segunda-feira, 21 de novembro de 2011

o gang bang

Convidaram o Roger pra uma tal de suruba. Ele pode ir e não mandou ninguém no seu lugar. Eram para ser cinco, eu disse cinco, homens e uma mulher, eu disse uma única mulher. Era a fantasia dela, uma ninfomaníaca gulosa, que queria vários homens só para ela. E do marido dela, eu disse do marido dela. Não era novidade para o casal o ménage masculino. Só que agora eles queriam um gang bang. Vários homens e uma mulher, tudo com a supervisão e direção cinematográfica do marido.
Convidaram o Roger que aceitou, já que nunca fora envergonhado. Dos outros quatro, eu disse quatro, homens, dois desistiram. Arregaram provavelmente. Marcaram o encontro num local público. Com o elenco reduzido, iriam todos no mesmo carro. A surpresa para o Roger foi que ao chegar para cumprimentar o casal reconheceu os outros dois, eu disse outros dois, homens: dois colegas de faculdade. Mundo pequeno, pensaram. Não desistiram apesar do breve constrangimento.
Entraram no carro de um deles e rumaram em direção ao motel. O marido ia na frente, ao lado do motorista. Roger e o outro colega de faculdade iam, digamos, se aproveitando da situação no banco traseiro. Adentram no motel e o porteiro foi logo avisando que teriam de pagar dois quartos. Negociaram e pagaram um quarto e meio.
De início pensaram em fazer um grupo para comer mulheres interessadas em gang bang. Depois todos tiveram dificuldades de manter a concentração e principalmente a ereção. Das duas horas que permaneceram no quarto do motel e revezaram na foda com moça, também falavam da faculdade, das notas e trabalhos escolares. Um deles colocou o gel anestésico no pau, imaginando tratar-se de um lubrificante. Risos. De início Roger já foi logo avisando:
- Não sei vocês, mas eu preciso chupar essa boceta antes que vocês enfiem o pau de vocês nela.
De novo, risos.
E todos revezaram para chupar a moça. Todos, com muita dificuldade de concentração, eu disse concentração, mas leiam ereção, conseguiram comer a moça. O marido filmou e fotografou, até certo momento em que preocupado com o desempenho titubeante dos novos amantes da esposa, tratou de fazer a sua parte.
Dupla penetração, gozada na cara. A gang bang aconteceu, com certa dificuldade, mas aconteceu. Um deles dizia:
- Que falta estão fazendo aqueles dois arregões para acabar com essa mulher!
Os amigos nunca formaram um grupo. Desistiram após o desempenho pífio da estréia. Preferiram ficar com a certeza, talvez ilusória, de que se tivessem outra oportunidade iriam se sair melhor.

sábado, 19 de novembro de 2011

homem objeto

Roger estava sozinho em casa, arrotando, peidando e coçando o saco. Deitado no sofá, vendo qualquer coisa na TV e esperando a dor de cabeça passar. A dor poderia ser resultado de problemas estomacais causadores dos gases que saíam por cima ou dos que saíam por baixo. Levantou do sofá e foi pegar uma jarra d’água. Bebia no gargalo. Respingava água no peito. O cara é um porco. Um bárbaro.
- Alô! - disse ele ao atender o celular.
- Oi. Ocupado? - disse uma amiga que estava lhe devendo uma visita.
- Não. To de bobeira.
- Posso ir aí?
- Claro. Chega em quanto tempo?
- Cinco minutos.
- Peraí, tenho que tomar banho.
- Tomamos juntos.
- Mas, tenho que arrumar a casa, o quarto.
- Não quero saber disso. Quero ir aí e você sabe o porquê.
- Mas, ...
- To chegando.
Abriu as janelas, correu pro quarto para arrumar a cama, trocou de canal envergonhado que estava por assistir a novela das oito, procurou um Bom Ar, não achou, a campainha tocou. Tudo muito rápido.
- Safada! Estava aqui perto mesmo. - pensou. Entra! - gritou.
- Oi.
- Oi. Vamos tomar um banho, vem!
Ele não estava preparado para uma visita. A casa, o mau cheiro, a cueca velha e rasgada de andar em casa. Tirou tudo de uma vez só, cueca e calça, para que a moça não visse. A colocou de costas, com a cabeça virada para a basculante do banheiro, onde o cheiro era mais agradável. Deu-lhe um banho. De língua também.
Depois voltaram para o quarto. Secagem superficial dos corpos. Um corpo úmido roçando no outro, sobre a toalha molhada. Sexo rápido, para aliviar a tensão.
- Preciso ir.
- Já? - surpreendeu-se ele. - Agora que estou cheiroso tu vais embora?
- Sim. Era só uma dívida a ser paga. Já estou atrasada. Minha mãe me espera.
- Então tá.
- Roger...
- Diga.
- Dá próxima vez...
- O que tinha de errado?
- Dá próxima vez, corta as unhas do pé. Não posso sair daqui com as canelas arranhadas.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

a caixa preta

Desde que optou por se envolver com mulheres casadas, Roger sabia o que teria pela frente. Desenvolveu uma das maiores virtudes que um homem pode ter: ouvir a mulher. Roger ouvia todas elas. Sem pressa. Prestava atenção, olhava no olho, respondia, questionava, dava conselhos. Isso o diferenciava dos maridos ausentes. Claro, também procurou seu gerente no banco e fez um seguro de vida, pois os riscos iriam aumentar consideravelmente.
Não era um garoto de programa, embora recebesse presentes invariavelmente. Não rejeitava, pois camisas e camisetas sempre são bem vindas. Recebia cuecas também. Certa vez recebeu uma de elefante, com uma tromba na frente. Noutra ocasião, uma vermelha do Super-Homem. Agradecia, olhando nos olhos, e com sinceridade dizia que presentes eram desnecessários. O que ele queria mesmo era sexo sem compromisso. E mulheres casadas não podiam se envolver.
Ser o Ricardão lhe proporcionou um aprendizado que nenhuma faculdade lhe ofereceria. Aprendeu como tratar uma mulher. Mulheres cansadas das atitudes - ou da falta de - dos esposos lhe deram essa lição.
As reclamações variavam desde um mero sexo oral. Haviam os que só gostavam de receber. Homem egoísta é um problema, mas haviam os que acreditavam que sexo oral não era algo que uma esposa decente devesse fazer no seu marido. Enfim, as esposas sagradas não pensavam o mesmo, e procuravam o Roger para chupá-lo.
Tinham os namorados cornos também. O corno namorado é um tipo de homem incompetente. Sim, pois uma coisa é o corno velho, cansado da vida monótona oriunda de um matrimônio enfraquecido. Outra, é um namorado, fruto de um relacionamento recente, que prefere ficar na frente do Playstation jogando joguinhos. Outra é um namorado que prefere ficar em casa vendo televisão a sair com namorada para tomar uma cerveja que seja. As mulheres evoluíram, e cansadas de serem mal tratadas, procuram os Roger’s para se satisfazerem, não apenas sexualmente, mas como mulher.
A caixa-preta é extensa e tem histórias de mulheres desconfiadas da masculinidade do seu “macho”. Caras com atitudes, no mínimos, suspeitas, amizades estranhas, e uma falta de apetite sexual com a parceira, merecedoras de um par de guampa.
O que eu não entendo e o Roger não faz questão de entender é o porquê essas mulheres continuam a mercê destas relações. Que relação é essa onde a mulher prefere abster-se uma vida conjugal feliz para continuar um relacionamento com otários que as destratam, que as deixam em completa abstinência.
Essa resposta, talvez eu encontre, em outra caixa-preta, ainda inacessível a mim.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

poeteiro de plantão

Escuridão
No escuro, não lerás
Sem óculos, pouco entenderás
Analfabeto, impossível será
Isto posto,
Lê como mesmo?


***

Por aí
Uns escrevem poesias
Outros gostam de expor ralos
Turistas, em Roma, fazem visita Papal
Outros preferem ir comer em Juazeiro
Em Goiás, águas caindo...
Eu peço desculpas pôr tudo,
Peço desculpas pelas bolas fora
Sem mais...

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

a brochada

Quase tudo já foi dito sobre brochadas por quem já brochou antes do que eu. Quase tudo. A questão primordial no assunto é que o homem coloca em cheque sua virilidade em três questões: o tamanho do pau, uma ereção consistente e a ejaculação nada precoce. Isso funciona como o norte de nossas vidas, o mundo gira em função desse tripé, admitamos ou não. Não critiquem, não julguem. Somos asssim, aceitem.
Vou usar de argumentos sólidos para comprovar: Se teu pau satisfaz a parceira, que usa dele quando bem entende, por quanto tempo seja necessário para alcançar o orgasmo, o teu time pode perder todo domingo que a vida é bela.
Assim, quando um homem tende a permanecer de pau mol ao lado da parceira, estamos diante de uma situação tragicômica. Algumas questões são primordiais nesse assunto. Primeiramente, a responsabilidade é do homem em 99% das vezes. Pode ser o cansaço, o estresse, a ansiedade ou qualquer outra desculpa fajuta. Tanto o cansaço, o estresse ou a ansiedade acontecem no corpo do homem, e não no da mulher. Logo, a responsabilidade é nossa. O fato é que a mulher só tem 1% de responsabilidade.
Essa percentagem é justamente por ter escolhido um parceiro brocha! Faz-se necessário hombridade para assumir a brochada com dignidade, sem floreios, sem co-responsabilidades. Nada de terceirizar a disfunção erétil.
Imaginemos uma situação típica, como um casal num motel. A situação é embaraçosa, a menos que o casal tenha muita intimidade e o cara já tenha provado e comprovoado suas virtudes. Caso contrário, o embaraço é pleno. Contudo, não cabe ao homem culpar a mulher. Tampouco culpar o motel, a cama, ou o ar condicionado.
Também não convém levantar da cama, e jogar uma cadeira no espelho. Brocha e violento não cabe, definitivamente. Culpar o salário ou o patrão, muito menos. Comentários do tipo “é a primeira vez que isso me acontece”, mesmo que seja verdade, soam como mentiras inapropriadas. Outrossim, afirmar que “isso tem me acontecido seguidamente” é mais inconveniente, por demonstrar uma falta de ereção duradoura, rotineira. Na verdade, não há o que possa diminuir o constrangimento diante de tal situação.
Sei que as mulheres tem algumas dúvidas sobre o assunto. De certa forma, sentem-se inseguras e um pouco responsáveis pelo desempenho pífio do parceiro. Pois saibam que não lhes compete responsabilidade, embora haja meios de ‘erguer a moral do parceiro’.
Pois o meu dia chegou. Isso nunca tinha me acontecido antes. Não me refiro a brochar, e sim a escrever sobre o tema. Sobre brochar lembro da primeira vez que isso me aconteceu. Foi ali que percebi de verdade a gravidade do acontecido quando sai a rua. Meu mundo tinha acabado, havia perdido o meu norte. Parecia que todos me olhavam, andei cabisbaixo. Sequer tinha coragem de erguer a cabeça para apreciar o horizonte, envergonhado que estava.
No ônibus o motorista perguntou, "desce?", e todos me olharam. Queria cavar um buraco no assoalho do coletivo. Tive de engolir o choro. Pulei na parada seguinte, atrás de senhores. Não queria "descer" sozinho. Fugi de ruas movimentadas, conhecidos de ocasião, desliguei o celular. Imaginei que na frente da minha empresa haveria uma faixa soletrando o B, o R, o O, o C, o H e o A, seguido de uma exclamação. Queria ficar incomunicável. Se bem que tenho recebidos alguns e-mails com propostas para aumentar meu pênis e prolongar minha ereção. Será que ainda os tenho na lixeira do meu e-mail?


***


Ouvi ou li uma história sobre essa temática desagradável. Segue abaixo:
O cronista Antonio Maria entrou no avião e viu uma moça linda lendo um livro do Vinicius de Moraes. Perguntou se ela gostava de Vinicius, ela disse que sim e ele disse que ele era o próprio Vinicius. Numa época não globalizada, a moça acreditou. Durante a viagem prosearam bastante, bom papo, "Vinicius te adoro, te venero" e talicoisa e quando desembarcaram no aeroporto, foram prum motel, rolou sexo e aquela coisa toda. No dia seguinte foi correndo contar pro Vinicius, que ficou fulo com a história. Mas perguntou:
- Tá, mas e aí, como foi?
- Vinicius, ontem tu brochou.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

quanto tempo eu tenho?

Em determinado período da sua curta e bem vivida vida, Roger tornou-se um comedor de casadas. Nenhum outro termo seria mais adequado, apesar da deselegância, do que este, acreditem. O interessante de comer mulher casada é que elas nunca tem tempo de sobra. Principalmente as com filhos. Então, sempre que a mulher chegava no seu apartamento, logo que fechava trancava a porta, ele perguntava:
- Quanto tempo eu tenho?
Era fundamental que tivesse controle do tempo. Precisava administrá-lo visando a satisfação das senhoras. Costumava dizer que dividia o tempo da seguinte forma: de 35% a 40% do tempo dedicado as preliminares, e dependendo da mulher, até mais, já que segundo elas os “maridos tem preguiça de chupar xoxota”. A administração do tempo era fator importante, e variava de acordo com os interesses sexuais das senhoras. Nada de posições do Kamasutra, impensável posições cinematográficas, nada interminável. Sexo objetivo. As vezes nem conversavam, pois “conversar a gente conversa pelo telefone” ou "conversinha eu tenho em casa", afirmavam as comprometidas.
Certa vez uma casada ligou:
- Roger, to livre das nove e trinta as dez e quinze!
- Justo tu, que não perdes a novela? - imaginando tratar-se do horário nobre.
- Que nada, nesse horário ta passando a Ana Maria Braga!
Quarenta e cinco minutos, logo sem muito espaço para drinks ou conversinhas para boi dormir. No caso, o boi estava trabalhando. Complicado mesmo era ficar olhando no relógio em meio as estocadas.
Até que o Roger conheceu uma casada fiel. Ela exclavama depois que o viu na webcam:
- Quero te dar!
Aquele sotaque da fronteira com o Uruguai mexia com ele, que incrédulo respondia:
- De que jeito! Fiel igual a ti não existe!
- Vou falar com ele...
Anos se passaram. Ela repetindo sempre “quero te dar”, mas ainda não havia convencido por completo o marido. “Ainda estou convencendo ele a aceitar, mas "vou te dar!”, dizia com a convicção de quem está conhece o marido há vinte anos. Meus amigos, mulher quando quer uma coisa, faz o tempo parar:
- Amanhã vou matar aula.
- Sério!?
- Aham. Sete horas chego aí.
Reparem que o amante é um ser que sempre tem de estar disponível. Elas não perguntam se ele pode, quisá se ele quer. Apenas informam, avisam. E aparecem.
Enquanto ele girava à esquerda a chave da fechadura da sala, logo tascou:
- Quanto tempo eu tenho?
- Bastante.
Era uma reposta inesperada vindo de uma casada com filhos. Evasiva demais para quem acostumou-se a trepar com uma ampola na cabeça:
- Tu tá solteira?
- Hoje sim!
Foderam. Recuperaram o tempo perdido.
- Tenho que ir.
- Tudo bem. Valeu a pena esperar. Quer que eu te leve? – perguntou solícito.
- Não te preocupa, ele vem me buscar.
- Ele quem?!
- Ele... - disse apontando para a aliança na mão esquerda.
- Ele sabe que tu tá aqui?!
- Sabe.
- Ainda bem que tranquei a porta.
- Falei para ele que ou ele deixava ou eu viria sem ele deixar. Aí ele me trouxe. E agora vem me buscar.
- Bem, então por segurança, não vou te acompanhar até a frente.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

a entrevista

Segue, na íntegra, a entrevista realizada com o Roger:
- Uou! Estamos aqui, com o Roger. Seja bem vindo!
- Obrigado. Sinto uma hemorragia de satisfação por ter sido convidado para participar do seu programa.
- Que isso... Suas histórias estão fazendo por merecer.
- Ah, isso eu devo a um amigo meu, blogueiro.
- Ele está aqui na platéia?
- Não pode vir. Ele trabalha, além de escrever as histórias.
- Beijo do Gordo pra ele.
- Vou mandar...
- Vamos fazer um bate bola. Eu pergunto e você responde.
- Ok.
- Qual seu tipo de mulher?
- As que gostam de mim.
- Só?
- E as que gostam de sexo comigo...
- Solteiro?
- Totalmente. Mais avulso que bala de troco.
- Se ganhasse na loteria...
- Não haveria puta pobre, bêbado sem cigarro e garçom sem gorjeta.
- Time?
- Qual time tu queres que eu torça?
- Colorado?
- O que isso?!
- Gosta de verdura?
- Só a minha carne.
- Já broxou?
- Eu nunca! Isso é coisa de blogueiro.
- Futebol ou vôlei?
- Sexo.
- Lugar?
- Gosto de lugares úmidos e quentes.
- Chocolate ou vinho?
- Depende da ocasião.
- O que acha do sexo pago?
- Caro.
- Tem saído? Festas, baladas?
- Tenho sim.
- Bastante?
- Menos do que eu gostaria e mais do que eu posso pagar.
- Como estão as festas?
- Tirando os homens, excelentes.
- Você é gaúcho, né?
- Sim, Pelotense... Porquê? Tens alguma piada nova?
- Não, terra da Xuxa, da Gisele...
- Pois é. A Gisele vou tentar comer de novo esse ano.
- Já comeu a Gisele Bündchen?!?!?!
- Não. Vou tentar de novo. Da outra vez que tentei não consegui.
- Hum...
- Aliás, ela não me desce. Ah, se me desse...
- Ah bom! E a Xuxa?
- Tenho um interesse sexual em conhecê-la...