Quando ela pôs o pé esquerdo no painel do carro, ele correu os olhos, começando pelo sapato de salto alto na cor vermelha, passando pelas canelas grossas, joelho, chegando nas coxas roliças. Foi quando percebeu que o pé direito já estava posicionado no outro lado do painel, com a coxa encostada junto a porta do veículo. Os seios destapados estavam soltos, já que as alças do vestido preto haviam sido deslocadas dos ombros em direção aos braços. As mãos estavam no meio das pernas. Uma arredava a calcinha, e a outra acariciava o clitóris.
Por sorte não bateu o carro contra os postes. Por sorte os motoristas dos outros carros não colidiram entre si. Sorte tiveram os passageiros do ônibus, homens e mulheres, que ficaram abismados com a cena. Um rapaz sacou o celular e conseguiu bater algumas fotos, enquanto o ônibus era ultrapassado.
Ele já não sabia se ajudava na masturbação dela, ou na sua mesmo, ou então se dirigia em direção ao motel. Faltaram mãos, sobrou tesão. Principalmente quando ela arrancou a calcinha e jogou no banco traseiro. O sulco vaginal escorria pelo banco do carro. O cheiro do sexo exalava no interior do veículo. Ainda faltariam quinze minutos até o motel.
Ela debruçou-se sobre o seu colo e começou um sexo oral. Ele evitava acidentes, bem como procurava manter os olhos abertos. A bem da verdade, as buzinas dos outros veículos que transitavam nas outras pistas o mantinham acordado. Após deixá-lo completamente melado com sua saliva, ela escorou-se na porta do passageiro, abriu as pernas em direção ao desconcentrado motorista e pôs a dedilhar seu sexo. Maliciosamente, roçou um salto no seu pau, enquanto mordia o canto da boca.
O veículo transitava bem abaixo da velocidade e estava sendo ultrapassado constantemente. Sem condições de continuar dirigindo, ele encontrou uma entrada de uma estrada de chão. Encostou o automóvel, e mesmo com a transparência dos vidros, mesmo com o sol a pino, jogou-se de boca no meio das pernas da moça, enquanto livrava-se da calça e calçados. Então, deitou o banco do passageiro, a colocou de bruços e a penetrou ali mesmo, enquanto observavam pelo vidro traseiro os veículos que transitavam pela rodovia. Não foram ao motel. O tesão não permitiu que chegassem lá. Gozaram ali mesmo, exibindo-se à beira da estrada, para surpresa de quem por ali passava.
terça-feira, 3 de maio de 2011
segunda-feira, 2 de maio de 2011
um mártir
Quando ouviu os tiros o coração disparou, mas demorou alguns segundos para perceber que a ardência que sentia entre o coração e o ombro esquerdo era fruto dos dois projéteis que haviam sido lançados em sua direção. Demorou mais ainda a entender o porquê aquele carro vermelho havia saído em alta velocidade. A queimação dificultava a percepção das coisas que estavam acontecendo. Somente quando o sangue começou a lavar a camisa azul calcinha que ele percebeu que havia sido baleado pelo motorista do carro.
A esta altura alguém deve estar pensando que estou contando uma história do 007 ou de um dos filmes da ideologia Bourne. Ou que o cidadão que perde sangue sem parar morava no Morro do Alemão anos atrás. Bala perdida, podem pensar alguns. Nã-na-ni-na-não! O Roger foi baleado. Motivo: mulher. Mulher casada. Ou melhor, dor de corno.
Explico: esses tempos o Roger conheceu uma mulher. Ela ficou interessada, mas disse que iria pedir a aceitação do marido. Ele devia esse favor, já que certa vez foi a vez ele quem havia proposto a participação de uma mulher e ela havia aceitado. No início o esposo relutou. Mas, uma mulher decidida é capaz de fazer cães ferozes miarem. E esse cão miou um sim.
Roger os recebeu em sua casa. Conversaram pouco, foram pro quarto. O maridão assistiu a tudo em pé, escorado na porta. Roger e a mulher casada transaram na frente dele. No final, após o convite dela, ele sentou na cama, para presenciar mais de perto o gozo final. A história era para terminar aí. Não terminou.
Acometido de uma fúria incontrolável, o esposo, até então manso, começou a ameaçar o Roger por telefone. Dizia que iria matá-lo, agredí-lo. Dizia que iria fazer ele pagar por tudo. Mas, se pagasse seria prostituição, e esse não era o combinado. O xingava com vários palavrões, inclusive o chamava de corno. Enfim, Roger já não andava dormindo sem chavear a porta da casa. Pensou em ir a polícia. Juntar as mensagens e as ligações do celular, as conversas do MSN e os e-mails como prova. Estaria registrada a intenção, mas ainda sim Roger teria que continuar trancando a porta, pois um registro policial não bastaria para lhe trazer o sono sagrado de volta.
O tempo passou, as ameaças diminuíram, e ele não procurou a polícia. Já não trancava a porta da casa. Dormia tanto a ponto de perder o horário do serviço. Quando já andava saltitante por aí, recebeu os tiros. Foi levado ao hospital. A médica que retirou os projéteis foi bem sucinta:
- Você perdeu muito sangue. Tem poucas chances.
Ele mandou me chamar. Sussurrou que não estava agüentando mais, que não tinha mais forças. Ainda disse que estava feliz, muito feliz, pois não estava morrendo por uma doença degenerativa, ou num acidente besta de trânsito. Estava morrendo por causa de uma foda. Por causa de uma mulher. Uma mulher que havia tido prazer na frente do marido. Um prazer que nunca tinha tido antes. Nada mais importante para ele do que dar prazer a uma mulher. Mostrei-lhe o jornal antes que olhasse para dentro definitivamente. Manchete na capa, destaque na página policial. A foto do esposo traído detido pela polícia. Assim Roger entrava para história do bairro, por ter dado prazer a mulher casada, por ser melhor do o ex-corno manso, agora o corno mais conhecido na cidade.
A esta altura alguém deve estar pensando que estou contando uma história do 007 ou de um dos filmes da ideologia Bourne. Ou que o cidadão que perde sangue sem parar morava no Morro do Alemão anos atrás. Bala perdida, podem pensar alguns. Nã-na-ni-na-não! O Roger foi baleado. Motivo: mulher. Mulher casada. Ou melhor, dor de corno.
Explico: esses tempos o Roger conheceu uma mulher. Ela ficou interessada, mas disse que iria pedir a aceitação do marido. Ele devia esse favor, já que certa vez foi a vez ele quem havia proposto a participação de uma mulher e ela havia aceitado. No início o esposo relutou. Mas, uma mulher decidida é capaz de fazer cães ferozes miarem. E esse cão miou um sim.
Roger os recebeu em sua casa. Conversaram pouco, foram pro quarto. O maridão assistiu a tudo em pé, escorado na porta. Roger e a mulher casada transaram na frente dele. No final, após o convite dela, ele sentou na cama, para presenciar mais de perto o gozo final. A história era para terminar aí. Não terminou.
Acometido de uma fúria incontrolável, o esposo, até então manso, começou a ameaçar o Roger por telefone. Dizia que iria matá-lo, agredí-lo. Dizia que iria fazer ele pagar por tudo. Mas, se pagasse seria prostituição, e esse não era o combinado. O xingava com vários palavrões, inclusive o chamava de corno. Enfim, Roger já não andava dormindo sem chavear a porta da casa. Pensou em ir a polícia. Juntar as mensagens e as ligações do celular, as conversas do MSN e os e-mails como prova. Estaria registrada a intenção, mas ainda sim Roger teria que continuar trancando a porta, pois um registro policial não bastaria para lhe trazer o sono sagrado de volta.
O tempo passou, as ameaças diminuíram, e ele não procurou a polícia. Já não trancava a porta da casa. Dormia tanto a ponto de perder o horário do serviço. Quando já andava saltitante por aí, recebeu os tiros. Foi levado ao hospital. A médica que retirou os projéteis foi bem sucinta:
- Você perdeu muito sangue. Tem poucas chances.
Ele mandou me chamar. Sussurrou que não estava agüentando mais, que não tinha mais forças. Ainda disse que estava feliz, muito feliz, pois não estava morrendo por uma doença degenerativa, ou num acidente besta de trânsito. Estava morrendo por causa de uma foda. Por causa de uma mulher. Uma mulher que havia tido prazer na frente do marido. Um prazer que nunca tinha tido antes. Nada mais importante para ele do que dar prazer a uma mulher. Mostrei-lhe o jornal antes que olhasse para dentro definitivamente. Manchete na capa, destaque na página policial. A foto do esposo traído detido pela polícia. Assim Roger entrava para história do bairro, por ter dado prazer a mulher casada, por ser melhor do o ex-corno manso, agora o corno mais conhecido na cidade.
domingo, 24 de abril de 2011
delírios
Essa é a primeira vez que escrevo doente. Já escrevi bêbado, no meio da madrugada e numa formatura. Puxei um guardanapo, pedi uma caneta à minha madrasta e escrevi a respeito da garçonete que me servia cervejas inacreditavelmente geladas. O conto ainda não postei, mas um dia postarei. Enfim, adoentado e sem ter a quem recorrer, resolvi escrever sobre os delírios que o febrão está me proporcionando.
Preciso salientar que moro sozinho, em condições de, digamos, acampamento. Trouxe o necessário para a Praia do Cassino, provando para mim mesmo que posso viver sem tv a cabo, sem a cama arrumada e sem a comidinha da mamãe. Então troxe meu note, meu modem, duas cadeiras, livros e algumas playboys.
Ocorre que ontem resolvi sair com uns amigos. Tentando parecer um machão, fui de camiseta com mangas curtas. Mas, esqueci que sou macho, mas estou velho, e minha saúde já não é mais a mesma mesmo! Assim, logo pela manhã já percebi que além do cheiro a cigarro, herdei da noite anterior uma bela infecção na garganta, que originou uma febre. Obviamente, não sei qual temperatura devo estar, mas nada acima do 40°C, por enquanto. É sabido que não tenho remédios em casa, pois Engov não conta. Pela manhã, quando não conseguia engolir a saliva, percebi o porquê havia babado tanto no travesseiro. Chegou a molhar a orelha.
Para complicar ainda mais a situação, a bateria do celular acabou e não sei onde o carregador foi passear. Assim, em caso de emergência, terei de mandar um e-mail para a SAMU. Optei por atacar uma árvore que tem aqui na frente da casa do vizinho. Não fosse o febrão teria atacado a mulher dele. A árvore é conhecida por maracujazeiro e, como nunca havia comido um maracujá, resolvi levá-lo para casa. Descasquei aquela fruta fedorenta e não entendi como se come um maracujá. Alguém sabe como comer um maracujá? Restou fazer um suco. Como devem imaginar, não tenho liquidificador. O suco foi feito no fogão, com o cozimento da fruta. Coloquei água e tomei. Resultado: uma merda! Prefiro os flans.
Além do chocolate que me presenteei de páscoa, só restava um pacote de biscoito e uma caixinha de chá de camomila. Tinha cerveja e um vinho branco na geladeira. Era para ter deixado fora da geladeira as bebidas. Tenho uma teoria sobre chá com bolacha tipo "água e sal". Funcionam mais do que remédios, quando usados em conjunto. Muitas dores de cabeça já curei assim. Funciona mesmo...
Bueno, vou tentar dormir um pouco, que ajuda deveras em caso de dores e de fome. Dizem que o sono é a morte de cada dia. Então vou ali, morrer, e já volto.
Obs: buscando na internet, consultei o meu médico Google. Por vezes, consulto o Dr. Wikepédia. No google, achei esse link que não me serviu para nada, exceto ler muito da criatividade dos outros com as dores alheias.
http://forum.cifraclub.com.br/forum/11/137047/
Preciso salientar que moro sozinho, em condições de, digamos, acampamento. Trouxe o necessário para a Praia do Cassino, provando para mim mesmo que posso viver sem tv a cabo, sem a cama arrumada e sem a comidinha da mamãe. Então troxe meu note, meu modem, duas cadeiras, livros e algumas playboys.
Ocorre que ontem resolvi sair com uns amigos. Tentando parecer um machão, fui de camiseta com mangas curtas. Mas, esqueci que sou macho, mas estou velho, e minha saúde já não é mais a mesma mesmo! Assim, logo pela manhã já percebi que além do cheiro a cigarro, herdei da noite anterior uma bela infecção na garganta, que originou uma febre. Obviamente, não sei qual temperatura devo estar, mas nada acima do 40°C, por enquanto. É sabido que não tenho remédios em casa, pois Engov não conta. Pela manhã, quando não conseguia engolir a saliva, percebi o porquê havia babado tanto no travesseiro. Chegou a molhar a orelha.
Para complicar ainda mais a situação, a bateria do celular acabou e não sei onde o carregador foi passear. Assim, em caso de emergência, terei de mandar um e-mail para a SAMU. Optei por atacar uma árvore que tem aqui na frente da casa do vizinho. Não fosse o febrão teria atacado a mulher dele. A árvore é conhecida por maracujazeiro e, como nunca havia comido um maracujá, resolvi levá-lo para casa. Descasquei aquela fruta fedorenta e não entendi como se come um maracujá. Alguém sabe como comer um maracujá? Restou fazer um suco. Como devem imaginar, não tenho liquidificador. O suco foi feito no fogão, com o cozimento da fruta. Coloquei água e tomei. Resultado: uma merda! Prefiro os flans.
Além do chocolate que me presenteei de páscoa, só restava um pacote de biscoito e uma caixinha de chá de camomila. Tinha cerveja e um vinho branco na geladeira. Era para ter deixado fora da geladeira as bebidas. Tenho uma teoria sobre chá com bolacha tipo "água e sal". Funcionam mais do que remédios, quando usados em conjunto. Muitas dores de cabeça já curei assim. Funciona mesmo...
Bueno, vou tentar dormir um pouco, que ajuda deveras em caso de dores e de fome. Dizem que o sono é a morte de cada dia. Então vou ali, morrer, e já volto.
Obs: buscando na internet, consultei o meu médico Google. Por vezes, consulto o Dr. Wikepédia. No google, achei esse link que não me serviu para nada, exceto ler muito da criatividade dos outros com as dores alheias.
http://forum.cifraclub.com.br/forum/11/137047/
ficar
Percebi que estou ficando velhaco. Cara, sou do século passado, nasci em 1980! Quase geração xis. Já vi e ouvi muitas coisas. Já andei de Opala, já gravei fita cassete (direto da rádio, e ficava puto quando o locutor estragava a música no final citando o nome da rádio), já brinquei de bilboquê ou biloquê, como queiram, joguei bola de gude (tinha esferinhas, olho de gato, tinha as joguinhas) e botão puxador (lembro do cheiro do acrílico dos botões de duas, três ou quatro camadas que ainda guardo em casa) e antes dos puxadores que eram caros jogava com botões panelinha comprados em supermercados; já tive mola maluca, pulei pogobol (tive calos nos calcanhares).
Vídeo game era luxo e poucos jogavam Atari. Nunca tive um video game. PS: Li na internet que os egípcios jogavam bolita. Imaginem que o brinquedo durou de 3.000 a.C até a proliferação da internet.
O interessante é que muita gente não faz idéia de que brinquedos são esses. O próprio Word não reconhece essas palavras, tanto que já sublinhou todas sugerindo correção ortográfica, só que ele não oferece sugestões para substituir essas palavras. Até o Word, esse sabichão, é mais novo do que eu!
Já assisti TV em preto e branco. Lembro quando surgiu uma novidade: era uma tela que colocavam na frente da tela da TV, e que deixava a imagem “colorida”. Aquilo era bizarro, umas das invenções mais bizarras que já conheci.
Eu tive caxumba. De um lado só. Um vizinho meu teve primeiro. Então minha mãe mandou eu brincar com ele uma tarde. Era a oportunidade que eu precisava para adoecer e não ir a aula. Era um acontecimento contrair caxumba. Impressão minha ou as crianças de hoje em dia não contraem caxumba?
Lembro das Diretas já!, lembro vagamente também, da morte do Tancredo. Era novo, mas tenho lembranças disso. Vivi mais intensamente o impeachment do Collor. Minha geração tem orgulho de ter tirado um presidente do poder. Com oito anos tinha alguma consciência política. Também não percebo isso ocorrer hoje em dia.
Enfim, chega de nostalgia e saudosismo e vamos ao que interessa. O Roger, que também é da minha geração, se orgulha de outra coisa. Ele diz que foi ele um dos responsáveis pelo “ficar“. Ficar nada mais é do que beijar na boca, sem obrigações posteriores, sem ter que ligar no dia seguinte. Só se der vontade de ficar de novo, é claro. E sem a necessidade de estar chapado, como estavam em Woodstock.
O ficar tem algumas variações que vão desde o singelo mão na bunda, avançando ao apalpamento de partes íntimas, culminando no sexo casual. Falando nisso, nunca entendi a lógica das mulheres primeiro permitirem uma mão na bunda, se é a bunda a última coisa que elas dão. Isso, quando dão. E última coisa que você toca é a primeira que você come!
Por mais incrível que possa parecer para alguns, nem sempre foi assim. Você gostava de uma guria e era isso. Nada além disso. Trocava algumas cartinhas que faziam ruborizar a face e mais nada. Era a época do gostar. Beijar na boca, pegação mesmo, descompromissada, ocorreu depois, com o avanço da sociedade.
Lembro dessa mudança gradual. Dessa não necessidade de gostar de alguém para beijar na boca. Era só o interesse, a vontade, a curiosidade. Curiosidade saciada e cada um voltava para sua casa feliz e satisfeito. O ficar tinha algumas barreiras, já que nem todas gostavam de sair ficando por aí. Lembro de algumas vizinhas que se orgulhavam de terem ficado só com um, ou dois. Queriam namorar ao invés de sair beijando na boca por aí. Grandes merdas!, pensam os jovens de hoje. Bobas elas que perderam a juventude em nome da lenta adaptação a sem-vergonhice que, ainda bem, chegamos nos dias atuais.
Talvez o ficar tenha sido um dos maiores avanços da minha geração. Acho que o Roger tem razão, devemos a minha geração essa liberdade nos relacionamentos. O amadurecimento nas relações. Minha geração vivenciou uma queda de um regime militar, uma queda de um presidente eleito de forma democrática e deu o pontapé inicial a promiscuidade que a sociedade aceita hoje de bom grado através dessa “ficação“ desenfreada.
Vídeo game era luxo e poucos jogavam Atari. Nunca tive um video game. PS: Li na internet que os egípcios jogavam bolita. Imaginem que o brinquedo durou de 3.000 a.C até a proliferação da internet.
O interessante é que muita gente não faz idéia de que brinquedos são esses. O próprio Word não reconhece essas palavras, tanto que já sublinhou todas sugerindo correção ortográfica, só que ele não oferece sugestões para substituir essas palavras. Até o Word, esse sabichão, é mais novo do que eu!
Já assisti TV em preto e branco. Lembro quando surgiu uma novidade: era uma tela que colocavam na frente da tela da TV, e que deixava a imagem “colorida”. Aquilo era bizarro, umas das invenções mais bizarras que já conheci.
Eu tive caxumba. De um lado só. Um vizinho meu teve primeiro. Então minha mãe mandou eu brincar com ele uma tarde. Era a oportunidade que eu precisava para adoecer e não ir a aula. Era um acontecimento contrair caxumba. Impressão minha ou as crianças de hoje em dia não contraem caxumba?
Lembro das Diretas já!, lembro vagamente também, da morte do Tancredo. Era novo, mas tenho lembranças disso. Vivi mais intensamente o impeachment do Collor. Minha geração tem orgulho de ter tirado um presidente do poder. Com oito anos tinha alguma consciência política. Também não percebo isso ocorrer hoje em dia.
Enfim, chega de nostalgia e saudosismo e vamos ao que interessa. O Roger, que também é da minha geração, se orgulha de outra coisa. Ele diz que foi ele um dos responsáveis pelo “ficar“. Ficar nada mais é do que beijar na boca, sem obrigações posteriores, sem ter que ligar no dia seguinte. Só se der vontade de ficar de novo, é claro. E sem a necessidade de estar chapado, como estavam em Woodstock.
O ficar tem algumas variações que vão desde o singelo mão na bunda, avançando ao apalpamento de partes íntimas, culminando no sexo casual. Falando nisso, nunca entendi a lógica das mulheres primeiro permitirem uma mão na bunda, se é a bunda a última coisa que elas dão. Isso, quando dão. E última coisa que você toca é a primeira que você come!
Por mais incrível que possa parecer para alguns, nem sempre foi assim. Você gostava de uma guria e era isso. Nada além disso. Trocava algumas cartinhas que faziam ruborizar a face e mais nada. Era a época do gostar. Beijar na boca, pegação mesmo, descompromissada, ocorreu depois, com o avanço da sociedade.
Lembro dessa mudança gradual. Dessa não necessidade de gostar de alguém para beijar na boca. Era só o interesse, a vontade, a curiosidade. Curiosidade saciada e cada um voltava para sua casa feliz e satisfeito. O ficar tinha algumas barreiras, já que nem todas gostavam de sair ficando por aí. Lembro de algumas vizinhas que se orgulhavam de terem ficado só com um, ou dois. Queriam namorar ao invés de sair beijando na boca por aí. Grandes merdas!, pensam os jovens de hoje. Bobas elas que perderam a juventude em nome da lenta adaptação a sem-vergonhice que, ainda bem, chegamos nos dias atuais.
Talvez o ficar tenha sido um dos maiores avanços da minha geração. Acho que o Roger tem razão, devemos a minha geração essa liberdade nos relacionamentos. O amadurecimento nas relações. Minha geração vivenciou uma queda de um regime militar, uma queda de um presidente eleito de forma democrática e deu o pontapé inicial a promiscuidade que a sociedade aceita hoje de bom grado através dessa “ficação“ desenfreada.
sábado, 16 de abril de 2011
quarta-feira, 13 de abril de 2011
o último romântico
Roger foi o último romântico. Dizem que depois dele, ninguém mais se atreve a agradar uma mulher. Mulheres são seres difíceis de agradar. Parecem nunca satisfeitas. Numa relação onde você manda flores no primeiro ano de namoro, você está assinando um contrato vitalício. Prepare-se para fechar contrato com uma floricultura para o resto de sua vida, pois enquanto durar o relacionamento será sua obrigação enviar flores nesta data. Caso você esqueça uma vez em trinta anos, significa que você não ama mais, ou que tem outra, ou que você não é mais o mesmo. O mesmo vale para jóias. Com um agravante: as jóias tendem a tornar-se mais caras com o passar dos anos. Nada de gastar menos de um ano para outro.
O Roger foi um cara romântico. Talvez não com uma apenas, mas era um cara romântico com várias, o que para muitas não serve. Enfim, teve uma vez que ele fora romântico e fiel. Até convidou sua amada para uma viagem a dois. O destino foi uma praia quase deserta, aqueles lugares propícios para revelações, uma combinação perfeita e colorida entre a areia branca, o mar azul, um céu amarelo e árvores verdes. Roger andava cansado da boemia, da vida noturna. Precisava de alguém que lhe compreendesse, que lhe desse atenção. Algo que ultrapassasse o sexo casual e fortuito. Concluiu que aquele era o lugar e que a amada da vez era a mulher certa.
Foram à praia, sentaram-se numa enseada, para ver o pôr do sol. Abraços, beijos e então o Roger tira um molho de chaves do bolso, o chaveiro do apartamento em que morava.
- Essa chave, foi a chave que você usou para abrir meu coração. - disse ele, retirando uma chave do molho. - Quando você abriu meu coração, você quebrou o gelo que havia nele, e pude ver o quanto eu posso me entregar e me apaixonar por alguém.
Ela estranhou um pouco, virou a cabeça de lado e assentiu com a cabeça, para que ele continuasse.
- Essa chave, é a chave da nossa amizade. - disse enquanto retirava a chave da argola. - Coloco essa argola aqui, para que nossa amizade seja eterna. - completou, enfiando a argola no dedo anelar da moça.
Ela sorria, enquanto que ele continuava o procedimento. Retirava as chaves das argolas do chaveiro, uma a uma, e pausadamente separava a argola da chave, ao mesmo tempo que se declarava a sua cara metade:
- Já essa chave, é a chave do sexo. O sexo intenso, com amor, que melhora a cada encontro.
Ela riu. Ele continuou:
- Essa chave, é a chave da nossa paixão. É a representação da chama da nossa paixão.
Ela acenou com a cabeça, concordando. Ele não havia terminado:
- Essa chave, é a chave do nosso amor. Do nosso amor eterno. - declarou-se. Foi quando pegou a argola, e colocou junto ao dedo da sua amada, vagarosamente, enfiando a argola até juntar-se as outras três que ali repousavam e fez o pedido, enquanto o sol se punha, ao fundo:
- Quer casar comigo?
- Roger. Eu gosto de ti. Muito de ti. O cenário é perfeito. Mas, pedido de casamento com argola do molho de chaves é muito piegas. Muito piegas. Na próxima vez, compra um anel de ouro. - disse a moça, as gargalhadas.
O Roger foi um cara romântico. Talvez não com uma apenas, mas era um cara romântico com várias, o que para muitas não serve. Enfim, teve uma vez que ele fora romântico e fiel. Até convidou sua amada para uma viagem a dois. O destino foi uma praia quase deserta, aqueles lugares propícios para revelações, uma combinação perfeita e colorida entre a areia branca, o mar azul, um céu amarelo e árvores verdes. Roger andava cansado da boemia, da vida noturna. Precisava de alguém que lhe compreendesse, que lhe desse atenção. Algo que ultrapassasse o sexo casual e fortuito. Concluiu que aquele era o lugar e que a amada da vez era a mulher certa.
Foram à praia, sentaram-se numa enseada, para ver o pôr do sol. Abraços, beijos e então o Roger tira um molho de chaves do bolso, o chaveiro do apartamento em que morava.
- Essa chave, foi a chave que você usou para abrir meu coração. - disse ele, retirando uma chave do molho. - Quando você abriu meu coração, você quebrou o gelo que havia nele, e pude ver o quanto eu posso me entregar e me apaixonar por alguém.
Ela estranhou um pouco, virou a cabeça de lado e assentiu com a cabeça, para que ele continuasse.
- Essa chave, é a chave da nossa amizade. - disse enquanto retirava a chave da argola. - Coloco essa argola aqui, para que nossa amizade seja eterna. - completou, enfiando a argola no dedo anelar da moça.
Ela sorria, enquanto que ele continuava o procedimento. Retirava as chaves das argolas do chaveiro, uma a uma, e pausadamente separava a argola da chave, ao mesmo tempo que se declarava a sua cara metade:
- Já essa chave, é a chave do sexo. O sexo intenso, com amor, que melhora a cada encontro.
Ela riu. Ele continuou:
- Essa chave, é a chave da nossa paixão. É a representação da chama da nossa paixão.
Ela acenou com a cabeça, concordando. Ele não havia terminado:
- Essa chave, é a chave do nosso amor. Do nosso amor eterno. - declarou-se. Foi quando pegou a argola, e colocou junto ao dedo da sua amada, vagarosamente, enfiando a argola até juntar-se as outras três que ali repousavam e fez o pedido, enquanto o sol se punha, ao fundo:
- Quer casar comigo?
- Roger. Eu gosto de ti. Muito de ti. O cenário é perfeito. Mas, pedido de casamento com argola do molho de chaves é muito piegas. Muito piegas. Na próxima vez, compra um anel de ouro. - disse a moça, as gargalhadas.
sexta-feira, 8 de abril de 2011
o coelhinho pau no cu
Além de descobrir que cu não leva assento, que vai de encontro ao que leio nas portas dos banheiros, essa páscoa me faz falir, igual a todos anos. Ano passado, nesta época, escrevi um texto chamado "querida afilhada", cópia fiel da carta que havia entregue a minha afilhada mais velha.
Como costumo escrever algo na Páscoa, seja lá o que signifique a tal da pascoalete, não fugi a regra nesse ano... Ainda não descobri quando é a páscoa, mas já percebi nas gôndolas dos mercados um movimento intenso de promotoras feinhas...
Apesar disso, gosto da páscoa. E após mostrar a foto no tal twitter, coloco aqui a foto do presente da minha mais nova afilhada que completará 6 meses daqui uns dias.
Desde já, feliz páscoa. Seja lá o que isso for...

Como costumo escrever algo na Páscoa, seja lá o que signifique a tal da pascoalete, não fugi a regra nesse ano... Ainda não descobri quando é a páscoa, mas já percebi nas gôndolas dos mercados um movimento intenso de promotoras feinhas...
Apesar disso, gosto da páscoa. E após mostrar a foto no tal twitter, coloco aqui a foto do presente da minha mais nova afilhada que completará 6 meses daqui uns dias.
Desde já, feliz páscoa. Seja lá o que isso for...

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