O período era a adolescência. O carro do pai, conduzia sem carteira. Voltinha perto de casa. Pouca experiência. Época boa aquela, que posto de gasolina era somente um local para freqüentar quando precisava encher os pneus da bicicleta.
Um carro, quatro lugares. Um motorista e três bancos vagos. Mulheres andando. Sozinhas, em duplas, em trios. Não era justo, elas poderiam estar cansadas, então Roger oferecia carona.
- Oi! Quer carona? - e apontava com o dedo indicador em frente. - Te levo. Não me custa nada.
Realmente para ele não custava nada. Já para o pai dele saia bem caro. Em alguns lugares do Brasil oferecer e aceitar carona é algo bem comum. Não era o caso da cidade do nosso amigo. Algumas não aceitavam. Faziam cara de auto-suficientes e saiam a caminhar.
- Tomara que chova! - pensava.
Aliás, poucas negaram carona quando os primeiros pingos começavam a cair. Pegou muitas assim. Outras fez amizade. Sempre é bom conhecer e ser conhecido. Fez poucas amizades caminhando. Agora de carro, ah, de carro fez muitas. Sentia-se mais bonito.
Agora o período é outro. Trabalhava, até. Soube que automóveis precisam de combustível, e que saía carro oferecer caronas por aí. Mas, tudo tem seu preço. As vezes usava o carro pra ir trabalhar. Saía de casa uma hora antes:
- Vai pro centro? - perguntava nos pontos de ônibus.
Pegou inúmeras assim. Fez mais amizades. E agora estava comendo mulher assim. Estava valendo a pena colaborar com a gasolina, mas ainda não fora dessa vez que descobrira que os impostos, tais como o IPVA, eram caros.
Uma vez passou de carro e havia uma mulher parada usando o telefone público, deste que quase não existem mais. Parou o carro do lado. Ofereceu o telefone celular emprestado.
- Não precisa. Já terminei. - disse a moça.
- Quem sabe uma carona então? - disse solícito.
- Não precisa. É perto.
- Não me custa nada. - disse o chato.
Ela aceitou, não pela carona. Era perto mesmo. A volta que ele deu procurando um lugar escuro naquela noite iluminada foi maior do que o trajeto da carona. Ficaram, obviamente. Nos amassos notou que a moça tinha um seio grande e outro pequeno. Ele disse-nos que não era essa diferença normal que quase toda mulher tem. Mas, ele contava que era demasiado exagerado. Um pequeno. Uma maçã pequena. O outro enorme, caído. Pensou que era devido a amamentação. Talvez seja. Li na internet que a medicina dá o nome de assimetria mamária. A medicina dá nome pra tudo.
Roger gostava de peitos. Pegou o pequeno com a mão esquerda. O grande com mão direta. Optou pelo grande, tal qual um bebê faminto, guloso. A partir daí descobriu que gostava muito de seios grandes.
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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
sábado, 7 de novembro de 2009
a muda
De todas as histórias do Roger, a que mais nos fez rir foi a da muda. Isso mesmo, uma surda-muda! No passado, já tinha tentando ficar com uma menina que não tinha o dente da frente, já que nunca tinha encontrado uma assim. Mas, não conseguiu, pois a moça já tinha um namorado, o que quase causou uma briga.
Voltando ao caso da mudinha: Num sábado, chuvoso, Roger saiu pra dar uma volta de carro. Mas, como chovia intensamente desde quinta feira, quase um dilúvio, não havia ninguém na rua, tampouco com intenção em ir para alguma festa.
Já conformado com o insucesso da noite de sábado, a caminho de casa, percebe uma menina, na chuva, aguardando um moto táxi. Ela estava ao relento, aguardando uma moto retornar ao ponto. Ele fez a volta na quadra e para ao lado da moça, no ponto regulamentado para as motos.
- Oi. Quer carona? - oferece.
- ...
- Vem! Te dou carona! - disse, já todo molhado pelos pingos que entravam pela janela do veículo.
- ...
Percebera, então, que a moça não falava. Gesticula então um volante, voltando a oferecer carona. A muda entende e gesticula um guidão, como se fosse aguardar a moto. Mas, de fácil comunicação, Roger mostra a chuva incessante, e convence a moça a aceitar a carona.
Dentro do carro, lembra que deveria olhar para a surda-muda, para que ela pudesse entendê-lo:
- Qu-al é o te-u no-me? - perguntava pausadamente, sem olhar pra frente.
- ...
- Qu-al é o te-u no-me? - reiterou.
E nada. Um vazio nas respostas. No porta-luva pega uma caneta e escreve num anúncio de supermercado, que havia recebido a tarde no semáforo:
- Como tu te chamas? - escreve. A resposta não veio escrita.
- Ah... Duda! - responde com muita dificuldade, como se fosse uma fanha.
Por um momento esquece a caneta e o anúncio e volta a perguntar:
- On-de tu mo-ras? - soletra.
- ...
- Quan-tos a-nos tu tens? - tenta novamente.
Paciência tem limite, né! Sábado à noite, uma chuva infindável, e sem diálogo, volta a gesticular: eu (apontando para o próprio peito) e você (apontando para a moça encharcada), na minha casa (formando com as mãos um telhado, com duas águas).
- Aham! - responde a muda, para convencimento do Roger, que sentiu-se um professor de libras.
Um inconveniente foram os gemidos da moça bonitinha. Como era surda-muda, talvez não tivesse muita noção dos decibéis dos gemidos que acordaram os vizinhos. A vantagem é que não houve muito papo, diferente das outras com quem tinha que xavecar. Tampouco teve a obrigação de ligar no dia seguinte.
Voltando ao caso da mudinha: Num sábado, chuvoso, Roger saiu pra dar uma volta de carro. Mas, como chovia intensamente desde quinta feira, quase um dilúvio, não havia ninguém na rua, tampouco com intenção em ir para alguma festa.
Já conformado com o insucesso da noite de sábado, a caminho de casa, percebe uma menina, na chuva, aguardando um moto táxi. Ela estava ao relento, aguardando uma moto retornar ao ponto. Ele fez a volta na quadra e para ao lado da moça, no ponto regulamentado para as motos.
- Oi. Quer carona? - oferece.
- ...
- Vem! Te dou carona! - disse, já todo molhado pelos pingos que entravam pela janela do veículo.
- ...
Percebera, então, que a moça não falava. Gesticula então um volante, voltando a oferecer carona. A muda entende e gesticula um guidão, como se fosse aguardar a moto. Mas, de fácil comunicação, Roger mostra a chuva incessante, e convence a moça a aceitar a carona.
Dentro do carro, lembra que deveria olhar para a surda-muda, para que ela pudesse entendê-lo:
- Qu-al é o te-u no-me? - perguntava pausadamente, sem olhar pra frente.
- ...
- Qu-al é o te-u no-me? - reiterou.
E nada. Um vazio nas respostas. No porta-luva pega uma caneta e escreve num anúncio de supermercado, que havia recebido a tarde no semáforo:
- Como tu te chamas? - escreve. A resposta não veio escrita.
- Ah... Duda! - responde com muita dificuldade, como se fosse uma fanha.
Por um momento esquece a caneta e o anúncio e volta a perguntar:
- On-de tu mo-ras? - soletra.
- ...
- Quan-tos a-nos tu tens? - tenta novamente.
Paciência tem limite, né! Sábado à noite, uma chuva infindável, e sem diálogo, volta a gesticular: eu (apontando para o próprio peito) e você (apontando para a moça encharcada), na minha casa (formando com as mãos um telhado, com duas águas).
- Aham! - responde a muda, para convencimento do Roger, que sentiu-se um professor de libras.
Um inconveniente foram os gemidos da moça bonitinha. Como era surda-muda, talvez não tivesse muita noção dos decibéis dos gemidos que acordaram os vizinhos. A vantagem é que não houve muito papo, diferente das outras com quem tinha que xavecar. Tampouco teve a obrigação de ligar no dia seguinte.
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