Tudo tem um lado ruim
O marido chegou em casa as três da matina, um tanto trôpego e honestamente embriagado. Acordou a mulher que dormia o sono leve dos desconfiados. - Onde estaria o marido?, pensava ela, justo ele que andava com dificuldades intensas de honrar suas atribuições matrimoniais, ou num linguajar mais chulo, não comparecia, sexualmente falando.
- Querida! – gritou o beberrão, quase que ao acordar os bebezinhos no quarto ao lado. – Tenho duas notícias pra te dar.
Ela grunhiu, tentando fingir um sono profundo, mas demonstrando pouca disposição ao diálogo.
- A primeira é que não sou mais broxa.
Ela abriu os olhos e inclinou o pescoço observando o esposo desequilibrado que tinha dificuldades em desvestir as calças.
- E a segunda é tu fostes traída.
***
O cravo
O cravo deve ter brigado com a Rosa ou com quer que seja quando ela tentou esmagá-lo com as suas unhas. É um direito de qualquer cravo nascer, crescer até secar e morrer no corpo de qualquer homem. Li na constituição dos cravos e espinhas.
Pois dias desses senti um cravo sendo furuncado em minhas costas. Primeiro uma unha, raspando e o fazendo sofrer, quem sabe até sangrar. Depois senti outra unha solidária tentando esmagá-lo, numa demonstração feroz de covardia: duas garras compridas e afiadas apertando com unhas e dentes um pobre cravinho.
Doeu. Doeu muito. Somos sensíveis a dor.
Do pseudo cravo levantou um naco. Na verdade uma casquinha, que parecia um casco. O cravo pulsava. Foi quando a dona da unha foi observar o último suspiro do cravo esmagado:
- Ops! Não era um cravo. Era um sinal.
Quem tem namorada com garras não precisa marcar hora com dermatologista para arrancar um sinal.
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terça-feira, 3 de abril de 2012
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
a brochada
Quase tudo já foi dito sobre brochadas por quem já brochou antes do que eu. Quase tudo. A questão primordial no assunto é que o homem coloca em cheque sua virilidade em três questões: o tamanho do pau, uma ereção consistente e a ejaculação nada precoce. Isso funciona como o norte de nossas vidas, o mundo gira em função desse tripé, admitamos ou não. Não critiquem, não julguem. Somos asssim, aceitem.
Vou usar de argumentos sólidos para comprovar: Se teu pau satisfaz a parceira, que usa dele quando bem entende, por quanto tempo seja necessário para alcançar o orgasmo, o teu time pode perder todo domingo que a vida é bela.
Assim, quando um homem tende a permanecer de pau mol ao lado da parceira, estamos diante de uma situação tragicômica. Algumas questões são primordiais nesse assunto. Primeiramente, a responsabilidade é do homem em 99% das vezes. Pode ser o cansaço, o estresse, a ansiedade ou qualquer outra desculpa fajuta. Tanto o cansaço, o estresse ou a ansiedade acontecem no corpo do homem, e não no da mulher. Logo, a responsabilidade é nossa. O fato é que a mulher só tem 1% de responsabilidade.
Essa percentagem é justamente por ter escolhido um parceiro brocha! Faz-se necessário hombridade para assumir a brochada com dignidade, sem floreios, sem co-responsabilidades. Nada de terceirizar a disfunção erétil.
Imaginemos uma situação típica, como um casal num motel. A situação é embaraçosa, a menos que o casal tenha muita intimidade e o cara já tenha provado e comprovoado suas virtudes. Caso contrário, o embaraço é pleno. Contudo, não cabe ao homem culpar a mulher. Tampouco culpar o motel, a cama, ou o ar condicionado.
Também não convém levantar da cama, e jogar uma cadeira no espelho. Brocha e violento não cabe, definitivamente. Culpar o salário ou o patrão, muito menos. Comentários do tipo “é a primeira vez que isso me acontece”, mesmo que seja verdade, soam como mentiras inapropriadas. Outrossim, afirmar que “isso tem me acontecido seguidamente” é mais inconveniente, por demonstrar uma falta de ereção duradoura, rotineira. Na verdade, não há o que possa diminuir o constrangimento diante de tal situação.
Sei que as mulheres tem algumas dúvidas sobre o assunto. De certa forma, sentem-se inseguras e um pouco responsáveis pelo desempenho pífio do parceiro. Pois saibam que não lhes compete responsabilidade, embora haja meios de ‘erguer a moral do parceiro’.
Pois o meu dia chegou. Isso nunca tinha me acontecido antes. Não me refiro a brochar, e sim a escrever sobre o tema. Sobre brochar lembro da primeira vez que isso me aconteceu. Foi ali que percebi de verdade a gravidade do acontecido quando sai a rua. Meu mundo tinha acabado, havia perdido o meu norte. Parecia que todos me olhavam, andei cabisbaixo. Sequer tinha coragem de erguer a cabeça para apreciar o horizonte, envergonhado que estava.
No ônibus o motorista perguntou, "desce?", e todos me olharam. Queria cavar um buraco no assoalho do coletivo. Tive de engolir o choro. Pulei na parada seguinte, atrás de senhores. Não queria "descer" sozinho. Fugi de ruas movimentadas, conhecidos de ocasião, desliguei o celular. Imaginei que na frente da minha empresa haveria uma faixa soletrando o B, o R, o O, o C, o H e o A, seguido de uma exclamação. Queria ficar incomunicável. Se bem que tenho recebidos alguns e-mails com propostas para aumentar meu pênis e prolongar minha ereção. Será que ainda os tenho na lixeira do meu e-mail?
***
Ouvi ou li uma história sobre essa temática desagradável. Segue abaixo:
O cronista Antonio Maria entrou no avião e viu uma moça linda lendo um livro do Vinicius de Moraes. Perguntou se ela gostava de Vinicius, ela disse que sim e ele disse que ele era o próprio Vinicius. Numa época não globalizada, a moça acreditou. Durante a viagem prosearam bastante, bom papo, "Vinicius te adoro, te venero" e talicoisa e quando desembarcaram no aeroporto, foram prum motel, rolou sexo e aquela coisa toda. No dia seguinte foi correndo contar pro Vinicius, que ficou fulo com a história. Mas perguntou:
- Tá, mas e aí, como foi?
- Vinicius, ontem tu brochou.
Vou usar de argumentos sólidos para comprovar: Se teu pau satisfaz a parceira, que usa dele quando bem entende, por quanto tempo seja necessário para alcançar o orgasmo, o teu time pode perder todo domingo que a vida é bela.
Assim, quando um homem tende a permanecer de pau mol ao lado da parceira, estamos diante de uma situação tragicômica. Algumas questões são primordiais nesse assunto. Primeiramente, a responsabilidade é do homem em 99% das vezes. Pode ser o cansaço, o estresse, a ansiedade ou qualquer outra desculpa fajuta. Tanto o cansaço, o estresse ou a ansiedade acontecem no corpo do homem, e não no da mulher. Logo, a responsabilidade é nossa. O fato é que a mulher só tem 1% de responsabilidade.
Essa percentagem é justamente por ter escolhido um parceiro brocha! Faz-se necessário hombridade para assumir a brochada com dignidade, sem floreios, sem co-responsabilidades. Nada de terceirizar a disfunção erétil.
Imaginemos uma situação típica, como um casal num motel. A situação é embaraçosa, a menos que o casal tenha muita intimidade e o cara já tenha provado e comprovoado suas virtudes. Caso contrário, o embaraço é pleno. Contudo, não cabe ao homem culpar a mulher. Tampouco culpar o motel, a cama, ou o ar condicionado.
Também não convém levantar da cama, e jogar uma cadeira no espelho. Brocha e violento não cabe, definitivamente. Culpar o salário ou o patrão, muito menos. Comentários do tipo “é a primeira vez que isso me acontece”, mesmo que seja verdade, soam como mentiras inapropriadas. Outrossim, afirmar que “isso tem me acontecido seguidamente” é mais inconveniente, por demonstrar uma falta de ereção duradoura, rotineira. Na verdade, não há o que possa diminuir o constrangimento diante de tal situação.
Sei que as mulheres tem algumas dúvidas sobre o assunto. De certa forma, sentem-se inseguras e um pouco responsáveis pelo desempenho pífio do parceiro. Pois saibam que não lhes compete responsabilidade, embora haja meios de ‘erguer a moral do parceiro’.
Pois o meu dia chegou. Isso nunca tinha me acontecido antes. Não me refiro a brochar, e sim a escrever sobre o tema. Sobre brochar lembro da primeira vez que isso me aconteceu. Foi ali que percebi de verdade a gravidade do acontecido quando sai a rua. Meu mundo tinha acabado, havia perdido o meu norte. Parecia que todos me olhavam, andei cabisbaixo. Sequer tinha coragem de erguer a cabeça para apreciar o horizonte, envergonhado que estava.
No ônibus o motorista perguntou, "desce?", e todos me olharam. Queria cavar um buraco no assoalho do coletivo. Tive de engolir o choro. Pulei na parada seguinte, atrás de senhores. Não queria "descer" sozinho. Fugi de ruas movimentadas, conhecidos de ocasião, desliguei o celular. Imaginei que na frente da minha empresa haveria uma faixa soletrando o B, o R, o O, o C, o H e o A, seguido de uma exclamação. Queria ficar incomunicável. Se bem que tenho recebidos alguns e-mails com propostas para aumentar meu pênis e prolongar minha ereção. Será que ainda os tenho na lixeira do meu e-mail?
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Ouvi ou li uma história sobre essa temática desagradável. Segue abaixo:
O cronista Antonio Maria entrou no avião e viu uma moça linda lendo um livro do Vinicius de Moraes. Perguntou se ela gostava de Vinicius, ela disse que sim e ele disse que ele era o próprio Vinicius. Numa época não globalizada, a moça acreditou. Durante a viagem prosearam bastante, bom papo, "Vinicius te adoro, te venero" e talicoisa e quando desembarcaram no aeroporto, foram prum motel, rolou sexo e aquela coisa toda. No dia seguinte foi correndo contar pro Vinicius, que ficou fulo com a história. Mas perguntou:
- Tá, mas e aí, como foi?
- Vinicius, ontem tu brochou.
sexta-feira, 30 de abril de 2010
o relato
Queria um conto sobre o Viagra. Lembro do Paulo Santana, que escreveu uma crônica, na sua coluna da Zero Hora sobre o assunto. Achei interessante. Procurei um amigo, que trabalha com remédios. Consegui uma amostra. Não era exatamente o Viagra, e sim outro estimulante sexual menos popular.
- Toma meio!
- Só meio comprimido?
- Sim, já vai te ajudar.
Como dividir ao meio um comprimido pequeno daqueles? Impossível. Resolvi tomar todo. Receoso que estava, salvei o número da SAMU no celular, para ligar para emergência. Como estava tomando sem orientação médica tive medo de ter uma parada cardíaca ou qualquer outra coisa. Não sou hipocondríaco, muito pelo contrário. É que tenho medo de remédios, até mesmo de aspirina. Faço parte de um grupo de pessoas que não acreditam em químicas para melhorar algo, que a natureza pode cuidar sozinha. Minha receita para dor de cabeça, por exemplo, é um chá de camomila ou cidreira com bolacha água e sal. Para um resfriado, mel e limão. Ou uma cachaça com mel e limão é o meu remédio mais eficaz para desentupir meu nariz.
E se o estimulante não funcionasse? Sabe-se lá que efeitos teria o comprimido. Brochar com um Viagra seria vergonhoso, caso raro de “pau mol”. Escolhi a dedo a mulher para ser a minha cobaia nessa experiência. Teria que ser uma que eu já tivesse certa intimidade, e que já tivesse comprovado meu desempenho sexual em condições normais. Escolhida a mulher, era preciso combinar a ocasião certa.
Data marcada, quinze minutos antes dela chegar, ingiro o comprimido azul inteiro, com água. Quando começou a fazer efeito, tive a sensação estranha, a qual descrevo como incômoda. O coração passou a pulsar de forma mais intensa. Nem menos rápida, nem mais lenta. Ouvia meus próprios batimentos. Tive até que aumentar o volume da televisão. Meu coração passou a saltar, como se quisesse sair do peito em direção a uma pista de atletismo, e lá ficar pulando e pulando sem parar. Mas, o pior era a sensação de acaloramento. Faces ruborizadas, um calorão nas bochechas. A impressão de que a temperatura corpórea estava acima da média costumeira. Quase um febrão.
Particularmente, imaginava que o estimulante deixaria meu pau duro como uma pedra. Porém, os efeitos atingiram todo meu corpo, menos o meu pau. O comprimido mexe com o desejo sexual, aumenta a vontade de fazer sexo, mas não interferiu na minha ereção.
Antes do orgasmo, a libido foi diminuindo, e aos poucos voltei ao meu estado normal. Diga-se de passagem, para o meu bem, e principalmente, para alívio da parceira cobaia que em nenhum momento desconfiou do uso do “medicamento”. E o conto virou apenas um relato.
- Toma meio!
- Só meio comprimido?
- Sim, já vai te ajudar.
Como dividir ao meio um comprimido pequeno daqueles? Impossível. Resolvi tomar todo. Receoso que estava, salvei o número da SAMU no celular, para ligar para emergência. Como estava tomando sem orientação médica tive medo de ter uma parada cardíaca ou qualquer outra coisa. Não sou hipocondríaco, muito pelo contrário. É que tenho medo de remédios, até mesmo de aspirina. Faço parte de um grupo de pessoas que não acreditam em químicas para melhorar algo, que a natureza pode cuidar sozinha. Minha receita para dor de cabeça, por exemplo, é um chá de camomila ou cidreira com bolacha água e sal. Para um resfriado, mel e limão. Ou uma cachaça com mel e limão é o meu remédio mais eficaz para desentupir meu nariz.
E se o estimulante não funcionasse? Sabe-se lá que efeitos teria o comprimido. Brochar com um Viagra seria vergonhoso, caso raro de “pau mol”. Escolhi a dedo a mulher para ser a minha cobaia nessa experiência. Teria que ser uma que eu já tivesse certa intimidade, e que já tivesse comprovado meu desempenho sexual em condições normais. Escolhida a mulher, era preciso combinar a ocasião certa.
Data marcada, quinze minutos antes dela chegar, ingiro o comprimido azul inteiro, com água. Quando começou a fazer efeito, tive a sensação estranha, a qual descrevo como incômoda. O coração passou a pulsar de forma mais intensa. Nem menos rápida, nem mais lenta. Ouvia meus próprios batimentos. Tive até que aumentar o volume da televisão. Meu coração passou a saltar, como se quisesse sair do peito em direção a uma pista de atletismo, e lá ficar pulando e pulando sem parar. Mas, o pior era a sensação de acaloramento. Faces ruborizadas, um calorão nas bochechas. A impressão de que a temperatura corpórea estava acima da média costumeira. Quase um febrão.
Particularmente, imaginava que o estimulante deixaria meu pau duro como uma pedra. Porém, os efeitos atingiram todo meu corpo, menos o meu pau. O comprimido mexe com o desejo sexual, aumenta a vontade de fazer sexo, mas não interferiu na minha ereção.
Antes do orgasmo, a libido foi diminuindo, e aos poucos voltei ao meu estado normal. Diga-se de passagem, para o meu bem, e principalmente, para alívio da parceira cobaia que em nenhum momento desconfiou do uso do “medicamento”. E o conto virou apenas um relato.
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