banheiro. Caso o meu chefe chegue aí, eu digo que tranquei a porta para ir no banheiro. - disse ela de caso pensado.
A frase não o deixou mais tranqüilo, eis que o banheiro era minúsculo. Azar! Precisava colocar seu pau dentro daquela mulher de qualquer jeito. Suava mesmo antes de entrar no banheiro apertado. Tão apertado que a pia ficava na parte de fora. O banheiro tinha menos de um metro quadrado. A basculante era minúscula e para completar estava emperrada e abria somente uma pequena fresta, por onde soprava um vento quente e úmido, tal qual os verões de Pelotas.
Ainda sim, tudo ia bem. Ele escorado na porta, ela de costas, ajoelhada sobre a tampa do vaso sanitário. Os pingos de suor caiam da testa diretamente nas costas da menina bonita. Mas, ela cansou dessa posição. Quis trocar. Sentou no vaso, com as pernas abertas e arqueadas em direção a ele. Ele só teve uns três segundo para perceber que ela era linda, mesmo suando a raiz dos cabelos. Depois, aspirou o odor. Três segundos foi o tempo em que o cérebro processou o odor. A partir daí, brochou. Não houve jeito. Culpou o calor, a janela que não abria, o suor que escorria.
Foi a primeira brochada. Não sabia bem como lidar com a situação, tampouco o que falar. Mas, estava tranqüilo. Não conseguiria fazer sexo naquelas condições. A menos que estivessem deitados sobre uma rede de pesca ou sobre uma banca de peixes. Esperou mais algum tempo e foi pra casa. Não disse que iriam transar novamente, não sabia se teria coragem. A viu mais umas duas ou três vezes. Na última, ela estava acompanhada, talvez namorando.
Teve certeza que não era falta de banho pois ela era quase toda cheirosa. A não ser que ela tomasse banho e lavasse a vagina com caldo de bacalhau, o que é bastante improvável. Provavelmente seria alguma bactéria, dessas que os ginecologistas explicam melhor do que eu. Talvez a menina bonita estivesse curada. Ou então, o namorado poderia ter sinusite aguda e não percebesse o cheiro ruim.
Anos mais tarde, encontrou um grande amigo. Conversa vai, conversa vem e falaram da menina bonita. Meio desconcertado, Roger comentou nas entrelinhas sobre algum problema que havia tido com a menina. O amigo fez questão de ouvir as entrelinhas, já que também havia tido problemas com a mesma menina bonita. Resumidamente, os dois haviam brochado com a menina. Roger contou sua história. O amigo contou a sua versão:
- Era inverno. Começamos em baixo das cobertas. Até que esquentou o negócio. Quando eu tirei as cobertas senti o cheiro. Era muito forte, nunca tinha visto algo assim. Brochei.
Eu nunca tinha visto dos homens felizes por terem brochado. Abraçaram-se na festa, emocionados. Mais do que isso, aliviados. Pareciam curados de uma doença incurável. Parecia que não se viam há anos. Mas, apenas estavam satisfeitos que o problema não era com eles, e sim com a menina bonita, coitada.

domingo, 22 de novembro de 2009

irmã, mãe e esposa

Na verdade são três. Mas, se complementam. Tem os mesmos personagens. O Roger, centro da história, e o coadjuvante. Os contos, se separados, perdem o seu valor e o seu sentido. Paciência terei eu em escrever. Espero que alguém tenha a mesma em ler um dia.
parte 1
Essa história é do tempo em que se faziam os lados. Sabem como era? Alguém diz pra você que uma menina quer ficar com você. Você aceita. Esse alguém vai até ela e diz a mesma coisa. Quase um cupido. O cupido marca a hora e o local. As vezes até diz:
- Tá pra ti! É só pegar!
As vezes você dá um “oi” antes de beijar. As vezes o “oi” era desnecessário. É só chegar e beijar. As vezes você despede-se com um “tchau”. Em outras é desnecessário.
Pois foi assim que o Roger ficou com uma menina. Ela era amiga de um vizinho de bairro. Loirinha cacheada, olhos azuis, magrinha tal qual eram as meninas de 14 anos. Local e hora marcada, lá foi o menino Roger.
- Oi!
Talvez não fosse preciso, mas sempre foi educado. Foi um beijo apenas. Nunca mais ficaram. Soube mais adiante que ela casou com um cara que batia nela. Quem entende esses covardes. Como pode bater numa menina com olhos azuis?
parte 2
Anos mais tarde, Roger teve de trabalhar. Arranjou emprego num 0800 desses, que dizem resolver alguma coisa. O horário era bom, calmo. Trabalhava das sete da noite a uma hora da manhã nos dias de semana e das oito da noite as duas da manhã nos finais de semana. Trabalhava até onze horas, na verdade. Depois desse horário o cidadão tem que ser muito pé-no-saco pra ligar pro 0800. Poucas vezes atendeu algo importante ou útil tarde da noite.
Pois bem, vamos ao que interessa. Após a meia noite, com os ramais quase que sem receber chamadas, formava-se dentre os funcionários uma roda de carteado. As vezes pontinho, as vezes canastra, em outra pife. Qualquer coisa que fizesse aquela última hora passar mais rápido os últimos minutos.
Roger percebera que todos os dias, após a meia noite, recebiam intercaladamente uma ligação. Pelo identificador de chamadas, via tratar-se de um celular. Os atendentes recebiam a ligação, falavam o jargão de identificação da empresa, seu nome e perguntavam “em que posso ajudar?”. Padrão da empresa. Só que desse número não havia resposta. Silêncio. Esse era o padrão de quem ligava. O atendente repetia o texto e tinha de volta o silêncio. Nem um suspiro. Nada. Apenas o silêncio do outro lado da linha.
Duas vezes. Duas vezes foram as vezes que o Roger atendeu esse número. Já haviam comentado na empresa que alguém ligava daquele número de celular todos as noites, após a meia noite, e não falava nada. Na segunda ligação Roger anotou o número. Resolveu ligar no outro dia, a tarde. Voltou ao carteado, já estavam lhe esperando.
No outro dia, não tardou a ligar. Perto das duas horas da tarde ligou. Perguntou quem era e disse que era engano. Teve que trabalhar mais alguns dias até receber uma ligação daquele número de celular no seu ramal. Interrompeu o jogo de cartas, posicionou-se no seu “brete”, colocou o telefone no ouvido e atendeu, com o texto da empresa decorado nos seus lábios. Como resposta, o silêncio. Tenta mais uma vez, conforme os procedimentos da empresa. Sem sucesso. Roger interrompe o silêncio dessa vez, dizendo o nome da mulher que o atendera as duas da tarde.
- ... Como você sabe meu nome?!?! - espanta-se a cliente.
- Pode falar. Aqui, depois da meia noite não temos movimento. Quer conversar? - questiona, prestativo.
- Como sabe meu nome?
- Dias atrás liguei pra esse número. Temos bina aqui. Anotei o número e liguei. Perguntei seu nome e disse que era engano.
- ... Que vergonha. Não sei o que dizer. - disse após hesitar por alguns segundos.
- Não fique. Gosto de conversar com as pessoas. Isso acontece seguidamente. - mentiu.
Resumidamente, conversaram outras noites, pelo 0800, sempre após a meia noite. Ela ligava quantas vezes fossem necessárias até ser atendida no ramal dele. O carteado ficou prejudicado. Mas, o papo fluiu. Descobriu que ela estava separada há poucos meses, que tinha três filhos, e que, vejam só, morou há anos atrás no mesmo bairro em que morou nosso atendente. Pelas características e circunstâncias, desconfiou tratar-se de da mãe da menina loirinha de cabelos encaracolados e do seu vizinho. Mulher mais velha, mais experiente, mãe de um amigo de infância e mãe de uma ex namoradinha da adolescência seria a soma perfeita de conquistar o pecado. Suspeitas a parte, com muita insistência, conseguiu marcar um encontro.
No condomínio onde ela morava, no salão dos fundos. Ele iria de moto. Ficaria com o capacete no colo, sentado num banco qualquer, em frente a moto. Ela iria com a cuia numa mão e com a térmica noutra. Na hora combinada ele chegou. Cinco minutos depois, foi a vez dela. Já não restava dúvidas. Era ela mesma.
Bem diferente da filha, que tinha um rosto bem desenhado, olhos azuis e um sorriso tímido, a mãe já demonstrava sinais da idade. Com mais de 45 anos, percebia-se na face e nas mãos os traços deixados pelo tempo. Em contrapartida, era mãe de um vizinho e de uma ex ficaste, o que lhe valia um diferencial perante outras senhoras.
Pouco tempo depois, entre o saboreio de um mate e outro, foram ao apartamento. No imóvel, as fotos. A foto do mais velho. Do amigo. E da filha caçula. Fotos do tempo em que se conheceram, brincando nas praças do bairro onde moravam. Não havia fotos do ex marido.
Resumidamente, dentro do apartamento, ela negou-se a beijá-lo. Dizia-se velha e incapaz de beijar alguém tão novo, da idade de seus filhos. Estranhamente, não negou-se a chupá-lo. E com o membro em sua boca, engoliu todo seu sêmen. Depois, despediram-se com um balançar de cabeça. Ela o viu ir embora, para nunca mais ligar para o 0800.
parte 3
A possibilidade que a internet nos proporciona de conhecermos alguém é algo que me impressiona até hoje. Algumas pessoas dominam todos os meios possíveis de fazer isso. Desde sites de relacionamentos, passando por programas de conversas instantâneas e salas de bate papo. Nada há de errado há nisso.
Certa vez, navegando por uma sala de bate papo, o Roger foi abordado por um casal, cujo apelido no chat era algo do tipo ‘casal26‘, ou algo do gênero. Após toda conversa de protocolo, o que é praxe em salas de bate papo, trocaram MSN, afim de manterem contato noutra oportunidade, para realizar o desejo do casal. Teclou com ela durante esse primeiro momento.
Conversaram outras vezes pelo MSN. O casal queria, durante o ato sexual, a presença de outro homem para realizar um ménage masculino. A novidade era interessante para o personagem deste blog. Ele insistia, mas segundo as regras dela, não poderia haver nada combinado. O encontro teria de ser ao acaso.
- Coloca uma foto sua aí - pediu ela.
- Ok.
- Eu te conheço! - diz ela, após carregar a imagem.
Sabe aquela sensação de que você foi descoberto de algo que você fazia errado? Sabe quando sobe aquele calor, que o deixa ruborizado? Ou quando você fica sem reação, sem saber o que dizer? Mas, o que fazer? Bloquear ou excluir o contato e perder a chance de realizar uma fantasia por vergonha de algo que não há o porquê se envergonhar. Ou mostrar-se tímido, ou arrependido, quando na verdade confiava em si, era um cara legal, e sendo conhecido dela ou do casal teria suas chances aumentadas.
- Conhece? - questiona ele - De onde?
- Uma vez, na pizzaria. Nós estávamos lá e você o cumprimentou. Perguntei quem era, por que tinha te achando bonitinho.
- Quando? Em qual pizzaria? - enquanto tentava lembrar de todas as vezes em que já fora em alguma pizzaria e de todos conhecidos que já cumprimentara.
Não havia jeito. Ela precisava confiar nele. Não adiantava forçar nada. Ela não diria quem eram, com receio. As fotos do casal, não mostravam o rosto. Via seios, bunda, buceta e em uma foto, viu os cabelos. Era loira. Mas, loiras são muitas, mesmo que não naturais. Foi por eliminação que desconfiou de alguns casais, onde o conhecido namorava com uma loira. Com o passar do tempo, foi aumentando a confiança dela no Roger. Era questão de tempo descobrir quem era. Até que um dia ela coloca a foto do namorado, do rosto. Era ele, o vizinho. O irmão da menina loirinha de cabelos cacheados e filho da senhora carente que ligava para o 0800. Era muita coincidência, mas era verdade. O fato é que, independente do passado familiar, lembrou da namorada dele. Uma loira linda, seios fartos, bunda redonda, mulher tipo violão. Fazia algum tempo que não a via, mas pelas fotos, ainda mantinha um corpo bonito. Sempre foi impossível não notá-la. Impossível ser diferente. Ademais, ela tinha algo que a mãe dele tinha. Era cunhada da menina. Era nora da senhora. Não era apenas uma loira que fantasiava um ménage, liberada pelo marido. Era mais do que isso.
Após a revelação ela some. O MSN permaneceu off por bastante tempo. Pensou ter sido excluído. Geralmente era assim. Ela conectava em épocas incertas. Algum tempo depois conectou novamente. Mas, diferente das outras vezes não o chamou com um ‘oi’. Ele então clica no MSN do casal e a chama:
- Oi!
- Quem é?
Ali, percebera que quem havia conectado no MSN era ele e não ela. O seu amigo de infância. o seu vizinho. Não havia o que fazer. A mesma sensação de ter sido descoberto. De estar fazendo algo errado. Agiu com maturidade, muito embora tenha pensado em ficar off line ou bloquear o contato.
- Sou eu. O Roger.
Após alguns minutos ele questiona:
- Faz tempo que tu teclas com ela?
- Faz algum tempo. Não muito. - não queria prejudicá-la. Essas relações são baseadas na confiança e ao que tudo indica ela não havia comentado sobre as conversas, sobre as fantasias, sobre o ménage com um conhecido. - Mas, não te preocupa. Pode confiar em mim. Não quero expor vocês. - complementa ele diante do silêncio preocupante do seu amigo de infância.
Tão logo leu, deve ter saído do MSN. Deixou o Roger sem resposta. Sem saber o que ele teria achado da conversa, tampouco da idéia de dividir sua namorada com um amigo. Essa foi a última vez em que falaram pelo MSN.
Algum tempo depois, numa festa conhecida da cidade, Roger, acompanhado de um casal de amigos percebe a entrada do casal. Era a primeira vez que os via pessoalmente após as conversas pela internet. Inevitavelmente, eles passariam pelo Roger. Não havia outro corredor, não havia mais espaço. Ela passa. Ignora-o. Ele passa e o cumprimenta.
Na pior das hipóteses não houve problemas com o casal. Tampouco, na relação entre eles. Resolve aproveitar a festa, junto com o casal de amigos e curtir a banda. Entre um gole de cerveja e outra, percebe que eles voltam. Ficam entre a banda e ele. Mais um gole de cerveja e ela estava só. Olha. Era bonita mesmo. Estava com um decote tentador. Mas, olha em direção a banda também. Enquanto olhava, ele volta e percebe que Roger olhava em direção a moça loira. Faz um sinal. Roger resolve servir mais um copo de cerveja. Olha pro copo, tentando disfarçar e até mesmo entender o que significava aquele sinal. Serviu. Sorveu um gole. Olhou em direção a banda e percebe que só estava ele. Ela havia saído. Foi no banheiro decerto. Ele o chama:
- Daí.
- Beleza!
- Vem cá! Tu já conversou com ela, né? Pelo MSN...
- Já. Já sim. - era notório a insegurança do Roger diante do fato novo. Não sabia como agir.
- Pois ela te quer! Tira ela pra dançar. Chega nela. Ela te quer hoje!
- Deixa pra mim! - disse ele demonstrando confiança que provavelmente não tinha.
Era a oportunidade que sempre quis. Aquela que sempre tentou pelo MSN. O destino estava dando a oportunidade. O acaso era naquela noite. Voltou ao convívio dos amigos. O coração estava muito acelerado. Uma mistura de medo com excitação. Nunca havia transado com uma mulher na frente de outra pessoa. Imagina na frente do namorado dela! Ele fazia sinal com a cabeça o incitando a agir. Foi em direção à moça, que agonizava na fila interminável, daquelas que sempre tem nos banheiros femininos.
- Oi. - disse no ouvido dela.
- Oi.
- Tu lembras de mim?
- Claro. Lembro sim...
Conversaram por alguns minutos, sobre as futilidades do cotidiano. Só não falaram sobre o tempo. Papo de protocolo. Até que Roger diz uma das suas mais estúpidas frases que já disse na vida:
- Bom, vou te deixar na fila do banheiro e vou lá ver meus amigos. Se precisarem de mim é só me chamar.
No meio do caminho é abordado pelo seu amigo:
- Cara, tu tens que chegar nela! Tens que ir pra cima. Ela te quer, mas se tu não chegar nela ela não vai te dar. Vai pra...
- Amor! Vamos ter que sair daqui. Vamos pro bar que tem na ali na frente. Preciso usar o banheiro. A fila aqui vai demorar. Temos que sair - ela interrompe a conversa do seu namorado com seu futuro amante.
- Vamos? - Pergunta o namorado ao novo amante.
- Vamos.
Na saída despede-se dos seus amigos, que não entendem a saída repentina.
- Depois te explico. Depois te explico. - disse Roger ao sair.
No bar, em frente a festa, ela foi direto ao banheiro. Ele ficou ouvindo as orientações inacreditáveis do seu ex vizinho:
- Não dá espaço. Chama ela e gruda um beijo nela. Ela ta louquinha pra te dar. Tu já fez isso antes? Não importa. Ela te quer. - explicava enquanto gesticulava sem parar até ela voltar do banheiro.
Antes dela chegar ele se afasta. Ficam conversando, sobre outras futilidades. O ambiente é iluminado por demais. Não havia possibilidade de cumprir metade das orientações que havia recebido. Além do que a dona do bar é amiga em comum do casal e do Roger. Ele evita fitar o amigo dentro do bar, embora perceba que está sendo observado. Não consegue evitar e olha pra ele, que gesticula, quase exigindo um beijo do seu amigo na sua namorada. Definitivamente, nunca havia se sentido tão despreparado para alguma coisa:
- Olha, tu me desculpa, mas não sei o que fazer, não sei como agir. - diz ele na esperança de receber piedade da moça.
- Do que tu ta falando? - pergunta irônica.
- Como ‘do que que eu to falando?’. Tu sabes do que to falando!
- Eu sei. E tu ta agindo bem, com naturalidade. - responde rindo, debochando.
- Mas, ele não para de olhar e fica gesticulando... Olha lá!
- Não dá bola pra ele, ta bêbado. - diz escorada na parede enquanto o namorado vem em direção ao casal.
- E aí? Vais ficar com ele ou não? Tu não falou que quer? Então, não enrola o cara. Fica com ele. - esbraveja impaciente.
- Eu quero. Mas, aqui não. Olha a luz. Os conhecidos. Tem que ser em outro lugar.
- Vamos pro nosso apartamento então.
- Vamos.
- Vamos? - perguntam os dois ao Roger, que até então apenas observava a negociação como um mero objeto.
- Vamos.
Foram de táxi. Enquanto o namorado dela ia na frente, negociando o preço da corrida, o casal estava em silêncio no banco traseiro.
- Vamos pegar uma cerveja no posto de conveniência? - pergunta o amigo.
- Vamos.
- Desce comigo, então.
Compraram seis cervejas, dessas tipo long neck. Dividem a conta, assim como dividiriam o táxi. Até voltar ao táxi, recebe mais orientações:
- Aproveita na ida e vai passando a mão nela. Coloca o pau pra fora que ela gosta.
No condomínio, uma caminhada até o apartamento que pareceu demorar uma eternidade, tanto pela falta de assunto, quanto pela vontade de chegar logo pra fazer o ménage. Chegaram. Ela mostra o apartamento. Uma cozinha tipo americana, conjugada com a sala. Um banheiro, uma área de circulação e os dois quartos. O quarto do casal e o quarto da filha do casal. Sim, eles tinham uma filha, que estava com avó. Ele circulava como se não houvesse mais ninguém no apartamento. Conectou à internet e tomava sua cerveja. Ela mostrava as fotos do casal, da filha do casal. Ambiente muito familiar para o que estava por vir. Ela resolve colocar um DVD.
- Tenho Papas e Acústico Bandas Gaúchas. Qual tu preferes?
Não era momento para escutar papas. Colocou o rock das bandas do Sul. Não havia clima.
- Esquece que ele ta aqui. Faz de conta que somos só nós dois. - diz ela tomando a iniciativa de beijá-lo, ambos em pé, no meio da sala, com as luzes acesas.
- Onde eu apago a luz? - pergunta o Roger, tímido.
- Amor, apaga as luzes aí.
O sexo foi bom. Muito bom. Na sala, no sofá-cama. Ela fazia um sexo oral caprichado. A dificuldade em manter a ereção vinha das fotos e dos flashs da máquina digital que ele fazia questão de guardar como recordação. O computador onde ele acessava a internet ficava na área de circulação, na frente do banheiro, e de lá só saía para ser o fotógrafo. Fotografava e voltava ao computador. Durante toda a foda, um ensaio fotográfico. Muito sexo oral, papai-mamãe, ela de quatro. Foi quando ele participou. Foi chupado enquanto ela era penetrada de quatro pelo Roger. Vinha mantendo a ereção firme e forte quando ouviu:
- Tu és uma safada, né? Tu és uma puta, né? Tá gostando de dar pra ele? Vai gozar no pau dele? Goza no pau dele, vagabunda!
Ela gozou. Ele gozou. O objeto Roger não. Algo lhe dizia que ainda faltava algo. A foda não havia terminado.
- Quer dar o cu pra ele? Tu quer dar o cu pra ele, né?
- Quero.
- Não ouvi. Diz de novo!
- Eu quero. Traz o lubrificante.
Roger era um objeto. Estava ali, realizando a fantasia do casal. Dela, em dar pra outro. Dele, em vê-la sendo fudida por outro cara. Eles conversavam entre eles. Roger observava, ouvia. E agora iria fazer sexo anal naquela gata. O namorado lubrificou o ânus dela. Roger lubrificou o pau dele. Antes de colocar, aguarda o amigo buscar a máquina. Queria fotografar o momento:
- Espera aí. Não coloca ainda. Deixa na portinha que quero tirar uma foto.
Nosso herói do blog broxou. Ele acha que foi pelo ‘na portinha’, mas pode ter sido pelo flash. Ela ali, de quatro, esperando. Ele colocou na buceta, bombou até endurecer de novo, para só então, sem fotos, sem flash, comer o cuzinho dela. E comeu com vontade. Até o namorado dela voltar do computador, quando percebeu que ela gemia com o sexo anal:
- Tu gostas de dar do cu, né? Tu és uma puta! Quer que ele goze no teu cu? Quer que ele goze no teu cuzinho?
- Quero. - sussurrou ela.
- Não ouvi. Repete pra ele ouvir. Repete, vagabunda!
- Eu quero! - grita com raiva e tesão misturados.
- Goza no cu dela! Goza no cu dela! - ordenou o namorado, irmão da loirinha de cabelos cacheados e olhos azuis e filho da senhora carente que ligava pro 0800.

sábado, 7 de novembro de 2009

a muda

De todas as histórias do Roger, a que mais nos fez rir foi a da muda. Isso mesmo, uma surda-muda! No passado, já tinha tentando ficar com uma menina que não tinha o dente da frente, já que nunca tinha encontrado uma assim. Mas, não conseguiu, pois a moça já tinha um namorado, o que quase causou uma briga.
Voltando ao caso da mudinha: Num sábado, chuvoso, Roger saiu pra dar uma volta de carro. Mas, como chovia intensamente desde quinta feira, quase um dilúvio, não havia ninguém na rua, tampouco com intenção em ir para alguma festa.
Já conformado com o insucesso da noite de sábado, a caminho de casa, percebe uma menina, na chuva, aguardando um moto táxi. Ela estava ao relento, aguardando uma moto retornar ao ponto. Ele fez a volta na quadra e para ao lado da moça, no ponto regulamentado para as motos.
- Oi. Quer carona? - oferece.
- ...
- Vem! Te dou carona! - disse, já todo molhado pelos pingos que entravam pela janela do veículo.
- ...
Percebera, então, que a moça não falava. Gesticula então um volante, voltando a oferecer carona. A muda entende e gesticula um guidão, como se fosse aguardar a moto. Mas, de fácil comunicação, Roger mostra a chuva incessante, e convence a moça a aceitar a carona.
Dentro do carro, lembra que deveria olhar para a surda-muda, para que ela pudesse entendê-lo:
- Qu-al é o te-u no-me? - perguntava pausadamente, sem olhar pra frente.
- ...
- Qu-al é o te-u no-me? - reiterou.
E nada. Um vazio nas respostas. No porta-luva pega uma caneta e escreve num anúncio de supermercado, que havia recebido a tarde no semáforo:
- Como tu te chamas? - escreve. A resposta não veio escrita.
- Ah... Duda! - responde com muita dificuldade, como se fosse uma fanha.
Por um momento esquece a caneta e o anúncio e volta a perguntar:
- On-de tu mo-ras? - soletra.
- ...
- Quan-tos a-nos tu tens? - tenta novamente.
Paciência tem limite, né! Sábado à noite, uma chuva infindável, e sem diálogo, volta a gesticular: eu (apontando para o próprio peito) e você (apontando para a moça encharcada), na minha casa (formando com as mãos um telhado, com duas águas).
- Aham! - responde a muda, para convencimento do Roger, que sentiu-se um professor de libras.
Um inconveniente foram os gemidos da moça bonitinha. Como era surda-muda, talvez não tivesse muita noção dos decibéis dos gemidos que acordaram os vizinhos. A vantagem é que não houve muito papo, diferente das outras com quem tinha que xavecar. Tampouco teve a obrigação de ligar no dia seguinte.

domingo, 18 de outubro de 2009

consciência tranquila

Uma vez pensei em ser escritor. Não um escritor de um blog que ninguém lê. Não fazer disso um hobby. Escritor mesmo, de verdade. Tipo Veríssimo. Tipo Jorge Amado. Daí pensava que, seja o que eu escrevesse, alguém, em algum lugar do mundo já teria escrito. E o pior: teria escrito melhor do que eu. Imagina o tamanho desse mundão todo, com várias pessoas escrevendo. Sempre pensei que seria muito difícil o ineditismo de uma boa história.
O tempo passou e de fato não me tornei um escritor. Ainda mais agora, com essa disseminação de espaços para que bons escritores contassem histórias através de sites pessoais e blogs espalhados pela rede de computadores. Antes, muitos escritores escreviam e não tinham espaço para publicação de livros em editoras. Agora fazem uso de meios como esse para exporem seus trabalhos. Assim, tenho a impressão que tudo o que escrevo já foi escrito por alguém, em outra língua talvez, e o pior: contado de um jeito mais engraçado do que eu. Aliás, tenho essa insegurança e essa incerteza com as mulheres também. Penso que tudo o que eu for dizer no ouvido de uma garota numa festa, será pior do que qualquer outro mané tenha dito. Parece que tudo o que escrevo, faço, visto, falo ou sei lá o que mais, não vai agradar a alguém, por melhor que tente ser.
O Roger não. Ele é ele mesmo e foda-se o resto. O que importa pra ele é ser ele mesmo para deitar toda noite a cabeça no travesseiro e dormir um sono tranqüilo. Ora, ele tem razão. Nunca vamos agradar a todos. Não seremos uma unanimidade. Façamos bem aos outros e vamos ser feliz do nosso jeito. Também por isso tenho escrito esses contos. Antes escrevia num caderno. Agora preservo as árvores e não uso mais papel. Ademais, andava estressado, precisando de distração. Precisava relaxar. E as histórias do Roger tem ajudado. Mas, tudo isso pra contar mais uma dele.
Uma vez Roger ficava com uma menina. Como essa menina iniciou um namoro e o personagem desse blog andava carente de sexo, pediu que a menina lhe ajuda-se, em troca da amizade colorida que ambos tinham.
- Pede pra uma amiga sua me ligar! Mas, tem que ser safada que nem tu! Não me vem com mulher “fazida”. - exigia.
Dias mais tarde, recebe um toque no telefone celular durante o expediente de trabalho. Retorna somente após o expediente, quando já estava chimarreando em casa. Era a amiga da amiga colorida.
- Ela me falou bem de você.
- Quando tu podes? - questiona ele com a naturalidade que Deus lhe deu.
- Hoje, ás 20 horas. - retruca ela como se marcar um encontro para fazer sexo com um desconhecido fosse a como trocar de roupas.
- Ótimo. Onde te pego?
Papo encerrado. Encontro marcado. Estava em dívida com a amiga colorida. Ela devia ter feito um bom comercial. Ou então a amiga da amiga era bem fácil. Ou bem feia.
Pontualmente no horário marcado, chegando ao local combinado liga pro telefone celular dela. Quem atende viria a ser a mulher mais feia com quem já transou. Não convém detalhar o corpo, tampouco o rosto da mulher. Poderia não ter parado o carro, já que ainda estava em movimento. Mas, parou o veículo. Ele abriu a porta. Ela entrou. Cumprimentos envergonhados. Ele lia na testa dela em maiúsculas: “PRECISO TE DAR HOJE”. O caminho até a casa dele foi longo. Mas, Roger não era tímido, tinha alguma experiência e assuntos guardados na manga. Perguntava bastante. Era atencioso. Chegaram na casa dele. Sem rodeios, fez o que tinha que fazer. Embora ela não fosse bonita na visão dele, Roger não enfrentou problemas com a ereção. O sexo era bom, apesar de ser o primeiro encontro. Chegou a conclusão que buceta é tudo igual. Um lugar quente, úmido e escuro. O olho do pau sequer enxerga. Como aprendera quando era jovem, transou como se fosse a última vez na vida. Fez o melhor que pode fazer e procurou fazer bem feito. Depois, a levou embora. Durante o trajeto, tentando disfarçar um bocejo e outro observou que na testa dela, o letreiro dizia: “OBRIGADA!”.
Ele poderia não ter parado o carro. Poderia não ter transado com ela, inventado uma desculpa, ou algo assim. Mas, ele gosta de agradar aos outros. E precisa deitar a cabeça no travesseiro e dormir um sono tranqüilo.