Todo homem já quis ser jogador de futebol, quando guri. O Roger não. Era tão bom entendedor de futebol que sabia não possuir talento para o esporte. Desde pequenino entendia de táticas, regras. Sabia o nome dos jogadores, comissão técnica, colecionava álbuns de figurinhas. Até sabia se posicionar dentro do campo, jogava bem sem a bola. Mas, quando a bola chegava, não driblava um cone. Marcava como um atacante, ía ao ataque como um goleiro. Nasceu com dois pés esquerdos para o futebol. Assim sendo, optou pelas artes cênicas, ao invés do esporte bretão.
Quando pequeno, junto com vizinhos do bairro, bolaram um filme. Um deles, havia ganho uma filmadora que cabia dentro de uma caixa de sapato. Uns buracos na caixa e ninguém perceberia as filmagens. Começaram a fazer o filme até, com introdução, roteiro, script, cena 1, cena 2, e tudo. Mas, quando era a cena do Roger, com uma vizinha, compadeceu-se com a menina e negou-se a gravar o ato sexual. Não quis expor a coitada, e quedou-se com uma dúvida inquietante: como se sairia contracenando?
Alguns anos depois, com o advento dos telefones celulares que gravam imagens e áudio, saciou sua curiosidade ao se ver atuando no ato sexual. Envergonhado, talvez com o seu parco desempenho, excluiria logo em seguida. Posicionou o seu celular aos pés da cama. À meia luz, com o play acionado, chamou a moça pro quarto. Pouco conhecia sobre a pobre cobaia, era sexo de ocasião. Assim como seria de ocasião o vídeo amador.
Tinha medo de ter um desempenho pífio, mesmo excluindo o vídeo. Um vídeo de cinco minutos seria o final da sua curta carreira. O vídeo não saiu de casa, mas se fosse parar no youtube (ou no pornotube), seria sucesso instantâneo de acessos. Se até o Roger riu e sentiu cócegas durante o ato sexual, imagina nós, que não teríamos o compromisso de manter a ereção.
Ele estava deitado. Ela ajoelhada, a sua frente, fazendo sexo oral. Sexo oral que se estendeu pela virilha, pelas coxas, joelhor - frente e verso - panturrilhas, tornozelos e pés. E ajoelhada, de costas para a câmera do celular, ela ergue o pé 43 do Roger e com o pé quase sobre seu ombro, chupa dedo por dedo, dando especial atenção ao dedão esquerdo do pé. A resolução da câmera não era ideal, mas no 3D seria possível ver a língua dela dentre os dedos do pé dele, talvez até as sujeiras depositadas sob as unhas.
Compadecido com a moça lambona, decidiu excluir o vídeo assim que ela saiu.
A partir daí dedicou-se a outra atividade, já que pro futebol não tinha aptidão, e para o cinema amador não teve boas experiências. Espero que o Roger não se torne um blogueiro.
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quinta-feira, 8 de setembro de 2011
terça-feira, 23 de março de 2010
um pequeno favor
A amizade é algo quase que inexplicável. Imagine que duas pessoas que nasceram em lugares diferentes, que não tem laços de sanguíneos, e que nunca se viram até então. De repente, se conhecem, conversam e tornam-se amigos para sempre. Sempre que conheço alguém penso que existem pessoas maravilhosas pelo mundo afora, e que simplesmente ainda não as conheci. Mas, se as conhecesse, seria amigo delas, pois são especiais, tal qual são meus amigos.
Na verdade, essa introdução visa agradecer ao Roger pela sua amizade. Um amigo pra todas as horas, para qualquer momento. Não foram poucas as vezes que vi o Roger pegando mulher feia para me ajudar a pegar mulher bonita. Dançar com a amiga da menina que estava ficando então, nem se fala. Tratava de mantê-la entretida, para que não quisesse ir embora.
Mas, o causo em questão foi outro. Quando uma amiga em comum precisou de um favor. Irritada com o assédio descarado de uma menina no seu futuro namorado, ela pediu ao Roger para que adicionasse aquela menina em seu MSN e fizesse com que ela esquecesse seu pretendente:
- Adiciona essa puta no teu MSN! Pega essa guria! Faz ela sumir da vida do fulano! - disse antes de bater a porta do quarto, irritada.
Meses se passaram. Mas, como pegar a ex ficante do rapaz sem que ele soubesse? E sem que a própria menina soubesse quem ele era?
- Oi. Kem eh vc? - perguntou ela após ser adicionada no MSN.
- Vi teu MSN no teu Orkut. Já te vi na rua. Resolvi adicionar, mesmo sabendo que você tem namorado. Algum problema?
- n. mas d ond tu me conhec? Tu tens Orkut? - perguntou intrigada.
Roger não sabia o que dizer. Mentiu como há muito tempo não mentia. E também pouco entendia do dialeto utilizado pela menina através do MSN. Respondia qualquer coisa, mudava de assunto com freqüência e a assediava de todas as formas, para que o assunto fosse apenas esse.
A menina dizia ser fiel. Roger sabia que ela não era, pois dava em cima do caso da sua amiga. Vencida pela curiosidade e pelo assédio, marcaram um encontro, sem compromisso. Deram uma volta de carro. A cada pergunta dela, uma mentira descarada. Roger estava se contradizendo como uma criança que quebrara uma vidraça. Tinha pouco tempo, precisava beijá-la. Roger sabia que ela não era fiel, visto que ficava com o possível namorado da amiga. E percebia-se tratar de uma mulher infiel. Estacionou o carro, numa rua deserta. Escurecia. Beijaram-se intensamente. Falaram pouco a partir de então.
Sentado diante do volante, Roger ajustou o banco, colocando-o para trás, obtendo mais espaço. Excitado, baixou a bermuda. Depois a cueca. Era o que bastava para que ela começasse um sexo oral. Aproximou-se do colo dele, segurou o membro pela base de o beijou. Depois o lambeu. Brincou um pouco antes de enfiar em sua boca. Anoitecia quando ela o fez gozar, alternado a masturbação, ora com a mão, ora com a boca.
Nunca mais se encontraram. Roger havia mentido o nome para evitar problemas para a amiga, e sequer anotou o telefone. A amiga já havia conquistado o rapaz. Namoravam feito dois pombinhos. Mas, Roger era um amigo pra todas as horas. Ainda mais para uma hora boa e prazerosa como essa. Mesmo que por poucas horas.
Na verdade, essa introdução visa agradecer ao Roger pela sua amizade. Um amigo pra todas as horas, para qualquer momento. Não foram poucas as vezes que vi o Roger pegando mulher feia para me ajudar a pegar mulher bonita. Dançar com a amiga da menina que estava ficando então, nem se fala. Tratava de mantê-la entretida, para que não quisesse ir embora.
Mas, o causo em questão foi outro. Quando uma amiga em comum precisou de um favor. Irritada com o assédio descarado de uma menina no seu futuro namorado, ela pediu ao Roger para que adicionasse aquela menina em seu MSN e fizesse com que ela esquecesse seu pretendente:
- Adiciona essa puta no teu MSN! Pega essa guria! Faz ela sumir da vida do fulano! - disse antes de bater a porta do quarto, irritada.
Meses se passaram. Mas, como pegar a ex ficante do rapaz sem que ele soubesse? E sem que a própria menina soubesse quem ele era?
- Oi. Kem eh vc? - perguntou ela após ser adicionada no MSN.
- Vi teu MSN no teu Orkut. Já te vi na rua. Resolvi adicionar, mesmo sabendo que você tem namorado. Algum problema?
- n. mas d ond tu me conhec? Tu tens Orkut? - perguntou intrigada.
Roger não sabia o que dizer. Mentiu como há muito tempo não mentia. E também pouco entendia do dialeto utilizado pela menina através do MSN. Respondia qualquer coisa, mudava de assunto com freqüência e a assediava de todas as formas, para que o assunto fosse apenas esse.
A menina dizia ser fiel. Roger sabia que ela não era, pois dava em cima do caso da sua amiga. Vencida pela curiosidade e pelo assédio, marcaram um encontro, sem compromisso. Deram uma volta de carro. A cada pergunta dela, uma mentira descarada. Roger estava se contradizendo como uma criança que quebrara uma vidraça. Tinha pouco tempo, precisava beijá-la. Roger sabia que ela não era fiel, visto que ficava com o possível namorado da amiga. E percebia-se tratar de uma mulher infiel. Estacionou o carro, numa rua deserta. Escurecia. Beijaram-se intensamente. Falaram pouco a partir de então.
Sentado diante do volante, Roger ajustou o banco, colocando-o para trás, obtendo mais espaço. Excitado, baixou a bermuda. Depois a cueca. Era o que bastava para que ela começasse um sexo oral. Aproximou-se do colo dele, segurou o membro pela base de o beijou. Depois o lambeu. Brincou um pouco antes de enfiar em sua boca. Anoitecia quando ela o fez gozar, alternado a masturbação, ora com a mão, ora com a boca.
Nunca mais se encontraram. Roger havia mentido o nome para evitar problemas para a amiga, e sequer anotou o telefone. A amiga já havia conquistado o rapaz. Namoravam feito dois pombinhos. Mas, Roger era um amigo pra todas as horas. Ainda mais para uma hora boa e prazerosa como essa. Mesmo que por poucas horas.
sábado, 6 de março de 2010
a mulher alface
Esses dias o Roger foi num boteco para assistir futebol no pay-per-wiew. Para não parecer abusado, pediu uma cerveja, já que não queria ficar assistindo a transmissão paga de graça. E cerveja gelada e futebol combinam com aperitivo. Até aí, tudo bem. Resolveu provar uma das especiarias da casa. Croquete de peixe. Croquete é bom, peixe é bom, fritura é bom. Quanto ’bons’ num petisco! Pediu!
- Quantos croquetes vem nesse prato?
- Vinte. Vinte mini-croquetes.
- Serve meia porção? - pergunta receoso.
- Não. Não servimos. - respondeu a moça com duas negativas taxativas na frase.
Não entendo por que não servem meias porções de algumas coisas. Como se fossem indivisíveis os croquetinhos.
- Posso levar pra casa o que sobrar? - questiona o mão-fechada.
- Pode. Eu embrulho pro senhor.
Embrulho: palavra mais feia que já digitei. Embrulhar. Palavra estranha. Tanto quanto a decoração do prato. Sob os croquetes de peixe fritados num óleo reutilizado pela enésima vez, uma linda folha de alface. A partir desse momento, ele perdeu o foco no jogo. Passou a admirar a cozinheira que na tentativa de dar uma função a alface a coloca como enfeite. As folhas da alface são bonitas mesmo. Porém a alface é pior do que o chuchu. Não tem gosto de nada, misturado com coisa alguma. Simplesmente uma verdura sem função. Imagino numa feira a cara de desdém do brócolis posicionado ao lado do alface. Ou então a onipresença das rúculas, preparando-se para, junto com o tomate seco, fazerem a diferença nas pizzarias da cidade. Ao lado, o alface, cabisbaixo. Em pouco tempo, não servirá de alimento, e será jogado para onde veio, para servir de adubo, talvez para uma rúcula, ou um brócolis.
Uma vez o Roger ficou com uma menina. Novinha, corpo durinho. Gostosa mesmo. Uma bunda que eram duas. Uma nádega melhor do que a outra. Alto relevo. Perfeita de corpo. Dezessete anos! Isso mesmo, dezessete. No show em que estavam, trocaram olhares, uma, duas, três vezes. Então o Roger fez algo simples, mas funcional. Com o dedo indicador apontou pra menina. Ela riu. Com o mesmo dedo apontou para sim mesmo. Ela sorriu. Com a cabeça, acenou algo. Ela acenou alguma outra coisa, como se consentisse. Aproximou-se. E fez aquele ritual de protocolo. Pegou. Beijos e tal. Foram para outra festa. Mais beijos, algumas cervejas. Daí cometeu um crime. Por que se a situação era consensual e aceita pela sociedade com relação ao sexo, dar bebidas alcoólicas a menores é crime e ponto final. Roger fora um criminoso naquela noite.
A levou pra casa. Estava ansioso para chupá-la. De olhos bem abertos para ver aquela menina contorcendo-se de prazer. E depois, quando esperava pela reciprocidade que geralmente ocorre nessas horas, ela disse que não fazia sexo oral. Não chupava. Achava nojento.
- Não faço isso. Não gosto. Acho nojento.
A menina era bonita, sexy, apertadinha. Mas, além de não terem assunto, ela não fazia sexo oral nele, embora gostasse de receber. Essa menina, sem orientação sexual, lembrou-me a alface, posta sob os croquetes, recebendo aquele óleo quente, que a fez murchar. Não serve para mais nada, além de embelezar alguma coisa, por que salada de alface sem gosto e mulher que não faz sexo oral não se deve comer.
- Quantos croquetes vem nesse prato?
- Vinte. Vinte mini-croquetes.
- Serve meia porção? - pergunta receoso.
- Não. Não servimos. - respondeu a moça com duas negativas taxativas na frase.
Não entendo por que não servem meias porções de algumas coisas. Como se fossem indivisíveis os croquetinhos.
- Posso levar pra casa o que sobrar? - questiona o mão-fechada.
- Pode. Eu embrulho pro senhor.
Embrulho: palavra mais feia que já digitei. Embrulhar. Palavra estranha. Tanto quanto a decoração do prato. Sob os croquetes de peixe fritados num óleo reutilizado pela enésima vez, uma linda folha de alface. A partir desse momento, ele perdeu o foco no jogo. Passou a admirar a cozinheira que na tentativa de dar uma função a alface a coloca como enfeite. As folhas da alface são bonitas mesmo. Porém a alface é pior do que o chuchu. Não tem gosto de nada, misturado com coisa alguma. Simplesmente uma verdura sem função. Imagino numa feira a cara de desdém do brócolis posicionado ao lado do alface. Ou então a onipresença das rúculas, preparando-se para, junto com o tomate seco, fazerem a diferença nas pizzarias da cidade. Ao lado, o alface, cabisbaixo. Em pouco tempo, não servirá de alimento, e será jogado para onde veio, para servir de adubo, talvez para uma rúcula, ou um brócolis.
Uma vez o Roger ficou com uma menina. Novinha, corpo durinho. Gostosa mesmo. Uma bunda que eram duas. Uma nádega melhor do que a outra. Alto relevo. Perfeita de corpo. Dezessete anos! Isso mesmo, dezessete. No show em que estavam, trocaram olhares, uma, duas, três vezes. Então o Roger fez algo simples, mas funcional. Com o dedo indicador apontou pra menina. Ela riu. Com o mesmo dedo apontou para sim mesmo. Ela sorriu. Com a cabeça, acenou algo. Ela acenou alguma outra coisa, como se consentisse. Aproximou-se. E fez aquele ritual de protocolo. Pegou. Beijos e tal. Foram para outra festa. Mais beijos, algumas cervejas. Daí cometeu um crime. Por que se a situação era consensual e aceita pela sociedade com relação ao sexo, dar bebidas alcoólicas a menores é crime e ponto final. Roger fora um criminoso naquela noite.
A levou pra casa. Estava ansioso para chupá-la. De olhos bem abertos para ver aquela menina contorcendo-se de prazer. E depois, quando esperava pela reciprocidade que geralmente ocorre nessas horas, ela disse que não fazia sexo oral. Não chupava. Achava nojento.
- Não faço isso. Não gosto. Acho nojento.
A menina era bonita, sexy, apertadinha. Mas, além de não terem assunto, ela não fazia sexo oral nele, embora gostasse de receber. Essa menina, sem orientação sexual, lembrou-me a alface, posta sob os croquetes, recebendo aquele óleo quente, que a fez murchar. Não serve para mais nada, além de embelezar alguma coisa, por que salada de alface sem gosto e mulher que não faz sexo oral não se deve comer.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
o sonâmbulo
Roger tinha uma qualidade que eu queria pra mim. Dormia bem. Sentado, entre uma viagem e outra, não tinha problemas com o sono. No ônibus, dormia antes de sair da rodoviária. Deitado, na cama então, nem se fala. Depois do sexo, tinha que levantar, para não dormir na cama e deixar a mulher sem carinhos e conversas que as mulheres precisam. Dormia bem. Cansado ou não. Não acordava por nada. Sono profundo, daqueles que nós mortais só temos aos domingos de chuva pela manhã.
Certa vez houve um tiroteio no seu bairro. Vizinhança acordada. Correria. Polícia. No outro dia, a prisão do bandido era a notícia do churrasco de meio-dia. Disseram que o policial atirou no ladrão que estava sobre o telhado da casa do Roger. Ele não ouvira nada. Ficou sabendo pelos outros. Não acordou, tampouco ouviu o tiro. Talvez, para seus ouvidos, durante o sono profundo, um tiro de revólver soasse como uma espoleta de armas de brinquedos.
Em determinada ocasião, ele ficava com uma garota. Nada sério. Ela era comprometida, o que a tornava mais interessante. Uma amizade regada ao bom sexo. Apenas isso. Ela morava com uma amiga, eram colegas de faculdade. Uma mais interessante do que a outra. Queria as duas, mas não obtinha sucesso nas suas constantes investidas. Uma vez ela o visitou. Sexo, bom sexo.
Após o sexo, ele foi ao banheiro. Em silêncio, sem dizer aonde ia. Na volta, passa pela cozinha e traz uma garrafa de água mineral. Volta pro quarto, quieto. Senta na cama, bebe a água. Coloca a garrafa sobre o criado-mudo, um pouco bagunçado. A garrafa foi largada sobre um pacote, fazendo um barulho. Depois, deitou e dormiu. Sem falar nada.
No dia seguinte, ela jurava que ele estava dormindo. Diz ter ficado receosa até, com medo de que ele fosse um sonâmbulo. Não quis acordá-lo, por que à crença popular diz que é perigo fazê-lo. Ele sabia que não estava dormindo, tentou argumentar, mas foi em vão. A universitária teimosa achava que o Roger era sonâmbulo. Contou pra amiga, sobre o sonambulismo. Riam muito. Debochavam. Pois bem, que achassem.
Noutra oportunidade, ele retribuí a visita. Sexo, bom sexo. Depois vai ao banheiro, sem falar nada. De todas as tentativas, de todas as possibilidades, aquela idéia que teve enquanto mijava era a melhor e mais atrevida de todas. Saiu do banheiro, apagou a luz e foi, tateando, em direção ao quarto da amiga. Sabia que não iriam acordá-lo. Teriam medo. A porta estava fechada, mas não trancada. Entrou. Não enxergava absolutamente nada. esperou alguns segundos para dar o primeiro passo. Tentou lembrar onde era a cama da amiga. Hesitou após o primeiro passo. E se ela acordasse ou se ela levasse um susto? Seguiu, mais alguns passos. Não levantava os pés descalços, arrastava-os vagarosamente em direção a cama. Chutou alguma coisa, provavelmente um chinelo. Estava chegando. Com as mãos procura a cama. Não acha. Mais um passo, desse vez com o pé esquerdo. Agora sim, toca o cobertor. A moça se move. Ele não sabe bem o que fazer. Resolve sentar na cama, perto dos pés dela. O coração palpita de forma alucinada. Tenta se acalmar, respira mais devagar. Abre os olhos e fecha os olhos. Não faz diferença. As mãos estão úmidas. Coloca a mão direita sobre os pés dela, que estavam tapados somente com o lençol. Fecha os olhos, talvez com vergonha. Passa a mão nos pés dela. Vestia meia. Sobe, em direção a panturrilha. Sente a pele macia, hidratada e depilada. Ela se move. Ele retira a mão. Ela se move novamente. Silêncio. Ajeita o travesseiro, ergue-se um pouco. Ele percebe que está sendo observado. Já não sabe se pela parceira que teria ficado adormecida e poderia espiar pela porta que ficara entreaberta, ou pela sonolenta que, que parecia tentar entender quem estava aos pés da sua cama de solteira. Arrisca e recoloca a mão no mesmo lugar que havia colocado. A respiração dela já não é profunda, mas ela está imóvel. Ele segue fazendo um carinho. Ela move a perna tocada, encostando o pé na coxa dele. Ele então passa a mão pela canela exposta e segue até o joelho. Ele já não tem dúvidas: ela está acordada. Passeia os dedos pela panturrilha torneada da moça. A perna direta dela está encolhida, em formado de ‘L’. A outra esticada. Ele troca de perna, deixando-a destapada até a altura das coxas. Acaricia com mais vontade, cada vez mais preocupando-se menos com os movimentos. Não restavam dúvidas, ela estava acordada.
Não estava ofegante, já havia relaxado. Precisava agir. Não poderia ficar toda noite ali. O pior já teria passado. Ela o viu, e fingia estar adormecida. Então ajoelha-se no chão, encurva-se sobre ela. Sente o cheiro do hidratante. Encosta os lábios na pele macia. Beija suavemente suas pernas. Passa a língua. Sente sua pele ficar arrepiada. Era o sinal que precisava para avançar. Sobe os beijos acima do joelho. Ela corresponde, permite que ele avance. Sobe as mãos até os quadris, e sente a calcinha de algodão minúscula. Passa a língua pelas coxas, na parte interna. Ela solta um suspiro, quase um gemido. Com as duas mãos a segura pelos quadris. Aproxima-se da calcinha. Sente o cheiro. Gostava do cheiro. Beija, lambe, sobre a calcinha de algodão. Ela estava molhada. Sente o gosto molhado que ultrapassa roupa íntima. Brinca sobre o tecido por alguns minutos. Se estivesse acordada, ela já o teria mandando tirar a calcinha. Mas, ele apenas arreda a calcinha, com a mão direita a parte superior, com a esquerda a parte de baixo. Agora sim, sente o cheiro, o gosto e a maciez. Ela já não escondia o prazer que sentia. Gemia descaradamente. Ficaram assim, até ela gozar. Tempo suficiente para deixá-lo com o maxilar adormecido. Ele colocou a calcinha no lugar. Ela não falou nada. Apenas, cobriu-se com o lençol. Enxugou-se no lençol. Ergue a cabeça. Move o pescoço pra trás, depois pra frente, tal qual aprendeu na ginástica laboral. Para o lado esquerdo, depois para o direito. Foi quando percebeu um vulto, na porta entreaberta. Haviam sido observados. Resolve voltar pra cama.
Algumas coisas são difíceis de se explicar. O que acontecia entre os dois era bom. O que aconteceu entre os três, foi diferente, nunca mais se repetiu. Nenhum dos três ousou tocar no assunto. E a noite foi interminável para o Roger, que dessa vez não conseguia dormir, mas que definitivamente não era um sonâmbulo.
Certa vez houve um tiroteio no seu bairro. Vizinhança acordada. Correria. Polícia. No outro dia, a prisão do bandido era a notícia do churrasco de meio-dia. Disseram que o policial atirou no ladrão que estava sobre o telhado da casa do Roger. Ele não ouvira nada. Ficou sabendo pelos outros. Não acordou, tampouco ouviu o tiro. Talvez, para seus ouvidos, durante o sono profundo, um tiro de revólver soasse como uma espoleta de armas de brinquedos.
Em determinada ocasião, ele ficava com uma garota. Nada sério. Ela era comprometida, o que a tornava mais interessante. Uma amizade regada ao bom sexo. Apenas isso. Ela morava com uma amiga, eram colegas de faculdade. Uma mais interessante do que a outra. Queria as duas, mas não obtinha sucesso nas suas constantes investidas. Uma vez ela o visitou. Sexo, bom sexo.
Após o sexo, ele foi ao banheiro. Em silêncio, sem dizer aonde ia. Na volta, passa pela cozinha e traz uma garrafa de água mineral. Volta pro quarto, quieto. Senta na cama, bebe a água. Coloca a garrafa sobre o criado-mudo, um pouco bagunçado. A garrafa foi largada sobre um pacote, fazendo um barulho. Depois, deitou e dormiu. Sem falar nada.
No dia seguinte, ela jurava que ele estava dormindo. Diz ter ficado receosa até, com medo de que ele fosse um sonâmbulo. Não quis acordá-lo, por que à crença popular diz que é perigo fazê-lo. Ele sabia que não estava dormindo, tentou argumentar, mas foi em vão. A universitária teimosa achava que o Roger era sonâmbulo. Contou pra amiga, sobre o sonambulismo. Riam muito. Debochavam. Pois bem, que achassem.
Noutra oportunidade, ele retribuí a visita. Sexo, bom sexo. Depois vai ao banheiro, sem falar nada. De todas as tentativas, de todas as possibilidades, aquela idéia que teve enquanto mijava era a melhor e mais atrevida de todas. Saiu do banheiro, apagou a luz e foi, tateando, em direção ao quarto da amiga. Sabia que não iriam acordá-lo. Teriam medo. A porta estava fechada, mas não trancada. Entrou. Não enxergava absolutamente nada. esperou alguns segundos para dar o primeiro passo. Tentou lembrar onde era a cama da amiga. Hesitou após o primeiro passo. E se ela acordasse ou se ela levasse um susto? Seguiu, mais alguns passos. Não levantava os pés descalços, arrastava-os vagarosamente em direção a cama. Chutou alguma coisa, provavelmente um chinelo. Estava chegando. Com as mãos procura a cama. Não acha. Mais um passo, desse vez com o pé esquerdo. Agora sim, toca o cobertor. A moça se move. Ele não sabe bem o que fazer. Resolve sentar na cama, perto dos pés dela. O coração palpita de forma alucinada. Tenta se acalmar, respira mais devagar. Abre os olhos e fecha os olhos. Não faz diferença. As mãos estão úmidas. Coloca a mão direita sobre os pés dela, que estavam tapados somente com o lençol. Fecha os olhos, talvez com vergonha. Passa a mão nos pés dela. Vestia meia. Sobe, em direção a panturrilha. Sente a pele macia, hidratada e depilada. Ela se move. Ele retira a mão. Ela se move novamente. Silêncio. Ajeita o travesseiro, ergue-se um pouco. Ele percebe que está sendo observado. Já não sabe se pela parceira que teria ficado adormecida e poderia espiar pela porta que ficara entreaberta, ou pela sonolenta que, que parecia tentar entender quem estava aos pés da sua cama de solteira. Arrisca e recoloca a mão no mesmo lugar que havia colocado. A respiração dela já não é profunda, mas ela está imóvel. Ele segue fazendo um carinho. Ela move a perna tocada, encostando o pé na coxa dele. Ele então passa a mão pela canela exposta e segue até o joelho. Ele já não tem dúvidas: ela está acordada. Passeia os dedos pela panturrilha torneada da moça. A perna direta dela está encolhida, em formado de ‘L’. A outra esticada. Ele troca de perna, deixando-a destapada até a altura das coxas. Acaricia com mais vontade, cada vez mais preocupando-se menos com os movimentos. Não restavam dúvidas, ela estava acordada.
Não estava ofegante, já havia relaxado. Precisava agir. Não poderia ficar toda noite ali. O pior já teria passado. Ela o viu, e fingia estar adormecida. Então ajoelha-se no chão, encurva-se sobre ela. Sente o cheiro do hidratante. Encosta os lábios na pele macia. Beija suavemente suas pernas. Passa a língua. Sente sua pele ficar arrepiada. Era o sinal que precisava para avançar. Sobe os beijos acima do joelho. Ela corresponde, permite que ele avance. Sobe as mãos até os quadris, e sente a calcinha de algodão minúscula. Passa a língua pelas coxas, na parte interna. Ela solta um suspiro, quase um gemido. Com as duas mãos a segura pelos quadris. Aproxima-se da calcinha. Sente o cheiro. Gostava do cheiro. Beija, lambe, sobre a calcinha de algodão. Ela estava molhada. Sente o gosto molhado que ultrapassa roupa íntima. Brinca sobre o tecido por alguns minutos. Se estivesse acordada, ela já o teria mandando tirar a calcinha. Mas, ele apenas arreda a calcinha, com a mão direita a parte superior, com a esquerda a parte de baixo. Agora sim, sente o cheiro, o gosto e a maciez. Ela já não escondia o prazer que sentia. Gemia descaradamente. Ficaram assim, até ela gozar. Tempo suficiente para deixá-lo com o maxilar adormecido. Ele colocou a calcinha no lugar. Ela não falou nada. Apenas, cobriu-se com o lençol. Enxugou-se no lençol. Ergue a cabeça. Move o pescoço pra trás, depois pra frente, tal qual aprendeu na ginástica laboral. Para o lado esquerdo, depois para o direito. Foi quando percebeu um vulto, na porta entreaberta. Haviam sido observados. Resolve voltar pra cama.
Algumas coisas são difíceis de se explicar. O que acontecia entre os dois era bom. O que aconteceu entre os três, foi diferente, nunca mais se repetiu. Nenhum dos três ousou tocar no assunto. E a noite foi interminável para o Roger, que dessa vez não conseguia dormir, mas que definitivamente não era um sonâmbulo.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
meias palavras
Definitivamente, homem não entende meias palavras. Entende tanto quanto entende de tonalidades de cores. Homem não sabe diferenciar tons pastéis, seja lá o que isso for. Nossa visão vê apenas um tipo de amarelo, por exemplo, tal qual as mulheres veem a cor branca. Roxo e lilás é a mesma merda pra nós!! Mulheres enxergam várias tonalidades e também usam meias palavras cotidianamente. Dizem não quando querem dizer sim. Falam nas entrelinhas. Sempre dizem aos prantos que nunca mais vão chorar por alguém:
- Não me liga nunca mais!- quando, na verdade, queriam conversar noutro dia, com a cabeça fria.
Com o Roger, um digno representante dos que produzem testosterona, não poderia ser diferente. Mais desligado que rádio a pilha nos dias atuais, por vezes não compreende a complexidade do sexo feminino, tampouco o que querem dizer. Exceto na cama, que sofre de surdez diante da palavra "não". A mulher diz que 'não' e para os ouvidos do rapaz são sussurros de prazer que significam 'mais'.
Meias palavras, meia grávida, meio gay... Isso não existe. Sexo sem sexo oral é meia foda. E meia foda também não pode existir.
- Não me liga nunca mais!- quando, na verdade, queriam conversar noutro dia, com a cabeça fria.
Com o Roger, um digno representante dos que produzem testosterona, não poderia ser diferente. Mais desligado que rádio a pilha nos dias atuais, por vezes não compreende a complexidade do sexo feminino, tampouco o que querem dizer. Exceto na cama, que sofre de surdez diante da palavra "não". A mulher diz que 'não' e para os ouvidos do rapaz são sussurros de prazer que significam 'mais'.
Meias palavras, meia grávida, meio gay... Isso não existe. Sexo sem sexo oral é meia foda. E meia foda também não pode existir.
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